sexta-feira, março 14, 2008

Novos pecados. A igreja sempre atrasada...




Bento XVI sempre atento ao fenómeno da globalização actualizou
o cardápio dos pecados...
Este tem o olhar focado na «floresta da Amazónia»...
Esta não pratica o pecado da gula!
Já não era sem tempo. Tantas figuras ilustres referindo os atentados ao meio ambiente como pecados capitais da humanidade e nem uma palavrinha da Igreja! A desflorestação da Amazónia, o aquecimento global provocado pelos gases poluentes, a poluição dos mares, dos rios, das fontes, tudo já consta do cardápio! Mais vale tarde do que nunca. Os que pecaram estão «absolvidos» pois não constavam da lista. Agora a coisa fia mais fino!...
Era bom que os padres meditassem nisso. Antes de abençoarem candidatos autárquicos era melhor saber os seus pecados de gestão, as suas culpas no cartório no tocante a salmonelas, legionellas, coliformes fecais e coisas afins. Agora é a sério e a doer. Quem apoia o aborto, quem não combate o flagelo da droga, quem não denuncia a exploração sexual da mulher, quem não denuncia a exploração de trabalhadores, a discrepância na distribuição de riquezas, é formalmente pecador.
Pecados de corrupção e tráfico de influências geradores de injustiças flagrantes estão aí na ordem do dia e na agenda dos párocos para serem alvo de denúncia nas homilias, nos sermões, nos artigos de opinião nos jornais. Será que vão fazê-lo?
O Jornal da Madeira será que vai fazê-lo? Irá denunciar aquilo em que está envolvido até ao âmago?
Creio bem que não o fará. Seria uma «ingratidão»...

quinta-feira, março 13, 2008

O Monstro que aterroriza Portugal inteiro!!!




O fogo é terrível. Anda por aí oculto, muitas vezes provocado por pirómanos.  Não surge só ne verão. Há que cuidar das matas. Há que ser prudente. Antes do verão limpar as matas é um imperativo moral e cívico.

Clima de terror!!!

Santana Lopes regressou! vê nuvens de terror no horizonte!!!
O Dr Santana Lopes vê «terror robespierreano» dentro do PSD! Não sou conhecedor da matéria, mas penso que dentro das categorias de terrores este deve estar no topo da lista! Cruzes, canhoto!..
E porquê?
Porque alguns militantes criticam a actuação do líder. Ele, fiel guardião, arreganha a dentuça ameaçadora e prepara as hostes para o combate iminente!
Estratégia de hipervitimização tal qual fez Menezes na campanha que o alçapremou ao topo, para amedrontar as bases timoratas e criar união. «Terror robespierreano», nem mais.
Velhos gritos como «vem aí o lobo», ou «cuidado que os do continente querem roubar a autonomia», aí estão com nova roupagem, nova imagem, para impressionar incautos, amedrontar timoratos, arrebanhar cumplicidades para a cruzada que se avizinha: impôr a lei da rolha no PSD!
Quem verberou na praça pública tudo e todos, com linguagem achincalhante (M Mendes não tinha «estatura», não tinha dimensão, Cavaco era o que era, Barroso era um sulista elitista) vem agora exigir estatuto de vestal imaculada. A intocabilidade, a infalibilidade papal se calhar virá também!...
Pobre pátria esta, que tais abencerragens vai parindo, colocando-as mesmo nos lugares cimeiros para que sejam visíveis e não passem despercebidas. Grotesco, patético, anedótico!
Já lá dizia a minha tia com a sua sabedoria: «os espantalhos devem ser colocados bem alto, para amedrontar os pardais!»...
Ai rouxinol, rouxinol, a falar assim nunca terás um lugar ao sol!...

Os líderes e... as melancias!...


O Dr Orlando Taipa, insigne social-democrata vilacondense, costumava dizer: «um líder só se vê quando se expõe, quando se abre, é como uma melancia!...»
De facto, ao ver o comportamento actual de Filipe Menezes, não posso deixar de recordar tal comentário. Será que pretende o blackout? Será que, é com este comportamento censório e ostensivamente salazaróide, que pretende dar uma imagem de um futuro primeiro-ministro liberal, democrata e dialogante?
É óbvio que ao ouvir os recentes comentários de Rui Rio e de António Capucho, não posso deixar de recordar Orlando Taipa e a sua judiciosa análise. Dizer que a partir de agora não haverá liberdade para comentários públicos, não haverá liberdade para o criticar, sabendo-se o seu comportamento anterior, nomeadamente contra Marques Mendes, é algo de preocupante para todos os portugueses. Ele não tem sentido de Estado nem tem dimensão de líder democrático.
É de facto um problema para todos os sociais-democratas. Qual a solução?
É óbvio que acabar com o problema.
Em democracia os partidos são imprescindíveis. O seu estado de saúde reflecte o estado de saúde da própria democracia. É uma preocupação para todos o saber-se que o PSD está na iminência de um blackout total. É o regresso da noite salazarenta?!
O país olha para nomes como Marques Mendes, António Capucho, Rui Rio, Aguiar Branco, Pacheco Pereira e outros, interrogando-se como foi possível caír em mãos tão precárias, como foi possível desagregar-se de forma tão repentina, dando uma imagem de autismo, de cegueira, de falta de democracia?
Que fazer?!
Ainda haverá gente da estirpe de Orlando Taipa no PSD?!

quarta-feira, março 12, 2008

A regra & a excepção. Os interesses...


