O país ainda não sabe. Os jornais, onde impera forte censura (ideológica, economicista, política) nada dizem. Por isso é que se criaram os blogs. Eles são a parte emersa do icebergue da liberdade tantas vezes submerso pelo mar tenebroso da promiscuidade e da vilania.
Os cidadãos têm o direito de saber tudo. Não é lícito mantê-los na ignorância pois serão eles que irão avaliar os poíticos na hora da verdade, serão eles os juizes e precisam de dados sobre a mesa. É isso que farei. Doa a quem doer, darei conhecimento de certas prendas altamente comprometedoras e com significado incontestável!
Primeiro caso:
Soube-se que Jardim recebeu um bolo com uma volumosa e vermelha cereja em cima. Nada dizia. Era tão apetitoso que convidou os seus próximos colaboradores para o devorarem.
Fizeram-no num ápice, tão delicioso ele estava. Só no final se aperceberam da mensagem que estava escrita no fundo, em letras garrafais:
«Vocês são a cereja da mediocridade em cima do bolo do caciquismo bolorento. Assinado: José Manuel Ribeiro - deputado de PND!"
Luís Filipe Meneses enviou uma espada dourada a Manuela F Leite. Um papelinho anexo rezava asim:
«Não, não irei degolá-la. Só quero que mantenha sempre presente que eu serei uma espada de Dâmocles a pairar sobre a sua cabeça enquanto liderar este partido!»
O presente de Cavaco Silva a Sócrates foi uma tesoura dourada. O papel que a acompanhava, escrito pelo seu próprio punho, em letra bem legível, dizia isto:
«Vocês cortaram-me os poderes no Estatuto dos Açores, espero que se lembre sempre que eu tenho o poder de lhe cortar o pio de primeiro-ministro".
Mário de Almeida enviou a Pedro Brás Marques um apito dourado. A mensagem era esta:
«É para lhe garantir que em Vila do Conde, ao contrário do que afirma, nunca houve nem haverá arbitrariedades!..."
Macedo Vieira remeteu ao rival Silva Garcia as chaves da cidade da Póvoa de Varzim. Dizia na sua mensagem:
«Tenho a subida honra de lhe endereçar as chaves da cidade. Só espero que tenha a ombridade de fechar as portas, de preferência pelo lado de fora...»
Enfim, eu próprio também enviei ao Papa um presente de Natal. Era um lindo candeeiro de secretária. O mundo, num globo lindíssimo, e o Papa, servindo de haste, a abraçá-lo.
A dedicatória que enviei rezava assim:
«O mundo inteiro agradece ao Papa Verde, as suas preocupações ecológicas para salvação do planeta.»
Fiquei muito surpreendido ao receber um cartão e uma prenda vinda do Vaticano. Era uma vela enorme. Num papelinho vindo da Cúria Romana, o Secretário Pessoal enviava uma mensagem :
Sua Santidade o Papa agradece a rouxinol de Bernardim a sua generosa oferta bem como a mensagem muito original. Espera que consiga manter pela vida fora bem acesa a chama da ironia, do bom humor e do sarcasmo, em prol da defesa dos Direitos Humanos, Direitos dos Animais, e que Deus o abençoe!»
Um blogue plurifacetado procurando abordar questões de interesse sob perspectivas diversificadas. A independência sim, mas sempre subordinada a parâmetros de bom senso, de optimismo e de realismo. O mundo e a sociedade sob o olhar atento e desassombrado de um cineasta do quotidiano, um iconoclasta moderno, sem peias, sem tabus, sem preconceitos.
terça-feira, dezembro 09, 2008
CEM ANOS E... SEMPRE SEM AMOS...

O cineasta português Manoel de Oliveira, um ícone da Sétima Arte.
Às vezes acusam-me de maledicente. Mas gosto de dizer bem quando há motivos para tal. Também não cultivo o excesso, pois ainda me chamariam lambe-botas...
