rouxinol de Bernardim

Um blogue plurifacetado procurando abordar questões de interesse sob perspectivas diversificadas. A independência sim, mas sempre subordinada a parâmetros de bom senso, de optimismo e de realismo.

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sábado, julho 06, 2013

O Cavaco que eu idealizei...


Fui dos primeiros apoiantes de Cavaco Silva, imbuído daquela simplicidade dos crédulos, cheio daquela fé genuína que sublima até os próprios defeitos criando uma auréola em torno da figura. Tinha carisma, tinha espírito de missão, tinha uma ideia para Portugal.
 Apagando tudo o que se tem passado, olvidando os seus excessos, os seus erros, os seus pecados, eu imagino Cavaco Silva  a resolver de forma pedagógica esta crise, dando ênfase ao dramático estado das nossas finanças, pondo o acento tónico na periclitante economia, chamando a atenção para o danoso contexto envolvente. Esse Cavaco Silva «ressuscitado» faz falta ao país!

Fazer desta crise uma oportunidade. Chamar à pedra o PS e dizer-lhe mais ou menos isto:

Foi um erro o chumbo do PEC IV. A ânsia de ir ao pote levou a uma série de situações graves que estão para além dos esforços da atual coligação. Agora, o desgaste é enorme, se houvesse eleições o PS aproveitaria o distanciamento que tem tido e  o alheamento das principais decisões gravosas para  o eleitorado e ganharia com relativa facilidade. O pior é o seguinte: com quem se coligaria para fazer uma maioria estável?

Com os partidos à sua esquerda não seria possivel pois exigem um rompimento com a troika. E nos tempos mais próximos não há alternativas credíveis a ela. Logo, ficaria o CDS como muleta natural. O PSD ficaria na oposição a cavalgar a onda do descontentamento preparando-se para ressurgir mais tarde ou mais cedo.

Ora isto é o primarismo mais redutor.

 Este cenário teria custos gravosos atendendo ao dramático momento que respiramos. O circo eleitoral seria mais uma acha para a fogueira da crise. Os custos seriam a queda para o abismo iminente!

Por que não adentro do actual quadro fazer uma proposta de governação tripartida, envolvendo o PS ou figuras de alto gabarito a ele ligadas e retirando os dois líderes (do PSD e do CDS) desse quadro governamental?

Seria um governo de coesão nacional, preparado para governar com eficácia e com rigor, não preocupado com sondagens, com manifs, com impactos eleitorais?

Quem seria a figura charneira capaz de aglutinar as sensibilidades aqui representadas?

Esse seria um caso a estudar e a ponderar bem  por todos os partidos em ordem a um consenso alargado. A partir dessa figura seria elencado um naipe capaz de desenhar uma estratégia salvadora. Talvez ainda se fosse a tempo de evitar um segundo resgate. Senão... a Grécia está no nosso horizonte ... de curto ou médio prazo, ninguém se iluda!!!

Esta plataforma tripartida, sem os líderes partidários (talvez mais empenhados em preparar os partidos para a caça ao voto), deveria ter um amplo apoio nacional e deveria ter uma competência inquestionável para não dar azo a contestações e birras como as que têm fustigado este governo.

Assim este governo de COESÃO NACIONAL estaria apto a enfrentar os ventos da contestação, os ódios de estimação que irão surgir dado o impacto de certas medidas e colocariam o país a salvo dos humores dos mercados sempre votáteis e nervosos...

A minha dúvida é esta: será que esse Cavaco Silva que eu idealizei ainda existirá?! Terá força moral para abrir os olhos às força políticas para a imprescindibilidade de um governo desta idiossincrasia?