Em tempos não muito longínquos a comunicação social noticou o caso de uma equipa de médicos do hospital Pedro Hispano que deliberou abdicar do seu carro de serviço para poder adquirir material cirúrgico (?) necessário para melhor satisfação dos utentes. Uma honrosa excepção que vai contra a regra geral. E o que é esta regra?
É o pendurar-se nos cargos e nas mordomias inerentes a todo o custo. Sem olhar a meios, sem contenção nos luxos, mesmo sabendo-se o clima de austeridade que se vive no país. É um fartar vilanagem, e não podemos apontar o dedo a um só partido: são todos. É uma «mamadeira» generalizada. Câmaras, Banco de Portugal, governo, hospitais e outras instituições similares...
Não há exemplos, não há contenção nos gastos, não há respeito pelo sacrifício colectivo. Era bom haver um pouco mais de parcimónia, de travão no despesismo galopante. É a equidade que está em causa. É a seriedade e bom nome das instituições.
Trabalhadores sem salários (ou com eles em atraso) e patrões ostentando elevados níveis de vida, piscinas, farta criadagem, sem respeito pelos que sofrem.
O governo deveria ser mais exigente e dar exemplos nesta matéria. Em vez de contratar uma agência de propaganda (eufemisticamente dá-se outro nome...) era melhor propagandear com exemplos vivos. Em vez de discursatas sem fim nos media, era melhor apresentar dados concretos sobre reduções de valor na frota automóvel, nos gastos com telemóveis, com assessorias inúteis e de contornos clientelares...
O caso do hospital Pedro Hispano foi uma ilhota isolada no oceano de despesismo sumptuário que mais parece um tsunami...

O País se curva à sua memória.


Terminou maratona cultural
E no pódio ficou, manter-se-á;
Cortou a meta, meta terminal,
Perdeu a vida, sempre viverá.
Joel Serrão deixou várias lições:
Saber, sentir, amar e resistir
Ao arbítrio canalha, aos grilhões
De um poder que teimava em oprimir.
Na memória futura brilhará
Com rasto luminoso, fulgurante,
Cidadão do civismo militante.
Professor renomado, vigilante,
Como hoje em dia poucos haverá
No sacrário do tempo ficará.
Nota: Era um historiador multifacetado. Cidadão acima da mediania, com estrutura mental e cívica, com maturidade e paixão por Portugal e pelos portugueses, é daqueles que se vão da lei da morte libertando, como diria o épico.
Hoje em dia, quando vemos tantos «tigres de papel» a enfastiarem com banalidades o imaginário colectivo de todos nós, mas sem nada de construtivo, de perene, ergo a minha voz contra o silêncio reinante. A mediocridade assentou arraiais neste lusitano rincão. Daí o seu silêncio.

terça-feira, março 11, 2008

Camões, 500 anos depois, está na moda...

Camões, o grande bardo, continua actual apesar do distanciamento temporal. Os maus estão aí, cada vez mais ricos, mais prepotentes, mais protegidos pela dona fortuna...






Camões tinha razão. Tanta injustiça temos,
Os maus, à tripa forra vão gozando a vida,
Protegidos da sorte, Deus lhes dá guarida.
Os bons? Ostracizados, perseguidos, vemos.


Não há lei que proteja os bons, os justos, não!
Só protege os vilões, os salafrários, vis;
Sina de Portugal, mal desta grei, que quis
Dar ao mundo lições, sem ter moral, razão...


Ser justo é, à partida, ter destino feio,
Condenado a sofrer perseguições;
Tinha razão o bardo, tinha mil razões,
Era assim no seu tempo, como é hoje, creio.




«Os bons vi sempre passar
No mundo graves tormentos;
E, para mais me espantar,
Os maus vi sempre nadar
Em mar de contentamentos.
Cuidando alcançar assim
O bem tão mal ordenado,
Fui mau, fui castigado,
Assim que, só para mim,
Anda o mundo concertado.»