Vem isto a propósito da recusa do cineasta em receber as chaves da cidade, honraria proposta pela edilidade portuense. Mostrou ser vertical. Não pactua com o oportunismo. Farto de levar pontapés, reagiu com dignidade...
Dar-lhe as chaves da cidade
Quis a câmara tripeira
Recusou com dignidade
Tal manobra lisonjeira.
Há quem dê chaves demais
Mantendo as portas fechadas
São hipócritas sinais
De mentes enfatuadas...
«Sem amos»... há já cem anos,
No cinema nacional
O decano dos decanos
Continua vertical!
Genuflexões ao poder
Não faz, nem nunca fará,
Botas nunca há-de lamber
A quem pontapés lhe dá!...
Alerta máximo! O peixe pode estar em vias de extinção!
Não, não é alarmismo gratuito. A médio e longo prazos poderemos estar na iminência de uma crise de graves consequências e era bom planear, começar a pensar no futuro com prudência e procurando alternativas.
Tal como o petróleo que pode começar a ficar mais raro e até esgotar, também o peixe começa a ser um produto cada vez mais raro. Era bom começar a enfrentar esta problemática com coragem e determinação. O futuro está aí à porta!
Ler aqui um apontamento cheio de clarividência e lucidez.
Tal como o petróleo que pode começar a ficar mais raro e até esgotar, também o peixe começa a ser um produto cada vez mais raro. Era bom começar a enfrentar esta problemática com coragem e determinação. O futuro está aí à porta!
Ler aqui um apontamento cheio de clarividência e lucidez.
segunda-feira, dezembro 08, 2008
A Igreja católica pede perdão! Tarde e a más horas!
Veja aqui! Este autêntico escândalo! Tão tardiamente, como de costume, a Igreja penitencia-se dos seus erros e das suas toleimas!
domingo, dezembro 07, 2008
ROSAMAR...
A morte, essa ceifeira implacável, voltou aos mares. Agora foi na Galiza, o «Rosamar» se afundou levando consigo alguns pescadores.Caxinas, a terra-mártir, mais uma vez foi atingida pelo luto. Oxalá tão cedo não volte a fustigar essa honrada e nobre gente que na faina do mar nos procura dar o alimento saudável que é o peixe. Me curvo à memória de um bravo combatente, que, no local de trabalho, sucumbiu à traiçoeira tempestade.
ROSAMAR!
Caxinas, sinos dobram com dolência,
Veste crepes, de novo, esta colmeia
Piscatória; o luto e a impotência
Esta terra tão mártir, incendeia...
«Rosamar» com espinhos de incerteza
Ensombrando o natal dos pescadores;
Consoada de angústia está na mesa
Amargura com lágrimas, com flores...
Custa tanto sofrer, ter de aceitar,
No local de trabalho sucumbir
Sem ter havido forma de o evitar!
As lágrimas saudosas vão caír
A prostração nos verga e faz pensar:
«Rosamar»... que o mar não deixou florir...
sábado, dezembro 06, 2008
O FADO DA TIMONEIRA


__Excelente, rouxinol! Traduz de facto o estado de espírito, a alma da traineira laranja! Vou concorrer ao Festival de Velhos Cantores de Acapulco, se ganhar, oferecer-te-ei a Traineira de Prata!...
__Agradeço mas recuso. De si só quero uma coisa!
__Diz lá, serei toda ouvidos!...
__Quero que se desvie um pouco pois está a tirar-me o sol...
O meu Fado não é mais
Que desilusão tamanha
É o Fado de um arrais
Traído p'la companha!
Neste mar encapelado
Onde campeia a ambição
Tenho o destino marcado
Pelo punhal da traição.
Não é fácil pilotar
Neste mar de agitação
Quando há gente a apunhalar
Quem lidera a embarcação!
Casco já está bem furado
Por picaretas falantes
Discurso sempre toldado
Por ambições aberrantes...
