quinta-feira, novembro 29, 2007

O Turismo, esse potencial oculto à espera de alguém...


Portugal de hoje é diferente do de há trinta anos. A agricultura e a pesca (sector primário) vão dando lugar aos serviços e à indústria. O comércio precisa de molas propulsoras, de motores de arranque, de alavancas.
O primeiro-ministro prometeu em campanha eleitoral dinamizar o mercado de trabalho, insuflar ventos de modernidade no tecido económico empresarial, colocar Portugal nos primeiros lugares do ranking europeu. Há aspectos positivos na actual governação que importa enaltecer. Mas existem fortes constrangimentos ao desenvolvimento que importa denunciar.
Neste momento, se não fosse o "êxodo" macisso de trabalhadorres para a estranja (sobretudo Espanha) o desemprego seria maior. Mas importa acautelar o futuro e potenciar novas oportunidades.
Vem este intróito a propósito do turismo. Pode ser a nossa galinha dos ovos de ouro. Temos sol e mar em profusão; um clima ameno e pouco agreste na maior parte do ano. Por que não aproveitar esse potencial e incrementar ainda mais o turismo? Somos da Europa o país mais tranquilo, menos exposto a grande criminalidade. Temos paisagens fabulosas: Açores, Madeira, Minho, litoral cheio de belas praias, uma serra da Estrela lindíssima, por quê adiar ainda mais a aposta forte neste sector?
Portugal poderia ser a casa de férias da Europa se houvesse uma criteriosa aposta neste domínio. Há mercados riquíssimos (sobretudo a norte e centro europeu) onde faz falta marcar presença e conquistar para que possamos ter ainda mais atractividade.
O golfe é, de longe, um dos pólos ainda não explorados devidamente. Vocacionado para todas as idades mas tendo em conta a sua idiossincrasia própria, mais virado para um turismo de qualidade e para um mercado-alvo bem típico e com poder aquisitivo acima da média, é uma aposta que se impõe.
Quando a Europa nos impõe quotas na agricultura, na pesca, eu sei lá... era bom aproveitar certos campos para actividades de outra índole. Certos fundamentalismos terão de ser mais flexíveis face às carências de emprego e de animação comercial em certos meios. Há que erradicar conceitos ultrapassados e começar a trilhar caminhos mais consentâneos com o novo mundo que se vislumbra no horizonte deste milénio. O ócio e o lazer são cada vez mais um nicho de mercado a potenciar; o turismo de terceira idade e de juventude, outros vectores em expansão e a concitarem uma atenção mais firme e mais arrojada.
Há que apostar forte no turismo e seus derivados pois poderão ser as tais alavancas para colocar Portugal no topo. A construção civil e segmentos a jusante e a montante estão à espera de uma governação mais dinâmica, mais visionária, mais amiga do futuro.
Será que a Europa quer impôr aos nossos governantes "quotas" na coragem, na imaginação, no espírito de iniciativa, na ânsia desenvolvimentista, no rasgar de horizontes?!

quarta-feira, novembro 28, 2007

PORTUGAL, QUE FUTURO?

A interrogação é cada vez mais pertinente. O país, assolado por uma crise imensa e multisectorial de contornos cada vez mais sombrios, pergunta a si próprio se terá valido a pena a integração no espaço europeu.
De facto o caso não é para menos. O desemprego disparando, a economia estagnada (embora leves sintomas de recuperação se vislumbrem), a esperança cada vez mais adiada.
A pretendida adesão da Turquia não será mais uma machadada no periclitante equilíbrio existente?

O problema é global. A terapêutica terá que ser tomada à escala global. O preço do petróleo, as taxas de juros elevadas, o clima de beligerância permanente na região do médio Oriente e limítrofes não é propício ao progresso sustentado. Nuvens cada vez mais negras no horizonte.

Será que outro governo, com outra dinâmica poderia fazer melhor?

Tem-se visto uma concentração abrupta de serviços com intuitos economicistas e sequelas negativas ao nível da qualidade desses mesmos serviços. Viu-se no governo de Santana Lopes uma ridícula tentativa de desconcentração e descentralização (mais ao nível folclórico, como aqueles conselhos de ministros no barco- Escola Sagres ou sectretarias de estado polvilhadas por diversos recantos...), contudo nem tanto ao mar nem tanto à terra...

