domingo, setembro 13, 2009

O debate sério e clarificador!...







Não, não se falou do Freeport. Não se falou da licenciatura. Ninguém abordou os projectos do engenheiro na Covilhã.
Falou-se de política a sério. E falou-se bem.
Analisaram-se os contextos das declarações e as situações em que as palavras foram proferidas, as decisões tomadas. Falou-se na redução do défice até ao início da crise. Enfim, foi esclarecedor e de nível bastante elevado, este debate.
A Dra Ferreira Leite não gostou de ouvir citar referências suas a ânsias privatizadoras: na saúde, na educação, na segurança social. Não gostou de ouvir o contraste entre as sua voz forte e constante contra a não cobrança de portagens nas SCUT's e o silêncio ensurdecedor no seu programa sobre o assunto. Oportunismo? Interrogou Sócrates. Não, apenas silêncio, tão só, disse ela.
Sócrates invocou os benefícios para as empresas (diminuição de custos, agilização de transportes, facilitação de comércio, factor de maior competitividade) com a criação de autoestradas no interior. Focou a necessidade de minorar os custos de interioridade, de igualizar o interior ao litoral (na medida do possível), a necessidade de investir para criar actividade económica e postos de trabalho; ela disse que era fomentar o despesismo. Que tristeza, meu Deus! Tanto pauperismo intelectual, tanta fanfarronice nas entrevistas dadas, e ali, frente ao seu maior rival, com a oportunidade de o vergastar forte e feio perante toda a gente, meteu a espada da verborreia na bainha da mediocridade e ficou pasmada a ouvi-lo!...Sem replicar com desenvoltura, sem justificar graves acusações que vai fazendo por esse país fora!
Quanto ao salário minimo, depois de ela ter dito que era uma irresponsabilidade (achou-o demasiado elevado!...), agora, no seu programa fechou-se em copas e nada disse. Ninguém sabe o que pensa sobre o futuro no tocante a esta matéria.
Enfim, o Titanic MFL levou um enorme rombo no casco e JS, o icebergue frio e clarificador, ficou à vista de todos como o único candidato a ter capacidade e até passado credível para pôr a casa em ordem. entre um e outro há quem diga : o diabo que escolha! Agora, depois disto, eu direi: o diabo já escolheu!!! ele aposta na Dra Ferreira Leite!...
Sócrates, ao seu melhor nível: clarividente, sem aquela ferocidade truculenta que o faziam aproximar de Jardim, mas mais sereno, irónico, zombeteiro até!...Atirou as cartas para a mesa e mostrou o jogo, não fez bluff... ela ficou estupefacta, boquiaberta, não deu a réplica que se esperava e que a sua catilinária prévia anunciava...
Manuela Ferreira Leite abúlica, pasmada com esta argumentação certeira e apontando ao vazio (calculista?) do seu programa cheio de omissões em coisas realmente importantes, em que era imperioso tomar posição, dizer o que vai fazer, mostrar qual o caminho a seguir. Ela foi escalpelizada (passe a metáfora) até ao mais ínfimo pormenor com o bisturi da sátira, da elegância verbal, da inteligência crítica. Nunca tantos espectadores foram tão bem elucidados em tão pouco tempo!
Pura estultícia é dizer-se que o TGV só interessa aos espanhóis pois vão receber mais fundos europeus por ser projecto transfronteiriço!então, face ao seu raciocínio, ela traiu Portugal quando assinou com os espanhóis um acordo em que o TGV era muito mais vasto e tinha ramificações mais dilatadas! Foi crime de lesa-Pátria o acordo então celebrado?!
Sócrates abriu o livro, ela fechou-o. Sócrates mostrou o que fez, porque o fez, nas condições objectivas em que houve necessidade de tomar decisões corajosas: contra os corporativismos instalados, contra os despesismos supérfluos, contra a irracionalidade económica adjacente a uma estrutura anquilosada e a precisar de reformas. Assumiu o risco da impopularidade das medidas tomadas. Fê-lo sob o imperativo de defesa dos interesses da comunidade em detrimento dos interesses das corporações. Ela, como fazem todos os populistas, procurou capitalizar os naturais descontentamentos, sem um distanciamento pedagógico como seria timbre de um estadista. A questão do TGV e os ziguezagues e cambalhotas por ela executadas são paradigmáticas...
Ela não foi capaz de usar a mesma frontalidade, a mesma linguagem de verdade e de criticismo objectivo, refugiou-se na abstração, no silêncio, no «não disse por que não acho importante dizer!», «não escrevi porque não achei necessário falar sobre isso!»
Um político não pode ser um economista (tout court!), tem de possuír outras valências: cultura geral, espírito de humor, ironia, poder de encaixe, poesia, oratória fácil, expressão facial, capacidade de exposição, voluntarismo anímico, espírito espartano, humanismo... enfim, tem de ser aquilo a que António Sérgio, pedagogo e paladino do associativismo cooperativo, designou por um homem integral! homem ou mulher, é óbvio!...
Enfim, ela foi o retrato fiel do seu programa: ambíguo, impreciso, inócuo, insípido, fugindo à objectividade como o diabo foge da cruz. Com ela ao leme, Portugal iria ter uma enormíssima cruz!

14 comentários:

continuando assim... disse...

Absolutamente !!

bj
teresa

Barbara disse...

"Falou-se de política a sério"
Não compreendo o que é isto.
Não conhecemos isto em terras d'aquém mar.

casa de passe disse...

Pois, já sabemos como é...


Alice, a fininha

rouxinol de Bernardim disse...

continuando assim:

Olá Teresa, julgo ter feito uma análise fria e objectiva...

rouxinol de Bernardim disse...

Bárbara:

Desta vez pareceu-me acima daquelas ordinarices baratas e da peixeirada habitual. Houve elevação de parte a parte...

rouxinol de Bernardim disse...

Casa de Passe

Cara Alice, julgo que deu para clarificar alguns pontos mais dúbios, de parte a parte.

Manuel CD Figueiredo disse...

Altiva e (pouco) verdadeira, de peito feito, ia Manuela... até este debate. Afundou-se! E ficámos esclarecidos.

Concha disse...

"Ela foi o retrato fiel do seu programa(...).Com ela Portugal iria ter uma enormíssima cruz!
E, eu digo Deus nos livre desta senhora má e cruel para com todos,sejam do seu partido ou não.
Aguardo as eleições com muita espectativa.
Abraço

Marieke disse...

OLáaaa amigo Rouxinol
Sempre fantabulástico e acutilante este teu blogue
Um abraço
Marieke

rouxinol de Bernardim disse...

Manuel CD Figueiredo:

Permito-me discordar de uma frase.
ela de «peito feito»... ou sem peito para enfrentar os adversários? Precisa de toneladas de silicone e nem sei se chegará!

rouxinol de Bernardim disse...

Concha:

També fico aguardando e sempre disponível para ouvir a verdade, venha de onde vier!...

rouxinol de Bernardim disse...

Marieke:

A imaginação é a mola propulsora do mundo moderno!

O pecado não está nela (imaginação) mas nos fora-de-moda da política!

© Piedade Araújo Sol disse...

um poste actual e acutilante!

boa semana!

rouxinol de Bernardim disse...

Piedade Araújo Sol:

Boa semana também para si. Que o sol irrompa e dardeje com esplendor...