Camões, se hoje estivesse por cá, ao ver as mordomias de alguns nababos, ao assistir a autênticos esbulhos ao erário público, a coberto de uma lei iníqua, permissiva, e ela própria indutora de corrupção, que diria? Que comentários faria àqueles que constantemente apoiam esta cleptocracia «legalizada» e também vampirizam o sistema? que diria do lambebotismo reinante? que nomes chamaria aos «padrinhos» e aos «afilhados»?

Enfim, iria parar a tribunal e escrever uns sonetos para a prisão. Quinhentos anos depois a trampa é pior. As moscas não mudaram nada. A choldra continua. Quem disser a verdade, nua e crua, é «invejoso», «maledicente», quiçá «esquizofrénico», talvez «inadaptado», quem sabe se «anti-social», «marginal» ou coisa similar?!...

Será que a Resignação, a Fatalidade, a Subserviência são as deusas causadoras de tudo isto?

Se são, temos que chamar o fero Marte para as pôr na ordem.


Ai Camões, Camões, este país de ladrões pune os bons e lambe botas aos cabrões!

Aquele golo... de sonho!


Um toque de calcanhar
desmarcação num instante
só foi preciso encostar
e foi golo fulgurante
a defesa era impossível
aquela simulação
golpe de rins incrível
gerou estupefacção
pregou toda a gente ao chão
presa por cola invisível
na bancada era a emoção
até aí impassível
aquela gente gritou
num orgasmo colectivo
e a vitória festejou
naquele dia festivo
enfim, coroa de glória
culminar de uma carreira
suprema e feliz vitória
a vitória derradeira...
então, forte dor senti
tudo estava terminado
da cama... então eu caí!
o... sonho tinha acabado!!!

segunda-feira, março 10, 2008

Vila do Conde, oásis-princesa!


Manuela Azevedo: o futuro sempre presente. «A Voz» de Portugal através da sua simpatia, da sua classe, do seu talento...





José Régio: o passado sempre recordado...


Vila do Conde encantada
Oásis à beira-mar
Princesa tão bem-amada
Rincão multi-secular!
O sol a beija de dia,
Oh! paixão incandescente
E a lua, tão luzidia,
À noite o faz igualmente...
O tempo passa por ela
Renovando o seu perfil
Deixa-a cada vez mais bela
Princesa de encantos mil!
Passa o tempo a fazer renda
De bilros, é tradição,
Vila do Conde é uma prenda
Que nos enche o coração.
No São João tem mais graça
O santo até coça a fronte
Quer bater palmas à Praça
Mas... sabe-se que é fã... do Monte!
A terra tem mais encanto
No verão, co'os emigrantes
É vê-los por todo o canto
Bem dispostos, bem falantes!
A monumentalidade
Dá-lhe ar bíblico, profético;
ADN da cidade
Seu património genético!
Tem fascínio, sortilégio,
Esta terra faz inveja...
Sempre que recorda o Régio
A saudade lacrimeja...
Esta terra imorredoira
Tem carisma, tem cultura
Bom futuro se lhe agoira
Mantendo a digna postura...

domingo, março 09, 2008

Ter carácter!

É preciso dizer a verdade mesmo que isso doa a alguns. Em democracia não há vacas sagradas...




A recente manifestação feita por alguns desordeiros à entrada de uma reunião do PS em Chaves vem chamar a atenção para práticas que já se pensavam erradicadas.
Foram os cercos ao Palácio de Cristal (comício do CDS), os assaltos a partidos conotados com a direita e outras tropelias do género que estiveram na génese do 11 de Março de 1975. Spínola e seus apaniguados tentaram derrubar o regime. Era um golpe que se antevia sangrento e possível gerador de uma guerra civil. Ainda bem que foi jugulado.

Não obstante, as sementes de violência e de truculência sectária estavam lançadas. O «assalto» à Rádio Renascença e ao jornal República foram marcas indeléveis, que jamais podem ser olvidadas por quem viveu com paixão o processo democrático.
Álvaro Cunhal em entrevista concedida a Oriana Fallaci declarou que queria implantar uma ditadura do proletariado. Era a tomada do poder pela violência, pela força das armas. Apesar de ter negado (mas a gravação provava que mentia...) as pessoas aperceberam-se da sua actuação dúplice: dizendo que respeitava o processo de democracia representativa mas, na prática, destruindo tudo e todos os que se opusessem ao seu hegemonismo de feição totalitária!

Agora vêm alguns invocar o passado anti-fascista de Cunhal. Esse passado é respeitável, sim senhor, mas não pode servir de branqueador para certos excessos por ele cometidos.

É pena que Luiz Filipe Menezes não tenha verberado as atitudes dos energúmenos que tentaram impedir a reunião socialista. Será que incentivou tais manifestações? Não me admiraria nada...