Há que adoptar uma postura mais sensata e virada para o pragmatismo sim, mas sem exageros patológicos...

O país anda a precisar de uma viragem no estilo da governação. Remodelar talvez não seja uma panaceia mas poderá trazer alguma nova luz. Há muita sombra nesta governação...

Esta Europa precisa de um volte-face. Há que mudar o rumo enquanto é tempo...

terça-feira, novembro 27, 2007

Défice é quem mais ordena!... Porra!

Défice é quem mais ordena
Do progresso é um travão
Temos toda a Europa à perna
Mais parece uma obsessão.

Economicismo é rei,
Rei bem feroz, rei bem duro;
Apertar o cinto é lei
Até ao último furo.

Concentrações são opções
Macrocefalia atroz...
Muro de lamentações
Este país, todos nós.


O Zé o défice paga
Nem sequer pode bufar...
Alguém rogou uma praga
E a gente tem que gramar...

Há que dar volta por cima
Na crise dar pontapé
Portugal então se anima
E começa a ganhar pé.

Concentrar os hospitais,
Maternidades, prisões,
Escolas e tribunais,
Pra se poupar uns tostões.

O governo concentrado
Neste galope de acções
Pode ser sodomizado
Por corruptos garanhões!...

domingo, novembro 25, 2007

«O desenho redondo do teu seio...»



O desenho redondo do teu seio
Tornava-te mais cálida mais nua
Quando eu pensava nele... imaginei-o
À beira-mar, à noite, havendo lua...


Talvez a espuma, vindo, conseguisse
Ornar-te o busto de uma renda leve
E a lua, ao ver-te nua, descobrisse
Em ti, a branca irmã que nunca teve...


Pelo que no teu colo há de suspenso,
Te supunham as ondas, uma delas...
Todo o teu corpo, iluminado, tenso,
Era um convite lúcido às estrelas.


Imagino-te assim à beira-mar
Só porque o nosso quarto era tão estreito...
E, sonolento, deixo-me afogar
No desenho redondo do teu peito.



DAVID MOURÃO FERREIRA

sábado, novembro 24, 2007

SONETO A UM PESTICIDA...

Eufemismos, metáforas, é pouco,
Há que falar verdade abertamente:
Na Madeira há um défice, obviamente,
Moral e mental. Anda tudo louco.


No jardim plutocrata há daninhas
Ervas a erradicar com muita urgência.
Cheiro corruptor, odor prepotência,
Ervas tão mal-cheirosas, tão fraquinhas.


Há que usar pesticida com cuidado,
Que preserve o que é bom, fique intocado
Tudo o que dá aroma democrático.


Vai ser usado um, marca «morgado»,
Dizem que ataca o fungo cleptocrático
Deixando o ar... mais puro e aromático!...

sexta-feira, novembro 23, 2007

AQUI D'EL-REI!!! ANDA NAPOLEÃO NA COSTA!!!

A visão messiânica já tem,
Quer ficar no poder eternamente...
Herdeiro de Fidel Castro também
Se propõe ser, e di-lo abertamente.


Outro Napoleão no horizonte?!
Há que alertar o mundo, sem temor,
De conflitualidade vai ser fonte
Tem os tiques de um vero ditador.


Censura, corrupção e nepotismo
A mistura explosiva conducente
Ao mal conceituado caudilhismo
Onde o arbítrio campeia impunemente.


No discurso patético só há
Arrogância, vazio bem profundo,
Porta-se qual sultão ou marajá
Quer ser dono de tudo... lá no fundo.


Ser dono da verdade universal
Da América Latina ser a voz...
Verborreia paupérrima, boçal,
Enfim, o populismo mais atroz.

quinta-feira, novembro 22, 2007

PEDANTE POETASTRO...

Com o mestrado ainda ficou pior...



Uns termos rebuscados vai catando
No afã bem pedante de inovar,
Neologismos fúteis vai cagando
Odeia o vulgo, o zé, o popular...

Camões, Pessoa, gente ultrapassada,
Sem o seu rasgo, néscias criaturas!
Triste poesia, à rima aprisionada;
Emerge do pó, voga nas alturas...


Julga-se um génio, pensa que é guru,
Suprassumo, das letras majestade...
Talvez um pontapé forte no cu
O fizesse caír na realidade!...

Sempre a invocar currículos sem conta,
Sempre em bicos de pés, só pesporrência.
Diz que é moda. Só ele a sabe e aponta.
Julga-se rei. Talvez rei da indigência.

