Um blogue plurifacetado procurando abordar questões de interesse sob perspectivas diversificadas. A independência sim, mas sempre subordinada a parâmetros de bom senso, de optimismo e de realismo. O mundo e a sociedade sob o olhar atento e desassombrado de um cineasta do quotidiano, um iconoclasta moderno, sem peias, sem tabus, sem preconceitos.
quinta-feira, fevereiro 12, 2009
«Bússola» avariada?!!!
Admirei também José Rodrigues dos Santos pela sua postura independente, séria, digna. Não afecto a partidos mas tomando partido pela verdade, pelo rigor, pela ética.
Quando vejo jornalismo de «trela» (não é de «treta»...)__ partidária, clubística, regionalista__ fico de pé atrás.
Agora M.A.Pina, a minha bússola, vem hoje no JN quase que a fazer apologia do sectarismo, do partidarismo, da visão clubística no jornalismo. Será que a «bússola» avariou?
Habituei-me a navegar à vista e não por instrumentos. Eles podem induzir em erro e gerar acidentes graves. Na medida do possível navegar a «olhómetro» é mais prudente, em determinadas circunstâncias, como é óbvio.
Será que M.A. Pina tem os óculos desfocados? Ou mudou de óculos?
Será que Manuel Serrão, Júlio Magalhães e outros que tais, bolçando sectarismo por todos os poros, é que são os «novos paradigmas» de M.A.Pina?!
Vou já ali à loja da esquina comprar uma bússola nova! Irra, a crise chegou a todo o lado!!! Até às consciências!
quarta-feira, fevereiro 11, 2009
Venha a nós o vosso reino!!!
O País inteiro pasma, embasbacado, lendo esta pérola digna de Péricles! Está aqui no DN!
A exegese mais profunda, sobre a magnitude desta crise que assusta o mundo inteiro e ameaça lançar Portugal no abismo mais profundo!
Manuela, Marcelo & a Onça!...


terça-feira, fevereiro 10, 2009
A D. Verdade, a proscrita!
A Verdade, nua e crua, pedindo para a levarem ao «Correntes d'Escritas...»Vinha eu, meditabundo, vagueando pelas ruas da Póvoa de Varzim, quando, de repente, fui surpreendido por uma visão. A Verdade, ela própria, numa varanda, pedia a quem passava:
__Por favor, leve-me ao «Correntes d'Escritas»!...
Olhei, meditei e disse com os meus botões: «Estava tão bem nos braços do Eça de Queiroz!»
Continuei o meu trajecto. Mas ela insistia. Então parei e fui falar directamente com ela.
__Hoje em dia tu não és bem vista. A tua prima, a Mentira, essa sim é que se impõe. Olha, vai ali à frente com aquele casal tão prendado. São a D. Fantasia e o marido, o Manto Diáfano...
A Verdade replicou, com energia:
__Rouxinol, estamos em democracia. Há lugar para todos!
__Como tu te enganas__ disse-lhe com um sorriso de comiseração. __Portugal atravessa uma grave crise e a maior é a democrática. Há um défice enorme, maior do que o défice orçamental. Aqui na Póvoa quem mais ordena são mulheres como aquela que ali vês à frente, bem acompanhada, com um colar de pérolas ao pescoço...
__Quem é?! __interrogou intrigada...
__Olha é a D. Opacidade, a pessoa mais importante aqui da Póvoa.
__Mas, será a mulher do presidente da câmara?
__Não, não. Essa é séria e bem formada. Esta talvez seja concubina ou similar...
Então, ela fez-me uma revelação surpreendente.
__Pois eu julguei que a amante dele era outra. Ele diz que dorme sempre com ela... e não sendo a esposa...
Fiquei intrigado. Quem seria? Como quem tira nabos da púcara, fui conduzindo a minha conversa para saber de quem se tratava. A Verdade ia contornando a resposta, com subtileza. Era compreensível, pois poderia causar problemas familiares. Uma amante é sempre uma mancha na reputação, quanto mais de um político. Mas se ele próprio afirmava que dormia sempre com ela. Era como se fosse uma coisa oficializada. Talvez uma amante consentida. Quem sabe?