Augusto Santos Silva, honra lhe seja feita, deu provas de carácter e de honra ao criticar aqueles que tentaram destruír a democracia na sua génese. Não meteu a cabeça na areia e fez um paralelismo oportuno. Menezes não foi solidário como deveria sê-lo. Era o mínimo que se lhe exigiria.

Mais uma vez o seu populismo se sobrepôs ao seu sentido de Estado. Começa a cavar a sua própria sepultura... queixa-se de alguns «abutres», mas o que foi ele para Marques Mendes?
Um super-abutre!!!

Em redor das FARC...


Hugo Chavez acusado de financiar as FARC, será verdade?
Será que o TPI se irá debruçar sobre esta hipótese?
O triângulo Venezuela, Equador e Colômbia vive sob o espectro de uma guerra iminente. A paz aparentemente foi conseguida graças a um aperto de mão entre os presidentes do Equador e da Colômbia, contudo, a problemática geoestratégica nesse específico contexto está em permanente alerta e gerará focos de belicismo embora de forma intermitente.
O narcotráfico e os raptos são as actividades deste grupo que se diz libertador mas que não passa de uma organização terrorista pura e dura. O mundo interroga-se como é possível sobreviver. A resposta é óbvia: tem a cumplicidade tácita dos governos do Equador e da Venezuela.
Chavez embandeirando agora a espada do já caduco internacionalismo proletário de feição cubana quer afirmar-se como um líder multinacional, uma espécie de napoleão sul-americano, um herdeiro de Castro na luta contra o imperialismo ianque. Mas tem sido tão boçal, tão ingénuo, que tem deitado tudo a perder com os seus excessos, as suas boutades impregnadas de ódio visceral a tudo o que é americano e até espanhol (veja-se as ameaças às empresas espanholas por causa do puxão de orelhas dado pelo rei Juan Carlos...), querendo perpetuar-se no poder mas não sabendo usar o dinheiro do petróleo como deveria ser feito por um líder defensor do povo e não um populista enfadonho como o é de facto.
Não irá longe, não deixará de caír com estrondo do palanque do poder. Esta ponta do véu, relacionando-o ao financiamento do terrorismo , poderá, a médio prazo, levá-lo a um destino similar ao de Saddam. O tempo, esse juiz implacável, mais tarde ou mais cedo irá fazer o seu papel... e ditar a sentença.

sábado, março 08, 2008

Dia Internacional da Mulher




Ingrid Bettencourt e Benahzir Butho
duas mártires que todos veneramos neste dia
em que a mulher é ainda mais respeitada...
Mulher-mãe, mulher-mar,
lágrima furtiva, sal-saudade,
mulher-floresta, pura e virginal
natureza encantada, exemplar
mulher-paixão, feminilidade,
oásis de ternura sensual
rio caudaloso, torrente milenar
mulher-sabedoria, mulher simplicidade
perfume eterno, intemporal,
a ti me vou curvar
pestar homenagem, solidariedade,
tu és o verbo: verbo amar!

Azeiteirocracia, império da estupidez crassa!

Este é o bem conhecido «Azeiteiro», sempre de fato aprumado... mesmo nas horas de lazer...








Ai se a estupidez pagasse
imposto nesta terrinha
é crível que terminasse
o défice, essa coisinha
que nos faz tanto penar
alguns, apertar o cinto
p'ra que possam esbanjar
alguns «canídeos», não minto,
mastins de dente afiado
p'ra abocanhar uns tachinhos,
mastins de fato aprumado,
mas, de facto, pobrezinhos
a defender a verdade,
de facto, pobres de ideias,
ricos, na venalidade,
nos tentáculos, nas teias
de servil cumplicidade
na arrogância pesporrente
no grau de promiscuidade
tão óbvia, tão evidente,
que provoca hilariedade
em quem tem no pundonor
um ideal a cumprir
tendo por meta o rigor
desiderato a seguir
respeitanho a higiene
padrão de comportamento,
um compromisso solene,
um público juramento
de respeito popular
nesta mui nobre república
onde há que salvaguardar
esse bem: saúde pública!

Estranhas sinas...




A natureza capricha em certas similitudes...
Sina da varzim lazer
de palha ter alguns rabos
e também verbos de encher
oliveiras que são nabos
nabos que são intragáveis
em caldo bacteriano
legionellas infectáveis
num perfil hitleriano
mediocratas sem perfil
no jacuzzi do poder
tontices, pulhices mil
que nem dá p'ra descrever
cretina argumentação
que esta gentalha fenece:
é sempre da oposição
a culpa do que acontece
promiscuidade a reinar
neste império de madraços
favosas mentes, sem ar,
só... topete de palhaços!

sexta-feira, março 07, 2008

A FUNÇÃO PRESIDENCIAL


O presidente da República tem um papel de supervisão que importa enaltecer, mas pode pecar por acção ou omissão. Pode fazê-lo quando não age perante situações de flagrante violação e de sistemática obstrução ao regular funcionamento das instituições.