A ânsia de inovar é doentia.
Busca palavras como um cão pisteiro,
Exibe, depois, com rara euforia
Como se fosse... agulha do palheiro...

Quanto mais rebuscada a linguagem
E menos entendível pela gente,
Melhor. Mais refinada fica a imagem
Do pedante, luzeiro refulgente!

Anda por aí!, ar de majestade...
Carregado de livros, bem o sei,
No trono sim, talvez da hilariedade!
Dele e pra ele... sempre cagarei.

terça-feira, novembro 20, 2007

Guerra Junqueiro, a sátira intemporal...

A bênção da locomotiva...
A obra está completa. A máquina flameja,
Desenrolando o fumo em ondas pelo ar.
Mas, antes de partir, mandem chamar a Igreja,
Que é preciso que um bispo a venha baptizar.
Como ela é, concerteza o fruto de Caim,
A filha da razão, da independência humana,
Botem-lhe na fornalha uns trechos em latim
E convertam-na à fé católica romana.
Devem nela existir diabólicos pecados
Porque é filha de cobre e ferro; e estes metais
Saem da natureza, ímpios, excomungados,
Como saímos nós dos ventres maternais.
Vamos esconjurai-lhes o demo que ela encerra,
Extraí a heresia ao aço lampejante!
Ela acaba de vir das forjas de Inglaterra,
E há-de ser concerteza um pouco protestante!
Para que o monstro corra em férvido galope
Como um sonho febril, um doido turbilhão
Além do maquinista é necessário o hissope
E muita teologia... alé de algum carvão.
Atirem-lhe uma hóstia à boca fumarenta
Preguem-lhe alguns sermões, ensinem-lhe a rezar,
E levem na caldeira um jarro de água benta
Que com água do céu talvez não possa andar.
Guerra Junqueiro

segunda-feira, novembro 19, 2007

valter hugo mae - Prémio José Saramago 2007


Graças ao seu romance « o remorso de baltazar serapião» publicado em 2006 (Edições Quidnovi) este escritor venceu o prémio José Saramago.
Obra de fôlego, uma metáfora original onde se procura anatematizar certo machismo lusitano de contornos medievais, o escritor procura centrar-se numa Idade Média onde a miséria e o subdesenvolvimento são os pais de comportamentos aviltantes sobre a mulher; utiliza uma linguagem inovadora e prenhe de terminologias adequadas ao contexto temporal então vigente, zurzindo no machismo lusitano sem dó nem piedade.
Para alguns leigos poderá ser um livro pouco tragável, mas, para quem tem um mínimo de conhecimentos sobre a problemática literária, é uma obra recheada de imagens um tanto ao quanto metafóricas, quiçá hiperbólicas, mas imbuída de uma criatividade fecunda dando uma imagem poética (embora em prosa) sobre uma época onde imperava a bruxaria e o temor pelas coisas do Além. A violência sobre as mulheres adentro do universo familiar e no contexto medieval (com senhores e vassalos...) está bem retratada e as cores mórbidas sobressaem com eloquência.
Este pintor de paisagens humanas usa tintas sombrias em dosagens suficientemente fortes e ousadas para atingir um único desiderato: denunciar a prepotência sobre a mulher, ao longo de um período histórico demarcado, mas que, ainda hoje (embora em graus bem menos acentuados), tem sido um denominador comum nesta lusitana terrinha, de brandos costumes e de odiosas perseguições.
Não merecerá o agrado geral, é óbvio, mas tem aquele toque de singularidade que faz a diferença. Não houve favor na atribuição do galardão, houve, isso sim, reconhecimento pelo cunho inovador. Inovar não é tudo, mas é um caminho que poderá merecer contestação, muito embora só a coragem para o trilhar já mereça encómios.
Parabéns, e que o futuro seja uma lufada de ar puro no cinzentismo em que estamos mergulhados.

domingo, novembro 18, 2007

LIBERDADE


Cividade de Terroso (Póvoa de Varzim)
Na civilização castreja para manter a liberdade os povos optavam por locais altaneiros.
Agora, para se manter a liberdade é preciso carácter altaneiro...
Como é falso o unanimismo
Tem no medo um cobertor
Às vezes, o carneirismo
Reflecte o... medo ao pastor...
Contra o vento e a maré
Há que manter sempre o norte
Ceder ao medo não é
Solução de quem é forte.
Oh! vento da liberdade
As asas ninguém te corta
Voa sempre co'a verdade
Ser livre é o que mais importa...
Não há machado que corte
A raiz à liberdade
Ser livre é manter um norte
Não ceder à indignidade.
Há sempre alguém que resiste
Há sempre alguém que diz não!
Mesmo isolado persiste
Em manter a convicção!

sábado, novembro 17, 2007

As Divinas Camélias da Junqueira!