Não resisti à tentação e fui incisivo:
_Então quem é essa galdéria com quem o presidente da câmara dorme, todos os dias, sem que a legítima esposa se importe?
A resposta foi de caixão à cova:
__Olha rouxinol, é o presidente que o afirma constantemente: «Eu durmo com a Consciência Tranquila, todos os dias!»
Será ela, a amante, a Consciência Tranquila, a vencedora do Prémio Literário?!
Os candidatos são muitos: O Salamaleque, a Cunha, o Politicamente Grato, a Salta Pocinhas, o Rasputine, a Mordomia, a Sinecura... a Meia-Verdade, o Curvado, a Genuflexão... e tutti quanti...
Preso por ter cão e... por não ter...
Se não é boa política eu pergunto:
1- Com a crise no horizonte, com as empresas privadas a desinvestirem ou gerarem falências (algumas de pendor fraudulento...) como estancar o desemprego? Seria preferível mandar toda a gente para o fundo de desemprego?
2- Como estimular a iniciativa privada? Com chorudas prebendas fiscais (perdões e mordomias como no tempo de Oliveira e Costa?), com incentivos faraónicos que redundaram em fiascos?
3- Será que é mau fomentar investimento em obras de pendor trabalho-intensivo (em detrimento de obras de cariz capital-intensivo)? Barragens, reparação de escolas e hospitais não é melhor do que ficar à espera do investimento privado que continua com gordos saques em off-shores e só sairá da toca pelo seguro?
4- Será que à míngua de investidores privados o papel supletivo do Estado neste domínio é mau?
Imagine-se que era adoptada outra política: generosidade fiscal com abaixamento brusco dos ditos e não concomitante entrada de investimentos do sector privado?
Diriam que o governo era ingénuo, não criava empregos, não era capaz de tomar medidas anti-crise, que era perdulário!
Agora, que o défice pode subir (dada a folga orçamental conseguida com duro esforço até aqui) e há inclusive directrizes da união europeia nesse sentido, não deixa de ser caricato vir carpir (hipócritamente...) contra o eventual aumento do défice por causa da aposta no investimento.
É óbvio que obras como o TGV e novo aeroporto serão sensatamente contidas até que soprem novos ventos no clima económico e na paisagem financeira.
Ai se o doutor João César das Neves fosse o manda-chuva (ou manda-neves...) isto sim, seria o oásis, o paraíso terreal, o local onde o leite e o mel jorrariam qual maná bíblico!
Valha-nos nossa Senhora das (e dos) Neves!!!
EUROPA: QUO VADIS?!

domingo, fevereiro 08, 2009
Entrevista com o senhor «Messias»...
Daí a razão de ser desta entrevista...
R.B.-Senhor «Messias», não acha que as suas investidas na praça pública contra a líder são uma das causas da sua baixa popularidade?
Messias - Nada disso.Ela anda sempre calada, não toma posições, usa a continência verbal como a sua principal virtude...
R.B.__Não ouviu dizer que «o calado é o melhor!»
M- Esse era o major Henrique Calado, um grande cavaleiro. O que é preciso agora é falar, falar de tudo e de todos. Só assim se consegue criar empatia no seio da população...
R.B.__ Já ouviu falar nos «tigres de papel», que acha deles?
M- Ó rouxinol, esses «tigres» é que estão no galarim, a maré é favorável, eles são os triunfadores... Os que usam a contenção verbal como arma não vão longe!...
R.B.__Você acusou o seu antecessor de ser apologista da «autoflagelação», mas pelo que se vê, você continua a flagelação insana à líder do momento. Acha bem fazer o que criticava aos outros?
M__Olhe rouxinol, se a gente não for um pouco como Frei Tomás não tem viabilidade política. Eu sou um político viável, credível, um especialista em marketing. Um vencedor nato.
R.B.__Que acha do aproveitamento eleitoral tendo como rampa de lançamento a Igreja católica?!