Poder-se-á dizer que ele não pode intervir na área governativa, daí o seu silêncio. Ele deve respeitar o princípio da separação dos poderes, de facto.

Contudo, há factos por demais evidentes que necessitam de uma intervenção pedagógica, de uma magistratura de influência, de uma supervisão em sentido lato do termo.

Ele não pode vir para a praça pública criticar abertamente o governo, mas pode (e deve) fazê-lo em privado. Qualquer observador minimamente atento já se apercebeu de algo que mais tarde ou mais cedo poderá degenerar em conflito aberto, uma vez que ainda se encontra em fase larvar, embrionária.

Há uma criminalidade violenta muito óbvia neste momento na sociedade portuguesa. Há medidas que tardam e/ou pecam por defeito. O país está à espera de acções de fundo e não paliativos sem qualquer eficácia.

Como pano de fundo há um surdo conflito entre a PJ e a Procuradoria Geral da República que assume aspectos preocupantes, uma falta de articulação, uma conflitualidade latente embora não plenamente assumida. Não me engano muito se disser que mais tarde ou mais cedo essa situação irá degenerar em conflito aberto. Era bom uma actuação preventiva e profiláctica da parte do senhor presidente da República, ainda que em tom cordial e privado.

Há todo um rol de situações que indiciam certa «paz podre» que não são nada adequadas para a resolução dos graves problemas que afectam o país neste delicado domínio.

Espanha: a aposta certa!

Nisto Luis Filipe Menezes tem razão: há que incrementar as nossas relações com a vizinha Espanha pois ela é um parceiro estratégico por excelência e poderá ser no futuro uma alavanca económica de valor incalculável. Absorvendo já um caudal de investimentos e um exército de trabalhadores portugueses muito substanciais, a Espanha posiciona-se como o nosso parceiro estratégico de médio prazo.

Há que ter em conta esta realidade. Se a «Ibéria» com que sonha Saramago em termos políticos não é uma certeza, é-o a «Ibéria» do intercâmbio comercial, cultural e social. Há que aceitar esta realidade e atentar nas sinergias que ela pontencia e garante se os esforços de aproximação forem levados avante.

Ganhe Rajoy ou Zapatero há que apostar na Espanha com convicção. É a locomotiva que nos poderá arrastar, é a alavanca que nos poderá fazer ascender a um patamar mais elevado. Que os bons ventos tragam bons casamentos para o tecido socioeconómico, para o intercâmbio multidisciplinar que se vislumbra.

Menezes (convém recordar que é o líder de um movimento que congrega interesses no âmbito do Noroeste Peninsular) sabe disso e já afirmou publicamente que temos essa prioridade. Ele sabe que a política de costas voltadas não é boa conselheira.

Oxalá Sócrates, independentemente do vencedor do próximo acto eleitoral, possa caminhar no sentido de uma cada vez maior aproximação, de um remar conjunto, num cenário de agressividade no contexto europeu. Juntos seremos mais reivindicativos, mais audíveis no universo europeu.

quinta-feira, março 06, 2008

Avaliação de professores! Urgente!

Fui presidente de uma Associação de Pais e pude constatar que a par de excelentes profissionais da educação, também medram, paredes-meias, algumas excelências da mediocridade.
Há que separar o trigo do joio. Há que premiar quem trabalha, quem tem disponibilidade, quem de facto se preocupa com os alunos, dos outros, os madraços, os incompetentes, os que vivem à somra da bananeira chamada «sistema».

Esses, os que vegetam e parasitam o «sistema» é que têm medo de serem avaliados! Mas a avaliação é irreversível, não há «manifs» que a travem, doa a quem doer. Os pais, os alunos e os professores competentes e sérios exigem que se expurguem do «sistema» os apêndices medíocres, os tentáculos putrefactos do polvo da mediocridade.

É vê-los aí pela blogosfera dando erros de todo o tamanho, usando linguagem de carroceiro, fazendo apelo aos instintos mais primários, exibindo um despudor, um desbragamento de linguagem digno de um chulo da Ribeira (sem ofensa para estes profissionais... e para a terra onde proliferam como cogumelos em manhã submersa)... que de pouca-vergonha, que de histerismo, que de farsantes, que de histriões!

Quantas vezes confundem o à com o (dizendo : á professores, á tempos... )? E o erro é sistemático, não se trata de natural distracção! Já vi um, muito narciso, muito autoelogiante, dizer pretenção (é pretensão), escrever ascenção (é ascensão), confundir lapidação (que é referente aos diamantes ou à agressão à pedrada como referia a Bíblia às mulherres adúlteras...) com delapidação (sinónimo de esbanjamento, prodigalidade excessiva...), já vi usarem o termo fobia (medo) com o significado de paixão!...