O viço da natureza
Às camélias dá fulgor
Jóias de rara beleza
Orgulho do Criador!
Do Japão embaixatrizes
Do amor fadas madrinhas
Ao sol sorriem, felizes,
No inverno são rainhas!
Nesta vida tão sem graça
Polvilhada de amargura
Esta beleza perpassa
E nos afoga em ternura!
Oh!, camélias da Junqueira
Do céu sois doce cantinho
Ao morrer, sede bandeira
Convosco não vou sozinho!...
NOTA: Dedicada ao senhor Paulino Curval, esse homem de rara sensibilidade, que consegue falar com estes seres vivos maravilhosos, que nos falam de coisas tão lindas, como Paz e Amor, embora nem sempre nós não tentemos compreendê-las...

sexta-feira, novembro 16, 2007

Energia eólica: opção de futuro.


Energia eólica é uma aposta certa no panoramo energético.
Tem sido apanágio desta governação a aposta nas energias renováveis. Ora, quer a energia eólica, quer a solar, são opções muito válidas e com vantagens apreciáveis no actual contexto em que o preço do petróleo sobe a fasquia até aos cem dólares/barril. A própria opção no sentido de serem criadas dez novas barragens é também de enaltecer e louvar. É o caminhar de forma decisiva num trilho futurista que tem a virtualidade de ser mais "limpo" do que o actual.
Com a problemática ambiental como pano de fundo, há que envidar esforços no sentido de dotar o país de um parque energético capaz, diminuindo a nossa dependência face ao exterior e contribuindo para atenuar os malefícios da libertação de CO2, no caso do petróleo e afins
É com pequenos passos que se vai caminhando para o grande salto para o futuro. Oxalá esta motivação continue e os resultados apareçam.

Honra Nacional em causa.



Há em Inglaterra um autêntico vendaval contra Portugal e as instituições portuguesas. Foi há tempos o jornal Daily Mirror a insultar o embaixador de Portugal no Reino Unido, acusando-o de tudo e mais alguma coisa, indo ao ponto de mandar "calar a boca porca de comedor de sardinhas"!, numa alusão incrível aos nossos tradicionais hábitos alimentares...
Agora vem um deputado europeu denegrir as nossas instituições. É verdade que nem tudo é perfeito. Há entorses ao funcionamento do sistema. Nós sabemos que o é.
Contudo esta acusação (ou melhor, série de acusações) têm todo o aspecto de terem sido "encomendadas" por alguém. Tudo tem como pano de fundo o caso McCann. Sabemos que algo de perturbante pode estar oculto e ferirá de morte a credibilidade deste simpático (?) casal...
Perante esta campanha era útil que o senhor presidente da República tivesse uma intervenção. É Portugal que está em causa. É o orgulho português que está ferido.
O seu silencio poderá ser ensurdecedor. Calar pode significar consentir!
Era bom que o advogado português que lidera a Ordem dos Advogados e tem como clientes os Mc Cann também dissesse de sua justiça. Não é um advogado qualquer. É o Responsável-mor pela Ordem dos Advogados Portugueses. O seu silêncio poderá ter conotações pejorativas. Há silêncios que fazem imenso ruído...

quarta-feira, novembro 14, 2007

Populismo: a face patológica do fenómeno.


