rouxinol de Bernardim

Um blogue plurifacetado procurando abordar questões de interesse sob perspectivas diversificadas. A independência sim, mas sempre subordinada a parâmetros de bom senso, de optimismo e de realismo.

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domingo, agosto 19, 2007

Chavez "versus" Bush! O diabo que escolha!...




Hugo Chavez e George W. Bush são, cada qual à sua maneira, dois "excessivos" no concerto democrático mundial...
Longe vão os tempos em que, sob o manto diáfano do "internacionalismo proletário", o imperialismo soviético procurava a hegemonia mundial face ao seu mais directo rival:
os USA.
Passou a era da "guerra fria", mudaram os principais actores na cena universal, os então denominados "não-alinhados" hoje já não constituem um poder organizado com pretensões a ser alternativa aos dois "grandes blocos"...
Assiste-se, isso sim, a um fenómeno curioso: Hugo Chavez procura ser um "herdeiro" de Fidel Castro no xadrês latino-americano, tentando aglutinar forças no sentido de minimizar os efeitos do "bushismo" a todos os níveis. Num estilo populista e algo quixotesco tem arrebanhado alguns Estados sobretudo à custa de uma arma hoje em dia poderosa: o petróleo...
Bush, cada vez mais desacreditado internamente, cada vez sentindo mais os efeitos do incontrolável "vespeiro" iraquiano, continua num plano inclinado rumo ao inevitável abismo.
Bush é responsável por um Estado Democrático mas invadiu o Iraque violando os mais elementares princípios do direito internacional. Os USA recusam o protocolo de Kioto e não querem subordinar-se ao TPI. Enfim, julgam-se polícias do mundo, e, de forma um tanto arbitrária, tentam perpetuar a hegemonia a nível universal.
Haverá credibilidade para criticar Chavez (que agora pretende "legalizar" uma subtil perpetuação no poder, um pouco sob a esteira de Fidel) na cena internacional?
Chavez procura dar uma "capa legal" à sua ânsia de perpetuação no pódio. Bush não respeitou a "capa legal" (direito internacional) para invadir o Iraque. Quem é mais autocrático?
Democracia é palavra susceptível de variegadas interpretações, de múltiplas cambiantes, de plurifacetadas leituras. O império da lei, quantas vezes feito à custa de uma excessiva governamentalização da justiça, tem dado azo a ditaduras com rótulo democrático. Hitler fez o que fez graças ao suporte fiel e servil de magistrados corruptos, venais, sem dignidade. Daí que em Nuremberga a História tenha lançado para a "vala comum" os magistrados responsáveis pelo massacre judeu e pela cadeia de violências e ilegalidades perpretadas. Hitler não estava sozinho.
A justiça é um pilar fundamental num Estado de Direito. Se essa justiça claudicar, se se deixar subornar, abastardar, seviciar pelo poder, então a democracia estará ferida de morte.
Hugo Chavez procura ter cobertura legal. Se o conseguir, quem o poderá chamar de ditador, mesmo sendo-o de facto? Se a constituição permitir (e der beneplácito a) uma espécie de monarquia em regime republicano, de consagrar uma certa forma de "perpetuação no poder", quem poderá retirar-lhe o rótulo democrático?
Quando vemos, no nosso próprio país, pessoas arrogando-se o direito de contestar a legalidade vigente, sob os mais ridículos pretextos, e sendo essas pessoas tidas por "democratas", como poderemos chamar "ditador" a Hugo Chavez?
O país vive em autênticos micro-climas (politico-administrativos) onde a legalidade é coisa decorativa e supérflua, imperando, de forma despudorada, o caudilhismo bacoco, o populismo degradante, acobertado pelo manto diáfano da clubite aguda, assemelhando-se a monarquias autocráticas e despóticas, que moral há para lançar Hugo Chavez no pelourinho?

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