O meu Abril não é o dos banquetes, das liturgias folclóricas, dos exibicionismos de pavões cheios de democracia na ponta da língua mas sem ela nos actos...O meu Abril é o dos que sofrem por não verem cumprido um ideal, dos que ainda acreditam que é possível uma mudança. Para melhor...
Pelas ruas da amargura
anda ele, nós sabemos,
e valer-lhe não podemos
pois o mal já não tem cura,
anda perdido e afastado
da mente dos maiorais
dele já não há sinais
foi também ostracizado
banido, sem mais aquelas
já não anda nas lapelas
foi, talvez, excomungado,
considerado um entrave
um estorvo na consciência
um detalhe, minudência,
para alguns doença grave
de efeitos perniciosos
susceptível de criar
polémicas e mal-estar
talvez de efeitos danosos
nas mentes mais prepotentes
com alergia à verdade
com horror à liberdade
mas não, aos mais conscientes,
aos amantes da razão,
para esses, Abril é
motivo d'esperança e fé
o pulsar do coração!


