O populismo será uma doença?! Qual a patogénese?!
Ao longo da História temos assistido a casos aberrantes em que políticos inicialmente tidos por democratas (e grangeando votos em catadupa), degeneram a passam a assumir comportamentos de um hegemonismo patológico, muito embora sempre camuflados por motivações altruístas.
É o presidente de câmara que quer dominar todas as freguesias custe o que custar. É o líder regional que visa ser presidente de República, é o presidente de República que quer dominar o espaço continental onde está inserido.
Aqui chegados analisemos o comportamento de Hugo Chavez à luz de uma clarividência e de um realismo desprovidos de conotações ideológicas. Ele assume-se como herdeiro de Fidel na luta contra o americanismo exacerbado de Bush; só por isso grangeou muita simpatia pois Bush meteu os americanos num atoleiro diabólico e a reputação dele e das suas forças armadas caíram a pique. Está com a cotação a níveis baixíssimos...
Mas agora a degenerescência deste populismo ( de Hugo Chavez) é óbvia: quer contornar obstáculos burocráticos para se eternizar no poder, estilo monarca; assume posturas de um protagonismo excessivo com intuitos provocatórios para colher dividendos mediáticos; visa um notório espírito de hegemonismo pan-americano sob a capa da autoproclamada herança castrista. É uma nova forma de messianismo com ingredientes multifacetados...
O gérmen do nazismo anda no ar. Os seus amplexos ao líder igualmente populista-fundamentalista como é o do Irão, não são bom augúrio para a humanidade. Estes dois pólos são altamente incandescentes. Aqui há um notório caldo de cultura belicista muito embora sob uma roupagem de vitimização (face aos excessos também óbvios do bushismo...) que deixam vislumbrar certa preocupação por capítulos futuros...
O mundo precisa de se cuidar. Há fenómenos que logo in ovo devem ser denunciados e combatidos com a necessária clarividência. Os hitlers (grandes ou pequenos) têm na sua génese muita aparente legitimidade que serve de capa ao seu modus operandi. Há que estar atento e seguir estas duas personagens como os astrónomos seguem os meteoros cujá órbita gravitacional poderá dar azo a colisão com o planeta. A similitude é óbvia...

Descolonização "exemplar" e... colonização "exemplar"!


Uma guerra é uma forma de cultura. É a política no seu desespero. Apela à ignorância e ao desprezo pelo pensar.
A série televisiva que Joaquim Furtado apresentou (vem apresentando) é deveras impressionante e mostra à saciedade os dois lados da barricada: o lado do colonizador e o lado do colonizado....
Quem não presenciou o teatro de guerra não pode imaginar sequer todo o pano de fundo em que se desenrolou o conflito(guerra da libertação para "eles" e guerra colonial para "nós"...). Há todo um contexto histórico que deve ser colocado a quem faz esta análise. A história do passado africano cheio de abusos e de explorações. A história de um auxílio internacional, inserido num contexto de "internacionalismo proletário" então vigente na ex-União Soviética, visando a libertação de povos vítimas de colonialismo. O papel duplo e oportunista dos americanos neste cenário de hipocrisia.
A série está bem montada e mostra com frieza as partes em confronto. Os casos de "heróis" como Marcelino da Mata, Mamadu Baldé (africanos que deram tudo pelo "nosso" lado...) são dignos de ponderação profunda. O caso de Robles, um "heró" nosso, que ultrapassou todos os limites da decência, também é digno de realce. O massacre de Wyriamu (em Moçambique, sob a tutela do então general Kaulza de Arriaga) é algo de aberrante e talvez uma das causas do comportamento bárbaro dos indígenas contra as populações europeias.
O tema daria pano para mangas. As atitudes mais indignas perpetradas por alguns de "nós" eram abençoadas pelo poder vigente. Quem tecesse algum comentário, por ligeiro que fosse, era
logo apodado de falta de adaptação, de "loucura", de falta de "senso". Aqueles que despudorada e de forma desumana violavam a convenção de Genebra eram enaltecidos e condecorados para servirem como exemplo. Uma guerra sem um resquício de dignidade, sem uma plataforma de racionalidade, sem perspectiva histórica da parte do poder vigente.
Paralelamente a este arbítrio e a esta falta de princípios havia o interesse economicista de uma elite, colada ao poder, manipulando os órgãos de comunicação social e os intelectuais mais proeminentes conduzindo para um abismo irreversível um conflito que poderia ter outra condução, outro desenlace.
Ocorre-me sempre recordar o papel de Manuel Alegre.
E porquê?
Tal como hoje, mantém uma postura serena e altiva, não abdicando de princípios, não hipotecando a honra a razões eleitoralistas ou de mediatismo oportunistico. Ele tinha uma visão histórica sensata, inteligente e útil para ambas as partes. Ele queria evitar o cenário que desembocou no massacre e na guerra fratricida. Foi vilipendiado, ultrajado, acusado de tudo e de mais alguma coisa. Quem se revia nos seus conceitos (independentemente de agir ou não) era considerado "cobarde" ou "louco" pelos autênticos "loucos" que geriam de forma leviana e estulta o teatro das operações.
Os "heróis" de então (Robles & Companhia) eram o paradigma moral por excelência, o suprasumo, a excelsa virtude. Pensar por outro diapasão era "crime", era "alienação", era "tolice". Mas houve quem conseguisse continuar na crista da onda, mesmo depois do 25 de Abril entrando furtivamente no autocarro do poder. Autênticos criminosos viraram "heróis de Abril"!Desses, a reportagem de Joaquimn Furtado não fala... mas devia fazê-lo...

