rouxinol de Bernardim

Um blogue plurifacetado procurando abordar questões de interesse sob perspectivas diversificadas. A independência sim, mas sempre subordinada a parâmetros de bom senso, de optimismo e de realismo.

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sexta-feira, agosto 09, 2013

O rosto da nossa «justiça»...

http://www.ptjornal.com/2013080817736/geral/sociedade/candida-almeida-perseguida-no-dciap-diz-haver-muita-minhoca-por-escavar-no-caso-bpn.html13080817736/geral/sociedade/candida-almeida-perseguida-no-dciap-diz-haver-muita-minhoca-por-escavar-no-caso-bpn.html

Acima está o discurso da Dra Candida Almeida, que reflete o destrambelhamento do meio, a incapacidade total para se resolverem os problemas da corrupção instalada. Ela vem (só agora) dizer que não teve apoios do procurador geral dr Pinto Monteiro. Porque não denunciou isso logo? Porque não se demitiu alegando essa falta de apoio?!

Infantil e frustrante que se acuse de «perseguição» ao primeiro ministro sem indicar os agentes dessa perseguição... Se foi alvo de perseguição porque não agiu contra os perseguidores? As alegadas vítimas, os responsáveis do Freeport, acusadas de «extorsão» pelo ministério público é que se podem queixar de perseguição da justiça, pois essa queixa foi arquivada por falta de provas...

Ridículo ela vir dizer que o que Sócrates queria era ser ouvido para se «justificar»...  Ele se quisesse explicar alguma coisa __ e deveria tê-lo feito!__ bastava pedir para ser ouvido. Então, ele não foi ouvido pois não houve vontade para  o ouvir, enfim, foi ela que «perseguiu» Sócrates, não o deixando «justificar-se»?! Ele nem sequer foi ouvido, apesar de ser o principal suspeito, porque só esse fato geraria convulsões e ondas de choque a vários níveis. Não sejamos ingénuos dra Cândida. A senhora foi alvo de um inquérito pois ninguém acreditou no argumento da «falta de tempo» para ouvir o primeiro ministro. Só isso, nada mais. Na opinião pública ganhou asas a forte convicção de que o primeiro ministro estaria a ser protegido pela investigação e não o contrário.

As tiradas sobre o BPN, dizendo que houve pressões da alegada «opacidade» (sem especificiar ou concretizar...) são de uma «irresponsabilidade» gritante! Porque não denunciou essas «pressões»? Agora é tarde demais e cheira a «justificações» serôdias para a ineficácia (ou laxismo calculista, que é bem pior...).

Triste, tristíssimo o panorama da nossa justiça. Não há investigação séria, não por falta de meios, tantas vezes invocado de forma fastidiosa, mas porque outros valores mais altos se alevantam... a chamada «opacidade» também mora adentro da esfera da justiça e... quem sabe... poderá também estar a ser generosamente recompensada... só uma investigação  séria  aos «investigadores» poderia chegar a conclusões sérias..

Este regime está podre, decrépito, caduco. Só o não vê quem não quer. O fim do regime não está muito longe. A degradação dos cenários económicos e financeiros é o corolário da implosão do sistema. Os sinais são preocupantes. A própria união europeia enferma da mesma patologia. Ninguém se iluda. O desmoronamento está iminente. As fugas de capitais para offshores são o reflexo desse receio.  A regeneração só virá por um golpe cirúrgico, ninguém se iluda...

A Dra Cândida, me perdoe a ousadia, mas é, também ela, uma «minhoca» saindo do estrume, do lamaçal a que alguns por piedade ainda chamam «justiça»...
A História, a seu tempo, falará destas coisas com outro rigor, sem piedade...


                           (PARA MEMÓRIA FUTURA)