De Gaia um tal garnizé
Já o barco abandonou
Só dava tiros no pé
A si próprio abalroou!
O elefante da Madeira
Tem mais tromba que moral
Picareta palradeira
Pica pau... mas pica mal!...
Sereias de corrupção
Maviosas no cantar
Seduzem tripulação
Querem ver-me soçobrar!
O leme querem pra si
Ó «vã glória de mandar»
Engenho e arte não vi
Só têm arte... no palrar!...
Passei Cabo das Tormentas
Paciência há que ter
Talvez um soco nas ventas
Os fizesse adormecer...
Todos estamos a prazo
Ninguém é a excepção
Caminhamos para o ocaso
O sol renasce! Nós não!
Resistir, resistirei,
Zarparei ao alto mar
Ao leme sempre estarei
Com abutres... a piar!!!
-----
------
Ao leme sempre estarei
Com abutres... a piar!!!
RESPEITO E CARINHO, PRECISAM-SE!

Oui, oui, «Un chien comme nous!» de Manuel Alegre, c'est formidable!
Torturar os animais
Não é humano, decente,
É próprio de irracionais
De gente que não é gente.
Corrigir mentalidades
Sanear comportamentos
Evitar atrocidades
São sempre os nossos intentos.
Nudez forte da verdade
Sempre mais imperativa
Homem é ferocidade
Às vezes... fera escondida!
Desfraldemos a bandeira
Do respeito e do amor
Estamos todos na trincheira
Da erradicação da dor!
Vem aí um novo partido: o P.C.F.
Os politólogos da nossa praça ainda não se aperceberam dele. Mas, pé ante pé, subrepticiamente, ele anda por aí. Tem um porta-voz, um emblema, um «padrinho»...
Abortou o tal «Partido Federalista» de Jardim. Foi um nado-morto. Contudo a ideia foi germinando. Há cabimento no actual espectro político-partidário. Desde a extinção do PRD que faz falta um novo partido. O povo já está farto das mesmas caras, dos mesmos rostos prometendo ilusões e traindo essas promessas na primeira curva. Daí ao novo partido vai um pequeno passo.
Pela enésima vez o tal porta-voz veio a público verberar Manuela Ferreira Leite. Que não presta. Que não galvaniza. Que só diz dislates e comete gaffes.
É óbvio que MFL cada vez que fala treme o Carmo e a Trindade. Ela está realmente a lutar contra o tempo mas o tempo vai-a derrubando. Cada vez mais isolada, mais acossada, mais encurralada num labirinto esmagador. Ela sente o tapete a fugir-lhe debaixo dos pés...
Só um ingénuo não se apercebe deste fim próximo. Mesmo Marcelo Rebelo de Sousa, ao dar o dito por não dito, fez apenas um compasso de espera, um mea culpa estratégico.
Jardim, lá da Madeira, vai atroando os ares com as suas visões apocalípticas. Esta mulher, de facto, está condenada, mesmo antes de ir às urnas. Ela saberá a seu tempo atirar a toalha ao chão... Ela não se deixará esturricar neste lume brando que alguns teimam em atiçar. Ela sabe que o fim político está próximo.
Sócrates, matreiro e arguto, já viu que neste país de brandos costumes só uma jogada à Jardim (eleições antecipadas...) o salvará de uma vitória pírrica se se cumprir o calendário eleitoral. Por isso tudo fará para precipitar uma IGV (Interrupção Voluntária de Governação...), para colher os dividendos dela...
O tal novo partido está expectatnte. Sabe que MFL é uma carta fora do baralho. Mas receia um partido concorrente (de Manuel Alegre e alguns pares...), daí as necessárias cautelas.
Então, se Sócrates precipitar as eleições, tudo se esboroará. Daí que alguns tiros no escuro sejam lançados como que aviso à navegação.