terça-feira, novembro 13, 2007

O fim-do-mundo em S. Bento!




O Sr Governo e D. Oposição esgrimindo argumentos .
Em causa o Orçamento de Estado.
Sr Governo - A D. Oposição fique sabendo que este orçamento é credível, rigoroso e mais ainda: virtuoso! Cresce a receita por efeito das exportações e diminui a despesa por contenção de gastos sumptuários e cortes cirúrgicos por força da racionalidade económica!
D. Oposição - Tudo tretas Sr Governo. Vai ser mais um ano de sacrifícios para os mesmos de sempre. Vocês têm a obsessão do défice, procuram ser escravos de Bruxelas e não se preocupam com o povo real que sofre. O Orçamento é restritivo, não dá origem a desenvolvimento económico sustentado, vai contribuír ainda mais para a engorda dos grandes potentados económicos e o emagrecimento do povo.
Sr Governo - Engana-se redondamente D. Oposição! emagrecer o Estado é saudável, permitirá usar esssas gorduras supérfluas para satisfazer as necessiadades dos mais carenciados. O Estado gordo era no vosso tempo, para satisfazer grupos económicos e empresas por vós protegidas. Então o Estado estava ao serviço de uma minoria contra a grande maioria do povo.
D. Oposição - O Estado vai emagrecer sim, mas para engordar os grupos económicos que vos são afectos, é o que é. Já vemos empresas municipais a sacarem das câmaras para entregarem a amigalhaços. Emagrece num lado e engorda no outro. Sistema de vasos comunicantes...
Sr Governo - Engordar num lado e emagrecer no outro faz lembrar aquelas senhoras que fazem lipoaspiração na barriga e nas nádegas e colocam esses excedentes no busto... Será uma autocrítica essa pretensa crítica que a D. Oposição está a fazer ao nosso governo?!
D. Oposição - Não ria senhor primeiro-ministro pois já tenho uma aqui para si. Ao ver essas receitas orçamentais tão empoladas eu pergunto a mim própria com que recursos é que irão crescer? Será que irá recorrer ao viagra?!
Sr Governo - Está a falar a voz da experiência. Quando lá em casa falta algo, a senhora D. Oposição é que toma a iniciativa de comprar o produto ou é o seu consorte?!
D. Oposição - Não me falte ao respeito sr Governo. Responda às perguntas com objectividade. Não responda com novas perguntas. Diga-me como vai conter tanto as despesas que estão notoriamente subavaliadas?
Sr Governo - Nós maximalizamos os proveitos à custa de uma política de incentivos ao desenvolvimento económico sustentado, criando benefícios fiscais e dotando o tecido económico-empresarial de mecanismos de agilização capazes de potenciarem sinergias positivas que serão o verdadeiro embrião do progresso. Por outro lado minimizaremos os custos graças a uma política séria e credível na contenção de despesas sumptuárias e de racionalização de circuitos gerando poupanças que serão canalizadas para reinvestimentos produtivos.
D. Oposição - Tudo tretas senhor primeiro-ministro. O senhor prometeu mundos e fundos em campanha e agora faz o inverso. Isto é traição, é defraudar as expectativas do nosso povo. Não acredito novamente nas suas piedosas intenções. Delas dizem que está o inferno cheio.
Sr Governo - Não sei se há inferno, mas se houver estará lá toda a oposição. Eu prometi algo que me pareceu verosímil face ao clima de oásis que o governo de então aparentava. Contudo quando lá cheguei encontrei o deserto puro e duro e não o tal oásis que o governo de então dizia existir... tive que adequar a minha prática à realidade existente!
Enfim, esta cassete é sempre a mesma! o diálogo acima é ficção mas pretende retratar um discurso estereotipado que só serve para encher o olho a papalvos. Há que tirar ilações e olhar com atenção para os problemas de fundo.
Qualquer dia apresento uma nova personagem: D. Demagogia! ela continua firme e hirta no seu posto. Existe no governo e na oposição! até quando? Até que o coeficiente cultural do povo o deixe de permitir e/ou tolerar. É esse o nó górdio da questão!

segunda-feira, novembro 12, 2007

Quando o Rei fazia anos!...