M_ Acho excelente! Estamos aqui uns para os outros. Olhe, Jardim, na Madeira, não se cansa de elogiar a postura da Igreja católica. Ela retribui-lhe os elogios, com notórias vantagens para ambas as partes...
R.B.__«Colher vantagens» é para si o supremo desiderato da política?!
M_ Toda a gente vai para a política para colher vantagens, hipócritas são os que dizem o contrário...
R.B.__Que acha da corrupção?!
M_ Tenho duas ópticas. Se ela existe nos outros é um pecado capital, uma ofensa à justiça social, um atentado à democracia. Se porventura nós tivermos que caír nas suas malhas direi que é um mal necessário. Existe desde o princípio do mundo...
R.B.__Essa das «duas ópticas» leva-me a perguntar-lhe se é como Janus?
MM__Gostaria de dizer que não, mas para ser totalmente honesto, acho que todos os políticos o são. E quanto melhores mais se identificam com ele. A versatilidade, a capacidade de adaptação às circunstâncias é uma virtude. Os bons políticos (os que ganham sempre) são como Janus: nas eleições dizem que são pela transparência, pela igualdade de oportunidades, pelo abaixamento de impostos, pelo fim da corrupção. Quando se apanham no poder, esquecem tudo e fazem o contrário: opacidade, dão preferência aos da sua cor política no preenchimento de vagas, na concessão de empreitadas, sobem o mais que podem os impostos e as alcavalas, navegam no mar da venalidade com toda a perícia.
R.B.__Acha que a honestidade é uma virtude?
M__ Neste momento quem for honesto não ganha eleições. Há que usar artimanhas, utilizar off-shores, testas de ferro, driblar as leis...
R.B__Que acha do caso Freeport?!
M__É fruta da época. Não sei de que lado está a verdade. Mas pelas aparências aquilo não cheira nada bem.
R.B.__ Se fosse líder do seu partido que faria?
M__ Iria para os jornais e TV's pedir a cabeça do primeiro ministro! Só assim se colhem dividendos...
R.B.__Mas não acha que ele tem direito à presunção de inocência?
M_ Se ouvir o jornalista isento, impoluto e credível, Mário Crespo, saberá que não!
R.B.__Mas não acredita nos valores de um Estado de Direito, de uma ética e de uma deontologia profissional?!
MM_ Só os ingénuos ainda acreditam nisso. Agora o que está a dar é o «salve-se quem puder!». Sempre me dei bem com isso. Por isso sou um triunfador!
R.B.__Acha que a vitória é o único fim a almejar? Que acha de Pirro?
M__Em democracia os bons são os que ganham. Os maus os que perdem. Líricos são todos aqueles que ainda se interrogam pelos métodos seguidos para se atingirem essas vitórias...
Os escrúpulos são a bandeira de todos os perdedores...
R.B.__Senhor «Messias», o senhor não será um travesti de Maquiavel?
A entrevista terminou aqui. Os jagunços de serviço encarregaram-se de enlamear o entrevistador... ainda hoje ostenta na face os resultados dessa flagelação...
sábado, fevereiro 07, 2009
O «Sistema»...

quinta-feira, fevereiro 05, 2009
«J'accuse!»


Verdades...
Sócrates confessa! Finalmente!!!
A multidão de repórteres chegou eufórica. Seria desta?!__Senhor primeiro ministro, os ingleses dizem que têm «provas» excelentes. Quer comentar?
__Não duvido. Confesso que admiro o seu bom gosto quando se dirigem aos magotes para as Caves do Vinho do Porto e «provam» aquele magnífico néctar dos deuses que é o orgulho de todos nós! O que prova o poder de atracção do nosso país aos súbditos de sua majestade...
questão de estado!
quarta-feira, fevereiro 04, 2009
Injustamente no olvido...