O tal partido inovador (com velhos timoneiros...) quer ser a tal pedrada no charco. Mas não sabe bem como fazer o «parto»...
Refiro-me ao P.C.F.. Alguns apodá-lo-ão de P.P.F.. Mas na essência é o mesmo!
Nota Final: P.C. F. = Partido dos Camartelos Falantes
P.P.F. = Partido das Picaretas Falantes
Abortou o tal «Partido Federalista» de Jardim. Foi um nado-morto. Contudo a ideia foi germinando. Há cabimento no actual espectro político-partidário. Desde a extinção do PRD que faz falta um novo partido. O povo já está farto das mesmas caras, dos mesmos rostos prometendo ilusões e traindo essas promessas na primeira curva. Daí ao novo partido vai um pequeno passo.
Pela enésima vez o tal porta-voz veio a público verberar Manuela Ferreira Leite. Que não presta. Que não galvaniza. Que só diz dislates e comete gaffes.
É óbvio que MFL cada vez que fala treme o Carmo e a Trindade. Ela está realmente a lutar contra o tempo mas o tempo vai-a derrubando. Cada vez mais isolada, mais acossada, mais encurralada num labirinto esmagador. Ela sente o tapete a fugir-lhe debaixo dos pés...
Só um ingénuo não se apercebe deste fim próximo. Mesmo Marcelo Rebelo de Sousa, ao dar o dito por não dito, fez apenas um compasso de espera, um mea culpa estratégico.
Jardim, lá da Madeira, vai atroando os ares com as suas visões apocalípticas. Esta mulher, de facto, está condenada, mesmo antes de ir às urnas. Ela saberá a seu tempo atirar a toalha ao chão... Ela não se deixará esturricar neste lume brando que alguns teimam em atiçar. Ela sabe que o fim político está próximo.
Sócrates, matreiro e arguto, já viu que neste país de brandos costumes só uma jogada à Jardim (eleições antecipadas...) o salvará de uma vitória pírrica se se cumprir o calendário eleitoral. Por isso tudo fará para precipitar uma IGV (Interrupção Voluntária de Governação...), para colher os dividendos dela...
O tal novo partido está expectatnte. Sabe que MFL é uma carta fora do baralho. Mas receia um partido concorrente (de Manuel Alegre e alguns pares...), daí as necessárias cautelas.
Então, se Sócrates precipitar as eleições, tudo se esboroará. Daí que alguns tiros no escuro sejam lançados como que aviso à navegação.
O tal partido inovador (com velhos timoneiros...) quer ser a tal pedrada no charco. Mas não sabe bem como fazer o «parto»...
Refiro-me ao P.C.F.. Alguns apodá-lo-ão de P.P.F.. Mas na essência é o mesmo!
Nota Final: P.C. F. = Partido dos Camartelos Falantes
P.P.F. = Partido das Picaretas Falantes
QUE DE PESSIMISMO!!!
«Ele é um céptico!», disseram eles. E o negócio de Porto Rico lá avançou contra o parecer do céptico...
As ligações de Dias Loureiro ao libanês Abdul el-Assir não deixavam antever grande prosperidade. Jordão bem tentou impedir o negócio, mas foi considerado um céptico e o negócio concretizou-se. O Banco Português de Negócios era a arena onde Dias Loureiro e Oliveira e Costa se moviam com uma perícia digna de enguia. Os contactos, eufemismo que Dias Loureiro usa com demasiada frequência, lá estavam, no local certo, para o negócio certo.
Abdul El-Assir é figura de proa e velho conhecido de Dias Loureiro estando presente até em casamentos e festas muito in. O seu mundo é de outro mundo. Mais sub-mundo que outra coisa!...