Dizem que D. Sebastião ainda está vivo! Talvez o encontre nalguma esquina da rua em manhã de nevoeiro... ou no café perto de si...
Quando o Rei fazia anos
ia a plebe ao beija-mão
debutantes e decanos
com presentinho à feição
sorridentes e simplórios
vergando a cerviz ao Rei
rituais tão vexatórios
medievais, eu bem sei
a vaidade de querer
exibir a toda a grei
a coroa do poder
enfim, pura ostentação
da monarquia reinante
pífia manifestação
vácua mas espampanante
oca e fútil para a gente
farta de ser ultrajada
pelo Rei omnipotente
mas agora embriagada
pela zurrapa real
batia palmas, coitada
e sorria, bestial
não fosse ser açoitada
pela guarda imperial
vendo nalgum descontente
perigo potencial
de insurreição iminente...
Entretanto....
Há um reisinho a mandar
muito fero, tiranete...
e quem à festa faltar
pode tirar-lhe o... tapete!

domingo, novembro 11, 2007

Cântico dos Cânticos!


Os rostos visíveis da Santa Aliança na Madeira...
Nós somos felicidade...
e nos cobre o mesmo manto
chamado cumplicidade
o país olha com espanto
esta nossa ligação
este longo casamento
cimentado na ambição
crescendo como fermento
num amplexo permanente
e com trocas "afectivas"
à vista de toda a gente
com metas bem selectivas
numa troca de favores
à margem das próprias leis
que narcotiza eleitores
e os mantém sempre fiéis
a esta sacra aliança
que tende à eternização
qual mar de eterna bonança
de fácil navegação
pra piratas mercenários
corsários do caciquismo
branqueadores salafrários
midas do novo-riquismo
controlando o pobre Zé
com o ópio futebol
pipas de massa e de fé
nas barbas deste rei-sol
que se agarra à autonomia
como um luzeiro, um farol
que entontece e alumia
esta escravizada mole...

UTILIZADOR-PAGADOR - Querem fazer do pescador um idiota!


José Festas é o intrépido porta-estandarte de uma classe ferida no seu orgulho...

O pescador é talvez o mais explorado trabalhador deste país. Querem fazer dele um idiota ao obrigá-lo a pagar o próprio socorro no alto mar!...
O princípio do utilizador-pagador está omnipresente! Já basta de economicismo bacoco!
Qualquer dia o pescador (e todos nós, certamente) terá que pagar o ar que respira!
Pra pior já basta assim!!!
Pescador que andas no mar
É só economicismo!
Tudo terás que pagar
Mesmo o simples socorrismo!
A tua vida não presta
O Estado sempre a sacar
Afinal... o que te resta
É ... pagar e não bufar!...
Querem ver-te sem tostão
Asfixia financeira
Não tens outra solução:
Levam-te a alma... e carteira!...
É sempre a sacar, sacar...
Nova angústia já te espera:
Terás que pagar o ar...
Que respiras... da atmosfera!!!

Deus envia novo Salvador!


GAIVOTA QUE ANDAS NO CAIS...
(FADO ANTI-POLUIÇÃO)
Gaivota que andas no cais
À procura de comida
A vida é dura demais
Toma cuidado, se não vais
Comer peixe... e pesticida...
A água tem salmonelas
Os efluentes fecais
Não são meras bagatelas
Coisas más, é fugir delas
Por vezes... mesmo letais!
Gaivota que andas no cais
Toma cautela, cuidado,
Estes pecados mortais
São armadilhas fatais
O cais anda envenenado...
O homem, ser poluidor...
O planeta vai matar
Consta que Deus-Criador
Vai mandar um Salvador
À Terra para a salvar!
Gaivota que andas no cais
Tu sabes que o homem-réu
Conspurca cada vez mais
Tem cuidado, se não vais
Pescar nas... águas do céu!...