Há de facto muita mediocridade no professorado. Eles, os mais honestos e conscientes, sabem-no, mas por questão de solidariedade corporativa procuram minimizar tal situação. Há casos que atingem as raias do patológico. É preciso fazer uma «monda» com urgência, são os nossos filhos, é a sociedade que o exige. É esta sociedade que se quer cada vez mais justa e mais equitativa que o impõe como imperativo moral, como paradigma social.

Quem teme a avaliação?

Os medíocres entrincheirados nalgum partido político mais protector, nalgum sindicato sempre ao lado de quem não tem habilitações mas procura singrar à custa da «chicoespertice»!

Basta de proteger este status quo aviltante !, basta de meter a cabeça na areia, basta de proteccionismos descabidos!

Avante, senhora ministra! Avante, senhores professores íntegros e competentes! Avante, camaradas, companheiros e companheiras de caminhada!

Como diria aquele anarca sempre bem disposto: «Viva a justa luta do... bicho da fruta

É preciso retirar as maçãs podres do meio das boas!

terça-feira, março 04, 2008

Sentido de Estado: o dilema de Menezes!


O presidente da República, como bom economista que é, sabe que não são greves ou manifs que vão resolver a reforma do Estado. É antes o compromisso, o empenho e a assumpção de elevado sentido de Estado pelos principais líderes partidários que hão-le levar o barco a bom porto.
O PR prometeu ordem e progresso, prometeu ser factor de coesão, ser uma fonte de progresso e não foco de contestação. Disse que eram precisas reformas para acabar com o défice patológico, era preciso «emagrecer» o Estado. Era preciso torná-lo mais eficaz, mais operativo, mais leve e menos despesista, menos burocrático, menos sorvedouro de dinheiros públicos.
Para atingir esse desiderato eram precisos compromissos tendentes a uma reforma estrutural e não apenas conjuntural, não paliativos toscos, não mezinhas caseiras, mas sim um tratamento de choque, uma terapia que fosse ao cerne do problema.
Isso, iria trazer algum desconforto, alguma contestação, alguma resistência à mudança. As causas do despesismo são «populistas», são muitas vezes focos de clientelismos e de mordomias.
Agora vemos o governo a tentar implementar essas mudanças que se impõem. Ouvimos Menezes a clamar por reformas a dizer que estaria disponível para «pactos». Contudo, ele também disse que iria estar contra o governo «de manhã», ao «meio-dia» e «à noite» (sic).
Qual se imporá agora: a vertente estadista ou a populista?
Será que lhe importa o reformismo do Estado em ordem a criar uma sociedade mais modernizada e com graus de prosperidade ao nível do norte da Europa ou, pelo contrário, lhe interessa o tremendismo, o populismo, o chantagismo de rua, que poderá trazer votos capitalizando o natural descontentamento que as reformas necessariamente acarretam?
Ter ou não duas duas sensibilidades, duas caras, eis a questão!
Ou vai em frente com o espírito reformista e poderá reivindicar os êxitos económicos em paralelo com o governo, na próxima campanha, ou então aliar-se-á ao coro da oposição, mandando as reformas para as calendas e capitalizando os naturais desconfortos que um reforma autêntica sempre gera?
O PSD não pode ser como o tolo no meio da ponte. Ou, assumindo compromissos os leva até ao fim, ou então cai no desprestígio do lamaçal populista.
A reforma dos tribunais, com os custos («deslocalizações») inerentes, a reforma do ensino, com avaliações imprescindíveis, com ocupação lúdica e saudável dos tempos mortos com aulas de substituição, a reforma da saúde com custos e desconfortos para certos segmentos das populações, são matérias delicadas que exigem muita ponderação e entreajuda. O governo se quer apoio deverá dialogar em pé de igualdade e não «ex cathedra»...
Surge agora uma excelente oportunidade para o PR mostrar quão útil poderá ser neste cenário, nesta encruzilhada de interesses: chamar a si o papel de mediador, de charneira lúcida e clarividente chamando à respondsabilidade os dois prinicipais protagonistas, em ordem a se obter uma reforma digna, justa, minimizando os efeitos negativos e optimizando os positivos.
Não é fácil, mas é urgente pensar nisso. A bem do interesse nacional, do regular funcionamento das instituições, a bem da agilização económica. Não é com «manifs» por mais gigantescas que sejam que se vai melhorar o país. Não é com grevites agudas que se vai a lado algum.
O populismo poderá também ser castigado no julgamento eleitoral, se houver uma pedagogia e uma intervenção lúcida e clarividente do próprio PR neste domínio. Ele, como árbitro, poderá penalizar os infractores. Saber quem são, não parece difícil.
Isto de rasgar pactos com a mesma facilidade com que se muda de camisa já foi chão que deu uvas! o povo amadureceu e está atento. Os populistas de pacotilha não poderão eternamente manipular a opinião pública. Tudo tem limites.

segunda-feira, março 03, 2008

A Manifocracia!


