rouxinol de Bernardim

Um blogue plurifacetado procurando abordar questões de interesse sob perspectivas diversificadas. A independência sim, mas sempre subordinada a parâmetros de bom senso, de optimismo e de realismo. O mundo e a sociedade sob o olhar atento e desassombrado de um cineasta do quotidiano, um iconoclasta moderno, sem peias, sem tabus, sem preconceitos.

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Penso, sonho, trabalho, amo... logo, existo!

quinta-feira, abril 16, 2009

CREDIBILIDADE, PRECISA-SE!

Agora sim, começo a acreditar na justiça terrena! Dantes só acreditava na divina!
Em certas comarcas há juizes capturados pelo Poder Local!

Sei que nalgumas comarcas alguns magistrados portam-se como marqueses!



É verdade! Alguns juízes, nalgumas comarcas, são autênticos reizinhos!
É preciso que se diga a verdade!
Não sou daqueles que adulam Abril com objectivos de promoção pessoal ou de promoção política.
Antes de Abril soube o que era o arbítrio, a repressão, a violência até. A máquina do poder era diabólica. Quem não fosse totalmente submisso era alvo de suspeição patológica. Sempre brinquei com o poder. A poesia e a sátira foram armas que só me trouxeram prejuizos. Destruí a minha carreira por causa dos escritos. Mas algo dentro de mim sempre me levou a reagir ao arbítrio...
Mas depois de Abril a cena repetiu-se vezes sem conta.
Um dia fui recebido por um delegado do ministério público. Com modos arrogantes perguntou-me o que eu sabia sobre uma certa câmara. Por que é que eu a andava a perseguir. Que motivos pessoais tinha para o fazer.
Olhei para o seu ar arrogante e provocador e disse com os meus botões: «Isto é a Pide outra vez! Este indivíduo está a vestir uma roupagem partidária óbvia».
De facto não me disse nada sobre o conteúdo de eventuais denúncias que estariam ali em causa. Não pude acrescentar nada. Perguntei do que se tratava pois tinha muitas queixas e queria saber a quais se referia. Disse-me que não era obrigado a responder às minhas perguntas. E nada me disse.
Uma funcionária judicial, ao seu lado, ia sorrindo perante as suas ameaças e a sua arrogância.Parecia ostentar aquela carga de impunidade que vestiam os agentes da Pide, cientes de que estando ao lado do poder tinham uma capa protectora para todas as iniquidades. É claro que se estivesse ali com o meu advogado esta cena não ocorreria, pois eu teria testemunhas, assim fui enxovalhado da forma mais repugnante, fascizante até.
Impávido e sereno não respondi às provocações. Sabia que era essa a intenção dos «algozes». Cumprimentei-o e saí.
O dito cujo causou-me náusea!
Chegou a presidir à Polícia Judiciária! Subiu vertigionosamente na carreira!
Nota Final: Nunca comemoro Abril com manifestações de culto político ou de liturgia folclórica. Esta foi uma das imagens mais nojentas que presenciei. Jamais a esquecerei! Abril não pode ser analisado só à luz dos seus aproveitadores...
Para mim Abril é um estado de espírito que se manifesta em todos os mais humildes actos do quotidiano: pegar numa roçadoura e cortar silvas e mato, vestir um fato de treino e dar umas voltas por aí, contemplando a natureza, observando os passarinhos.Escrever um poema, dar um passeio pela floresta e respirar ar puro. Enfim, Abril é um caleidoscópio, um cadinho, uma mundivivência! Longe de mim os «abrilistas» que não passam de ratos de sacristia ou... de biblioteca!...
Quando olho para alguns que engordaram à custa de Abril, recordo com saudade o Dr Orlando Taipa, um dos poucos sociais-democratas autênticos que conheci:
«O poder corrompe, mas o poder absoluto corrompe absolutamente!»


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