O país devia estudar estes casos e estas ligações perigosas para saber a nata que nos desgoverna ou desgovernou. É este país onde se insulta o pobre, o pequeno, o humilde, e se louvaminham sinistras criaturas que eram dignas de figurar na filmografia de Fellini. Neste país são levados a tribunal deputados municipais, vereadores, que emitem pareceres negativos sobre os Corleoni que por aí pululam. Neste país de brandos costumes, as TV 's e as revistas cor-de-rosa se encarregam de branquear as imagens de tais nefandas criaturas, enquanto os tribunais se esquecem de quem, no regabofe nacional, se banqueteia forte e feio com o beneplácito de «surpevisores» (não me refiro só a um, há vários...) medíocres (ou domesticados...) que abocanham alguma fatia do bolo, degustam com afã o «bolo-rei» da mega-corrupção!
Pobre país que precisa de uma vassourada a sério! a cleptocracia de colarinho branco campeia e tem o «aval» de «augustas eminências» (mais pardas que os excrementos), tem o aplauso dos media sempre atentos, veneradores e servis,
perante tais suprassumos de moralidade e de civismo!
Depois, chamam «bando de loucos» a quem tem a coragem de chamar os bois pelos nomes, a quem não verga, não se acobarda, não se põe de cócoras perante o «bando de predadores» que vão levando a Pátria à falência, vampiros que sugam o erário público até ao tutano!
Pobre país que tais vampiros gera, pobre país que tais sanguessugas deixa parasitar no seu bojo!
Haja dignidade meus senhores!!!
O país precisa de uma «Operação Mãos Limpas»! Mas que seja alguém de «Mãos Limpas» de facto, a fazê-la! Se não, chame-se o juiz Baltazar Garzon!...
sexta-feira, dezembro 05, 2008
QUE DE OPTIMISMO!!!
O senhor Presidente da República afiançava que o nosso mal era o pessimismo militante! Eu, ao garantir o aval para o BPP, estou a dar provas de grande optimismo e assumo o risco. Se a falência surgir, mais tarde, o Estado assumirá as consequências. Mas tenho fé que os mercados financeiros vão reanimar, a economia vai prosperar, o terrorismo vai ser erradicado, o futuro será promissor. Se não for, não me poderão acusar de pessimismo!...Esta crise é vendaval
Mar batendo nos penedos;
Vão indo os anéis... e o mal
É que podem ir os dedos!...
Falências e mais falências
Portugal está por um triz
Ladrões? Supercompetências!
Vão desgraçando o país!
Alves dos Reis é o que há mais!
Na banca é forrobodó
Com fortunas colossais
Só um vai pró xelindró!...
Viveram à tripa forra
Com luxos de marajás
O governo, que os socorra!
Mandam! E o governo faz!
NOTA FINAL: O optimismo, se exagerado, pode não ser uma virtude... apenas ingenuidade!
Há que dizer «Basta!»

Nunca tantos engordaram tanto, em tão pouco tempo! Que choldra!
É asnocracia pura
O Povo diz em segredo
Um asno-mor sem cultura
Impõe o culto do medo!
Serve-se dos tribunais
Que procura capturar
Plumitivos nos jornais
Também almeja açaimar!
Império dos asnocratas
Tem na opacidade o meio
De ocultar negociatas
Facturando forte e feio!
Transparência há-de surgir
Custe lá o que custar
O Povo não vai dormir
No momento de ir votar!!!
quinta-feira, dezembro 04, 2008
O DILEMA DE SÓCRATES
Faça o que fizer, terei gregos ou troianos à perna...Ele deitou-se tarde. A preocupação era latente no seu rosto. Como era difícil ser primeiro ministro!...
De tarde tinha ido à bruxa e ela fora inconclusiva. A questão era candente, obsessiva, de capital importância. O país estava pendente da sua decisão!
Então lá caíu nos braços de Morfeu, ia adiantada a madrugada.
Um sonho começou a apoderar-se dele. Estava em plena selva. Atravessava um desfiladeiro numa corda improvisada. Ia-se equilibrando com um ramo tosco de bambu. Lá ao fundo, de um lado e do outro do desfiladeiro, os caldeirões ferviam e os canibais só aguardavam que ele caísse para o devorarem.