Não sou professor, nada tenho a ver com o PS, acho que no ministério da educação há aspectos criticáveis e dignos de ponderação, mas daí até fazerem-se manifestações gigantescas por coisas de lana caprina vai uma distância muito grande.



Acho que a democracia pode ser desvirtuada por vários factores. A comunicação social, quando manipulada, pode ser uma força obstrutora, um pedregulho na engrenagem.

As manifs valem o que valem. Algumas justificar-se-ão, outras, não passam de formas de pressão sobre entidades públicas podendo estar inquinadas, à partida, pela ambição de poder, sendo armas de arremesso cuja legitimidade é susceptível de ser questionada.



Era uma noite de inverno e eu frequentava um curso nocturno de computadores, em Lisboa. As aulas começavam às nove da noite. Corria o ano de 1975, o tal do verão quente. Numa perpendicular à Av da República eu vi surgir ao longe uma grandiosa manifestação. Não recordo qual a motivação, qual o superior objectivo que a norteava. Eu e mais três ou quatro íamos comentando o desenrolar daquela gigantesca serpente humana. Talvez tivéssemos emitido algum sorriso ou alguma piada, não me recordo. O que sei é que, já próxima de nós, aquela mole imensa de mais de dez mil pessoas começou a aproximar-se cada vez mais. Como nós nos mantivéssemos no passeio (a aula começaria dali a pouco) começámos a ouvir uma palavra de ordem altamente intimidatória e (aparentemente) dirigida a nós. «É feio ficar no passeio!!!»
«É feio ficar no paseio!!! É feio ficar no passeio!!!»

Alguns dos meus colegas que tinham aula a seguir, intimidados pelo ambiente, começaram a engrossar aquele caudal humano, eu, pelo contrário, e nada tendo contra as motivações da manifestação, mas zelando pela minha integridade psíquica e pelo meu aprumo moral (muito embora arriscando a integridade física...) fiquei sozinho no passeio...

Surpresa das surpresas: um grupo, onde se destacava um indivíduo com tatuagens e ostentando um físico impressionante, veio direito a mim com ar inquisitivo indagando: «vocè está contra a manifestação, porquê?»

Fiquei perplexo! como era possível tal atitude, tal assomo de pouca-vergonha! a princípio pensei em explicar que tinha aulas dali a pouco e dizer a verdade. Mas não. Fiquei revoltado. Eu que era militar, que durante o dia defendia a liberdade e a democracia, estar ali confrontado com um bando, uma troupe de histriões, e ter que justificar os meus actos!!! Que canalhice!!! Virei-me para o tal líder do grupo e exclamei apenas: «estou a usufruír daquilo que ajudei a criar, sou militar e estou a observar a liberdade!»

Quando disse que era militar, ele reparou no meu cabelo curto, no meu ar jovem e interpelou: «se é militar é pela democracia e pela liberdade, não é?!»

Respondi secamente: «sou,. sou; mas quero ter a liberdade de escolher a manif antes de entrar nela!"

Entretanto, chegou perto de nós um militar que me conhecia e exclamou: «este é um poeta, deixa estar que deve estar a contemplar a lua!»

Todos sorrimos e a coisa ficou por ali. Mas jamais esqueci a ofensa, a atitude estalinista do «segurança» da manif, dos métodos totalitários que tentavam intimidar tudo e todos para ir na «enxurrada», na carneirada manifestante. Tinha estado nas comemorações do primeiro primeiro de Maio, num Estádio onde nem Mário Soares foi autorizado a subir ao palco pois era vaiado e considerado «fascista», não tendo conseguido discursar sequer.
Depois estive na manifestação da Fonte Luminosa onde se criticou a actuação hegemónica de Álvaro Cunhal tentando pôr em prática a ditadura do proletariado. Dera uma entrevista à jornalista Orianna Falaci (italiana) onde admitia estar a levar avante um projecto vanguardista de ditadura do proletariado, tendo negado mais tarde o teor da entrevista. Enfim, um autêntico manicómio esta «revolução» das manifs, esta ostentação de força à custa de papalvos metidos em camionetas em todo o Alentejo para inundar a capital e fazer valer a sua força. Ditadura do proletariado no seu expoente mais folclórico e excursionista...

Assim, não creio nas manifs e no seu substrato ideológico. É um direito, uma arma legítima, a exibição pública de alguma «indignação», mas, em certas circunstâncias, é um excesso de legítima defesa, uma arbitrariedade folclórica. É, na minha modesta opinião, este o caso face à ministra da educação.