Eu penso, logo existo! E insisto nisto: para se ganhar eleições é preciso muito folclore mediático, muita frequência nos púlpitos jornalísticos, muita assiduidade na RTP-N, na SIC, na TVI, na TV I e II, no JN, no DN, no Público, na BOLA, no JOGO, no RECORD e até ... no Cavaleiro da Imaculada... só assim consegui chegar onde cheguei. Tu, rouxinol, vê lá onde chegaste, não tens categoria nem para me desapertar os cordões dos sapatos!...
Este disserta sobre um tema palpitante: «Como desmantelar o Estado em sessenta dias »! O outro, o «ponto», sussura-lhe ao ouvido: __Se ganhar a câmara de Lisboa, vou seguir as tuas pisadas e jamais serei destronado!»
Vestindo o trajo de gala para dissertar sobre o tema:«A baixa craveira mental dos nossos políticos, a causa-mor da nossa derrocada!» , uma autocrítica brilhante, um sentido de humor e uma profunda capacidade introspectiva que definem um político autêntico!

Este, rogando a Deus a oportunidade para lá ir, a esse excelso areópago de Gaia, onde a Verdade emerge qual água pura da fonte de Parnaso!!!
SÓCRATES TEM CARRADAS DE RAZÃO!!!
Não há volta a dar-lhe. A globalização deu no que deu. Ou se agarra o problema numa perspectiva global ou não vale a pena tomar paliativos ou medidas pontuais. É como uma pandemia de graves repercussões.
Quem pensar o contrário erra redondamente. Sócrates está no caminho certo. Ele precisa de tempo para provar aquilo que diz e a sua perspectiva é a mais credível, mais razoável, mais sensata.
Sim, porque andam por aí uns cretinóides a dizer o contrário não significa que tenham razão. Só o tempo, esse juiz supremo, poderá avaliar a justeza da coisa.
Se não vejamos:
Que importa cortar ou proibir o nosso off-shore se os que habitualmente o usam irão recorrer a outros? Se a Madeira deixasse de ter essa faculdade (para o bem e para o mal...) os capitais flutuantes (que não têm pátria...) iriam para Gibraltar, para as Ilhas Virgens, para as Caimão ou o diabo a quatro.
Também já pensei de outra forma mas agora Sócrates convenceu-me definitivamente de que este problema tem que ser abordado a nível global. E como as coisas andam, com a falta de humanismo que impera a todos os níveis, não se vislumbra solução a curto prazo. Temos que assistir ao degenerar, ao implodir deste capitalismo selvagem que não tem cura, mas, pior ainda, ainda não encontrou um sucedâneo credível e minimamente aceitável... esse é que é o busílis da questão!
P.C.P. o Partido do futuro!
Foi em Arco com Zelo, freguesia de Vila Nova de Faia que tudo se passou. O presidente da câmara prometeu em plena missa uma série de prebendas para a paróquia. Contudo, «Zé das Medalhas», antigo jogador de futebol da terra (com muitas lesões nos joelhos, daí o epíteto de «Zé das Medalhas»...) e actual líder do PCP (Partido Clerical Populista), dirigiu-se ao pároco nestes termos:
__Senhor abade__ disse pigarreando ligeiramente e torcendo a farta bigodaça que lhe emoldurava o lábio superior__, o senhor é um democrata não é?
_Claro que sou__ replicou de pronto o pároco. Se me permites devo dizer que às vezes gracejo com os meus amigos e digo que é a única amante que tenho...a democracia, demo-cracia!...
__Pois então venho solicitar igualdade de oportunidades. Se o meu rival, o Luís Filipe Mente às Vezes teve oportunidade de falar no final da missa, quero igual direito. Talvez seja mais assíduo à missa que ele. Tenho a convicção de que vou ganhar as eleições e queria dar essa notícia aos meus paroquianos...
O padre ficou petrificado! nunca lhe tinha passado pela cabeça tal petição. Mas era intrinsecamente justa, correcta, democrática. Como democrata dos quatro costados aceitou!