Enfim, os suores frios eram abundantes. O seu estilo de animal feroz, de sobrevivente na selva da política estava a ser posto à prova. Quer à direita quer à esquerda não tinha escapatória: seria devorado pela certa!
Recordava-se de em tempos dizerem: «É preciso desmantelar o Estado, é preciso reduzi-lo ao mínimo, emagrecê-lo. A iniciativa privada tem que ter liberdade total para assumir os riscos...»
Agora, aqueles canibais famintos já diziam o contrário: «É preciso salvar o BPP! o Estado tem que intervir pois há risco sistémico! é o bom nome do país que está em causa!»
Do outro lado do desfiladeiro (o lado esquerdo) gritava-se: «Os ricos que paguem a crise que criaram! Foram jogar na roleta do casino e agora querem que seja o povo a pagar o vicio? Malandros, vão trabalhar! Vão para as minas de Aljustrel que bem precisam de recursos! Dar dinheiro ou mesmo só dar-lhes aval é traír os trabalhadores, é roubar os contribuintes, é traír quem paga impostos!»
Enfim, estava quase a atingir o muro final. Já via luz ao fundo do túnel de desespero. Era a salvação!
Só então reparou que esse muro estava também ocupado por canibais! A pintar em vários paineis! enfim, até na selva se viam painéis e mais painéis!...
Um painel dizia SIC. O outro dizia EXPRESSO. O líder dos canibais era Balsemão!
Que estava escrito nesses painéis?
Simplesmente isto: «ESTADO SÓ HÁ UM O ESTADO-PROVIDÊNCIA E MAIS NENHUM!»
Então Sócrates acabou a travessia do desfiladeiro e pôs-se a bater palmas aos pintores! Estava salvo! Aceitou as ordens dos canibais!
E também foi salvo o BPP! Fez o milagre da multiplicação dos avales!
Deus, lá no seu gabinete celestial, qual Big Brother do universo, soltou uma sonora gargalhada e
deixou-se caír nos braços de Morfeu!...
A intemporalidade do sonho!

__Será que a Igreja perdoa o amor?!
__Claro! Desde que os pecadores paguem bem, podem amar eternamente! Até amar o poder de forma viciante, obsessiva, patológica!
Que tal alguns milhões de euros para o JM? Se falir, há «risco sistémico»!!!
O verbo amar não pode ser conjugado no passado nem no futuro, só no tempo presente!
Aqui e agora eu digo: finalmente chegou alguém
que me satisfez!
Intemporalidade incandescente
Sol de afectividade que ilumina
Quem quer viver a vida livremente
Fora de sociedade tão cretina...
Teus lábios são vulcão, magma a ferver,
Teus olhos, dois faróis que nos conduzem
Ao formoso regaço a prometer
Séculos de fulgor... que ainda reluzem...
Acabou essa espera insaciável
Terminou o suplício da carência
Metamorfose onírica, saudável
Fecundou esse anseio, essa apetência,
Tão platónica, tão incontrolável,
Tão telúrica, só mundivivência!
Aqui e agora eu digo: finalmente chegou alguém
que me satisfez!
Intemporalidade incandescente
Sol de afectividade que ilumina
Quem quer viver a vida livremente
Fora de sociedade tão cretina...
Teus lábios são vulcão, magma a ferver,
Teus olhos, dois faróis que nos conduzem
Ao formoso regaço a prometer
Séculos de fulgor... que ainda reluzem...
Acabou essa espera insaciável
Terminou o suplício da carência
Metamorfose onírica, saudável
Fecundou esse anseio, essa apetência,
Tão platónica, tão incontrolável,
Tão telúrica, só mundivivência!
Florbela, meu amor!...