«É feio ficar no passeio!» Mas eu fico. Sou livre, sou democrata, não sou um carneiro timorato...

domingo, março 02, 2008

Isenção, precisa-se!




Na minha opinião Cavaco Silva, o Supremo Magistrado da Nação, tem sido um símbolo de isenção e de aprumo.
Por outro lado, Alberto João Jardim tem primado pelo sectarismo, por ser cultor de um espírito corporativista elevado ao máximo expoente. Chegando ao extremo de pedir aos seus correligionários para serem uma «máfia», no sentido «bom» (sic) do termo!
O país precisa cada vez mais de árbitros íntegros e verticais. Pessoas isentas e lúcidas capazes de verem acima de um partido, de um clube de futebol, de uma seita qualquer.
No meu post anterior pus uma mulher com trela. Mas vemos amiúde homens com «trela»: no jornalismo, na polícia judiciária, na magistratura, nos campos de futebol, no professorado, nas paróquias...
É ver aquele jornalista que dirige uma TV no norte e passa a vida a perorar (no JN) contra os que criticam uma figura a que ele presta culto com a subserviência hierática de uma bacante inebriada pelos seus encantos, é ver aquele prelado que passa a vida a incensar os empresários corruptos e autarcas envoltos em mantos fumarentos de prevaricação flagrante, é ver aquele escritor que vai até ao equador da idolatria para colocar em pedestal doirado uma figura de proa a quem venera como se fora o bezerro de oiro mais luzidio...
Não falemos em árbitros que apreciam o «café com leite», qual doping anímico capaz de vergar consciências e fazer ajoelhar honorabilidades precárias, não falemos nos magistrados «capturados» por um poder local tentacular que se procura impor pelas mordomias que gera e pelas benesses que é capaz de engendrar com malabarismos de burocracia sedutora. Não, essas são velhacarias que abundam neste jardim à beira-mar implantado, carregado de «jardins» em tudo quanto é sítio...
Falemos na honra e no prestígio que é preciso exercitar para dar outra imagem a este país onde a opacidade ganhou carta de alforria, onde a falta de transparência é a mãe de todas as vigarices, onde o abuso de poder é o pai de muitos enriquecimentos ilícitos. Há magistrados que arquivam processos fazendo «vista grossa» a amigalhaços, há presidentes de câmara que aumentam as cérceas, agigantam volumetrias de forma subtil, a troco de umas prebendas por trás da cortina!
Há que rasgar essa cortina de opacidade e fazer surgir a luminosidade do sol da verdade e da transparência, há que zurzir nos autarcas videirinhos que prestam culto aos promotores imobiliários, que sucumbem aos encantos de um apartamento em local aprazível, de umas férias no Rio, ou de umas contas bancárias em Miami ou na Suíça.
Toda a gente se apercebe deste tráfico de influências descarado, mas tem medo de o admitir sequer. Os beneficiários dizem-se vítimas de suspeições malignas, de invejas mesquinhas, de raivas de ressabiados, de ódios de estimação. Mas sabemos que não é assim, sabemos que os fumos de corrupção indiciam labaredas de enriquecimentos ilegais. Por vezes usam «máscaras» para camuflar essas mordomias: é o sobrinho na Suíça, é o filho deficiente, é a neta , é o sogro, é todo um cortejo de cumplicidades que todos o sabemos, servem de poeira para lançar aos olhos, de tinta de polvo hábil na arte da fuga e da sonegação.
Quem é responsável por este estado de coisas? Não, não são só esses lacaios engravatados que engraxam e endeusam os que os trazem «atrelados», somos todos nós, os que, por medo, omissão, preguiça, pactuamos com este estado de coisas. Temos que ser árbitros atentos. Temos que «apitar» quando detectarmos essas penalidades que estão na base do empobrecimento colectivo e do enriquecimento abrupto de meia-dúzia.
Aqueles que dizem: «é deixá-los, desde que ao menos caia algum para mim!...» fazem-me lembrar os canídeos que rastejam na mesa do senhor à espera de algumas migalhas... e há tantos por aí!
Que haja árbitros isentos, íntegros, autênticos, e não prostitutas baratas ao serviço de um qualquer capone de trazer por casa. Que haja dignidade, lisura de processos, aprumo e rigor em todos os cargos que exigem especial cuidado: juízes, avaliadores judiciais, padres, bispos, escritores, jornalistas, professores, autarcas, enfim, pessoas que têm a responsabilidade de dirimir conflitos e arbitrarem situações de diversa índole.
O país precisa de árbitros isentos, honestos, íntegros. O que mais há é «advogados» sequiosos de poder, ávidos de protagonismos fáceis para saciarem gulas desmedidas...