Assim, depois da missa, «Zé das Medalhas» o antigo atleta de Arco Com Zelo, subiu ao púlpito e dissertou assim:
__Caros paroquianos! O meu partido o PCP (Partido Clerical Populista) tem algo de muito importante a dizer-vos. Segundo uma recente sondagem somos os principais candidatos à vitória cá na autarquia. Assim, se for eleito, vou elaborar um protocolo com a paróquia visando o bem comum (da paróquia e do partido clerical populista). Assim, penso fazer uma igreja moderna, com todos os requisitos ambientais adequados: ar condicionado, sistema informático completamente adaptado às valências clericais; penso adquirir transportes para afectar às carências paroquiais: deslocações do padre aos domicílios a fim de dar a comunhão e visitar os doentes, levar as crianças e os idosos à praia ou a locais de convívio.
Os serviços fúnebres serão totalmente pagos pela autarquia, adentro daquele princípio de que os filhos da autarquia na hora do adeus, deverão ter pelo menos direito a transporte e todos as mordomias inerentes a quem foi de facto um caminhante neste vale de lágrimas, sempre a contribuír com impostos e presença assídua em diversos actos cívicos; é justo, humano, perfeitamente adequado à visão humanista que está na génese do partido clerical populista.
Todos os meses haverá uma missa pelos paroquianos paga pela junta de freguesia. Pagaremos 5o0 euros pelo serviço a título simbólico pois todos os paroquianos juntos são uma infinidade de almas...
Quanto ao sistema informático já temos uma visão muito ampla e moderna da coisa. Os sinos tocarão por influxo do sistema informático e poderão ser accionados da residência paroquial. As confissões poderão ser feitas de casa directamente para o computador central da residência paroquial.Já está estabelecido um sistema de penitências consoante a gravidade dos pecados. Haverá mais justiça, mais democracia, mais igualdade de oportunidades. O padre ficará distante dos pecadores, acabando assim a tentação da carne provocada por aquelas mulheres que iam confessar-se com perfumes cativantes, com vestidos muito decotados ou saias demasiado curtas.
Está previsto também um sistema de video a ser implantado em caso de doença do pároco, havendo a tele-missa com todas as comodidades inerentes. A presença física do padre não implica ausência de missa.
O ar condicionado será um dos requisitos mais válidos cativando a presença de muitos fiéis: no verão, quando lá fora o calor apertar, por que não refugiar-se em meditação e refrescar o espírito no templo? no inverno, com frio de rachar, será convidativo ir orar para o templo, aquecer a alma com a proximidade com Deus e em comunhão espiritual com santos e santas.
Devo dizer que os casamentos poderão ser mais duradouros pois os noivos serão submetidos a testes de compatibilidade (incluindo todas as vertentes: sexual, psicológica, laboral, mental, social), advindo daí uma maior estabilidade no matrimónio.Tudo coadjuvado pela informática, essa criação divina para melhorar as potencialidades vivenciais dos seres humanos.
A perplexidade tinha invadido o rosto dos paroquianos. Olhavam para «Zé das Medalhas» como se fosse alguém vindo do Futuro para catequizar o Presente!
Antes de terminar, rematou assim:
__Não, não quero palmas. Aquilo que eu disse foi o Espírito Santo que me inspirou. O mérito é todo d'Ele! no templo só Deus merece palmas!
Lá fora, o mar estava profundamente alterado. Rugia e punha tudo em polvorosa. Nunca se tinha visto o mar tão enfurecido.
De repente, do meio das ondas alterosas saíu um menino só com um chicote na mão. Andou pela praia meditabundo durante algum tempo. Depois entrou no templo.
Todos olharam para ele. Parecia um menino vulgar, mas não era. Alguns cochichavam baixinho: «Parece o menino Jesus!»
E era de facto. Ergueu o chicote, chicoteou «Zé das Medalhas » e gritou bem alto:
__Tu ainda és pior que o Luís Filipe Mente às Vezes, tu consegues ser convincente, o que torna pior o pecado. Ele, coitado, está já trucidado pela voragem da sua própria postura farisaica. Tu, seu «Zé das Medalhas», tem cuidado, pois o redil de Cristo não precisa de vendilhões informáticos. Tu, és pior do que ele por isso te chicoteio três vezes e te aconselho a não invadir mais o templo. Quanto ao Mente às Vezes, vou dar-lhe um tratamento mais suave: vou fazer com que perca as próximas eleições, para não ser fariseu e Frei Tomás!...