Já faleceu há tantos anos, já passaram tantas primaveras, tantos por-do-sol, mas a sua mensagem sensual, a sua ânsia de um amor pleno e apaixonado, continuam presentes no nosso imaginário.
Quem não gostaria de receber um poema como este?!
Se tu pudesses ver-me....
Se tu viesses ver-me hoje à tardinha
A essa hora dos mágicos cansaços,
Quando a noite de manso se avizinha
E me prendesses toda nos teus braços...
Quando me lembra: esse sabor que tinha
A tua boca... o eco dos teus passos...
O teu riso de fonte... os teus abraços...
Os teus beijos... a tua mão na minha...
Se tu viesses quando, linda e louca,
Traça as linhas dulcíssimas dum beijo
E é de seda vermelha... e canta e ri...
E é como um cravo ao sol a minha boca...
Quando os olhos se me cerram de desejo...
E os meus braços se estendem para ti...
Florbela Espanca
Nota final: Isto sim, é amor, é paixão, é ânsia pura de um amante que tarda em chegar. Mas que será devorado pela sua sede de amar...
Era assim naquele tempo de tabus, mistérios, censuras, repressão da líbido. Imagino Florbela como uma Brigitte Bardot nos tempos áureos, uma Ursulla Andrews (como Bond girl...) ou uma Soraia Chaves de antigamente, uma mulher muito à frente do seu tempo e vítima desse desfasamento temporal. Enfim, as pérolas literárias nascem assim, por força deste desajuste, talvez como as pérolas autênticas, que são fruto de uma disfunção na ostra... é nesse combate ao tal desajuste que nasce a preciosidade...
Florbela, vou corresponder ao teu apelo. Esta noite contigo estarei. Amanhã darei conta do nosso encontro. Não me desiludas...
quarta-feira, dezembro 03, 2008
ESPLENDOR NA RELVA! RONALDO COROADO REI!

No pódio da bola está
justamente alcandorado,
dizem que melhor não há,
atingiu pico dourado
um patamar de eleição
orgulho de toda a gente
que à bola dá atenção
e nos merece obviamente
o respeito nacional
pois sua arte e magia
o fulgor excepcional
como que consubstancia
a suprema concepção
a simbiose perfeita
entre a poesia e a acção
em que o mago nos deleita
dando belos recitais
tão dignos de antologia
criativos por demais
tão geniais, eu diria,
a roçar a perfeição
no limiar divinal,
esplendor, coroação
merecida, natural,
do jogador maravilha
que encantou a Terra inteira,
filho dilecto da Ilha
deslumbrante que é a Madeira,
e símbolo excepcional
do lusitano rincão,
deste nosso Portugal
que nos enche o coração!
segunda-feira, dezembro 01, 2008
Hino à «Obra do Século»
Camões escreveu«osLusíadas» para honrar a epopeia dos portugueses nomeadamente a descoberta do caminho marítimo para a Índia.
Há sempre uma obra literária a honrar um feito qualquer.
Embora de menor gabarito o parque subterrâneo da Av Mouzinho, na Póvoa, «Obra do Século»,
merece também um tributo. Modesto que seja, aqui vai uma homenagem e uma sugestão para o pleno aproveitamento da dita cuja.
Era um grande aparcamento
A tal «Solução Final»...
Às moscas neste momento
Refúgio de algum animal.
Pulmão da cidade deu
Só achas para a fogueira
Muito dinheiro ardeu
Na maldita buraqueira!
Há que animar a cidade
Não vamos chorar de pranto;
Como dar utilidade
A este «Elefante Branco»?!
Exposição de animais
Ou feira de antiguidades,
Ou trabalhos picturais
De jovens com qualidade...
Este espaço a não perder
Às moscas não deve estar
Talvez local de lazer
Ou pista pra patinar!
Mostra de filatelia
Ou quiçá de numismática
Uma sessão de magia
Ou... de hipnose uma aula prática!...
Os exemplos poderiam multiplicar-se
a aplicações tão diversas que deixo à consideração
dos «homens bons» desta linda terra a oportunidade
de corrigirem um «tiro que saíu pela culatra»...
Há sempre uma obra literária a honrar um feito qualquer.
Embora de menor gabarito o parque subterrâneo da Av Mouzinho, na Póvoa, «Obra do Século»,
merece também um tributo. Modesto que seja, aqui vai uma homenagem e uma sugestão para o pleno aproveitamento da dita cuja.
Era um grande aparcamento
A tal «Solução Final»...
Às moscas neste momento
Refúgio de algum animal.
Pulmão da cidade deu
Só achas para a fogueira
Muito dinheiro ardeu
Na maldita buraqueira!
Há que animar a cidade
Não vamos chorar de pranto;
Como dar utilidade
A este «Elefante Branco»?!
Exposição de animais
Ou feira de antiguidades,
Ou trabalhos picturais
De jovens com qualidade...
Este espaço a não perder
Às moscas não deve estar
Talvez local de lazer
Ou pista pra patinar!
Mostra de filatelia
Ou quiçá de numismática
Uma sessão de magia
Ou... de hipnose uma aula prática!...
Os exemplos poderiam multiplicar-se
a aplicações tão diversas que deixo à consideração
dos «homens bons» desta linda terra a oportunidade
de corrigirem um «tiro que saíu pela culatra»...
domingo, novembro 30, 2008
Sortilégio do mar-emigração
No mar-emigração também há ventos
Temporais, marés,também há sal,
São lágrimas vertidas no momento
Da saudade chorando Portugal.
No mar-emigração também há luz,
Também há sol, também raia o luar;
Quando há bonança, o mar também seduz
E o barco-amor também pode zarpar.
Na bruma da saudade, Portugal,
Imensidão de mar, com sal poesia
Reflecte bem a saga nacional.
Ó fonte inspiradora que nos cria
Agridoce ilusão, alto astral,
Ó mar-emigração universal.
Homenagem a todos os emigrantes que pelo Natal vêm matar saudades.
Temporais, marés,também há sal,
São lágrimas vertidas no momento
Da saudade chorando Portugal.
No mar-emigração também há luz,
Também há sol, também raia o luar;
Quando há bonança, o mar também seduz
E o barco-amor também pode zarpar.
Na bruma da saudade, Portugal,
Imensidão de mar, com sal poesia
Reflecte bem a saga nacional.
Ó fonte inspiradora que nos cria
Agridoce ilusão, alto astral,
Ó mar-emigração universal.
Homenagem a todos os emigrantes que pelo Natal vêm matar saudades.
Terrorismo,paranóia colectiva!
Teocracia louca, dementada
Cultivando um fervor liberticida
Mensagem tão insana, alucinada ,
Terrorista pulsão,vil, homicida.
A fé cega, a doutrina do martírio
Caminho para o céu do fanatismo,
A paranóia à solta, o delírio
A submissão servil ao terrorismo.
Regrediu hommo sapiens, recuou
À barbárie mais tola, bestial,
O fundamentalismo obnubilou.
O mundo muçulmano, clerical,
Na madrassa corânica quedou
Cada vez mais ficou irracional.
In memoriam às
vítimas do massacre de Bombaim
Novembro de 2008
Cultivando um fervor liberticida
Mensagem tão insana, alucinada ,
Terrorista pulsão,vil, homicida.
A fé cega, a doutrina do martírio
Caminho para o céu do fanatismo,
A paranóia à solta, o delírio
A submissão servil ao terrorismo.
Regrediu hommo sapiens, recuou
À barbárie mais tola, bestial,
O fundamentalismo obnubilou.
O mundo muçulmano, clerical,
Na madrassa corânica quedou
Cada vez mais ficou irracional.
In memoriam às
vítimas do massacre de Bombaim
Novembro de 2008
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