MORAL DA HISTÓRIA: Há fariseus que não interessam nem ao menino Jesus!...
terça-feira, fevereiro 03, 2009
Correntes d'Escritas! Póvoa no pedestal!
Há quem sobressaia nesse frenesim , há quem se dedique de alma e coração para que nada falte nos eventos colaterais, para que tudo brilhe ao mais alto nível.
A minha homenagem a essa alma-mater que está sempre no olho do furacão!
Lá no topo já fulgura
Essa estrela refulgente
Expoente da cultura
Esse facho incandescente
Diamantina-criatura!
Cessem de Camões os feitos
Cessem de Ronaldo os golos
É o maior entre os eleitos
Sobressai entre os parolos
Sol... p'ra todos os efeitos...
Quando bota faladura
O mundo queda, rendido,
Eloquência da mais pura,
Ofusca o sol, não duvido,
Eça ri, na sepultura!
Gigante, este arqui-pigmeu...
Discurso pode ser pícaro,
Bem vulgar, como Lineu,
Mas ganha asas, qual Ícaro,
Sobe ao céu... qual Prometeu!...(1)
Cita frases, pensamentos,
De gente que fez História,
Cita fontes, documentos,
Enfim, percorre a memória
Exibindo seus talentos.
Rendida (ou farta...) a plateia
Espeta-lhe farpas-palmas;
Vê nele o farol, candeia
Que ilumina obscuras almas
Emoções desencadeia...
(1) Prometeu foi o tal que ousou subir ao céu para trazer o fogo para a terra. A humanidade deve-lhe essa conquista imorredoira... esse capital de valor incalculável...todos nos curvamos em seu louvor!
segunda-feira, fevereiro 02, 2009
Precedentes graves!...
A Igreja católica não deve permitir ser instrumentalizada politicamente. Os padres comissários políticos são aberrações e maleitas que atentam contra o normal fluír democrático.É triste dizer isto mas é um facto verdadeiro: em períodos de decadência e de adulteração de valores a Igreja Católica encosta-se frequentemente ao poder; não se apercebe da instrumentalização de que é alvo. Foi assim no declinar da monarquia, é assim hoje, talvez o canto do cisne deste abrilismo que tanto prometeu e que se deixou afundar no abastardamento.
Soube-se que na freguesia de Pedroso (V. N. de Gaia) o presidente da câmara foi na própria igreja divulgar obras aos frequentadores da missa. Que de abuso de autoridade, que de ostentação abusiva, como é possível usar o templo sagrado para fazer propaganda?
Imagine-se o precedente criado. Se algum cidadão presente na missa quisesse usar da palavra para contestar o abuso, ela ser-lhe-ia negada? Com que direito?
Que consequências poderão advir desta prática? Se todos os partidos políticos têm no seu seio crentes, não terão a mesma oportunidade? Se no próximo domingo, no final da missa, um comunista quiser dar conhecimento de hipotéticas obras que pretenda realizar a nível paroquial, se ganhar as eleições, não terá esse direito? Com que critério moral (ou cívico) lhe será vedado?
Não está em causa o partido nem a pessoa que cometeu o abuso, está isso sim, o princípio de autonomia e respeito que deve existir entre os poderes. Não será isto aproveitamento político, demagogia pré-eleitoral? Caciquismo?
É triste verificar que a situação está muito similar ao que se verificava no término da monarquia: uma promiscuidade e uma venalidade totais entre a Igreja e o Estado. Talvez essa tenha sido a razão principal do anti-clericalismo da I República.
Era bom que o senhor Cardeal Patriarca não deixasse passar em claro este abuso. É que há precedentes que se poderão pagar bem caro!...
Fernando Namora, recordar um Mestre...






