sexta-feira, março 13, 2009

Perguntas incómodas...

Só queria saber por que não deixam jogar o Mantorras!? O Quique Flores não gosta mesmo nada dele! Os negros vão sempre pró banco... Ouviste ó Filipe Vieira, a gente toma nota de tudo. Quando vieres cá ao Sambizanga vais corrido à pedrada. Fazemos como fez aquele tal de Ruas de Viseu!...Esse sim, tem esperto nos cabeça!

quinta-feira, março 12, 2009

ANGOLA É NOSSA!

A vinda da comitiva angolana a Portugal enfrentou alguns comentários desencontrados e dignos de meditação profunda.

Fui, como piloto aviador, para Angola, convicto de que estaria numa guerra com fim à vista e com objectivos determinados no tempo e balizados por um desiderato final exequível e bem alicerçado numa visão histórica realista.

Enganei-me. Constatei uma filosofia de saque e vampirização totais sem parâmetros teleológicos. Não havia um fim em si, aquela guerra era um meio para defender a exploração e as grandes ambições de uma clique anichada no poder em Lisboa. Desde muito cedo defendi uma situação de realismo histórico. O general Norton de Matos era o patrono dessa ideia que muitos pefilhávamos. Era preciso criar condições (sociais, económicas e políticas ) para a autodeterminação. A guerra seria um dos meios mas teria de haver (em paralelo) um substrato político conducente ao objectivo final: a autodeterminação. Lutar só para defender um status quo caduco e retrógrado era tempo perdido... pensava eu e pensavam muitos de nós, sobretudo os com formação universitária.

Fui vexado, sobretudo numa reunião havida em casa do professor Santos Júnior (professor universitário então em Luanda- morador na rua cidade de Lisboa), em que defendi esta convicção. Julgo que houve dedo do poder político para me ser feita uma deslocalização: queriam que fosse para Moçambique. Que eu teria um problema de adaptação local. Recusei ir para Moçambique e fui evacuado para a então Metrópole. Passei as passas do Algarve. Enfim, perseguições de um tempo ominoso e mesquinho em que quem não era totalmente a favor de tudo era ostracizado.


Hoje, ainda se passa algo similar nalguns partidos. Não admitem a contestação por mais clarividente e lógica que seja. Ou se é totalmente (estilo cão de guarda) ou se não é!

A vinda do presidente angolano é uma porta aberta para uma saída à nossa crise. Que há violação de direitos humanos, dizem alguns, com alguma razão. Cá também os há (em menor escala). Há que ser realista e enfrentar esta oportunidade com olhos de futuro. Angola pode ser um novo Brasil, tem potencialidades e virtualidades inexploradas. É preciso acreditar e partilhar com os angolanos a aventura do enriquecimento colectivo.

A guerra é um desperdício, uma doença, um fardo. O desafio do desenvolvimento é urgente para tirar do subdesenvolvimento muitas populações. Dar as mãos, sem o malfadado binómio explorador-explorado que foi a causa-mor da nossa tragédia ultramarina, é o que se impõe.

O governo e o presidente da República fizeram bem em receber com a dignidade e com o prestígio necessário um aliado que pode ser parceiro comercial privilegiado. Bem hajam! Sejam bem-vindos os angolanos se vierem por bem!

Agora, Angola e Portugal, definitivamente livres, sem peias neocolonizadoras, devem remar em conjunto rumo ao mar-prosperidade!

E que Deus nos ajude a todos.

A pergunta (indiscreta) do Senhor Golias...

__ E tu, David, tens funda ou não tens funda?
__Senhor Golias, com essa gabarolice é que o senhor se afunda!!!

A Praga dos Capones...


Darwin é que tinha razão: os mais fortes sobrevivem...
os mais fracos sucumbem! Eu sempre tive essa visão das coisas!

Gafanhotos-Capones nos devoram

Quais vampiros sedentos de mais sangue;

Em Midas ou Mecenas se arvoram

Com eles o país 'stá quase exangue!

Eucaliptos danosos secam tudo,

À sua volta é fome e privação

O povo, resignado, fica mudo

Nada faz pra mudar a situação!

Os pobres são forretas, é o mal!

Mas eles... são magnânimos ... e dão

O que saíu do erário nacional!

O país vegetando, na exaustão,

A pandemia-fome é mal geral

Os Capones são donos da nação!


quarta-feira, março 11, 2009

Entrevista com Manuel Alegre!


__Então dizem que anda a ser um parasita do PS? __ atirei-lhe de chofre.
__Eu sei que dizem isso, de facto__ concordou sem hesitar. __Mas estão todos errados. Há guerras intestinas em todos os partidos, mas eu não sou parasita intestinal, sou a flora boa que impede a putrefação do trato intestinal. Sou o veículo regenerador, sou o anti-oxidante, sou o dinamizador da função digestiva no partido...
__Mas, dizem também que faz parte da campanha negra, que é uma espécie de Adamastor que vai minando os alicerces do partido...
__Já tenho ouvido isso sim senhor. Mas garanto-lhe que eu sou o próprio alicerce moral do PS, fui eu que ajudei a edificar a estrutura moral e cívica do partido. Quero manter essa estrutura e vejo que se está a desvirtuar. Uso a ética numa dialéctica permanente com os mandantes que querem fazer de mim um pau-mandado. Mas enganam-se! num partido democrático e pluralista há e haverá sempre uma interacção dialéctica permanente entre mandantes e mandados, os mandantes deveriam saber que são (ou deveriam ser...) co-mandantes!...
__Essa do co-mandante faz-me lembrar o guerrilheiro Che Guevara. Sente-se um gurrilheiro dentro do PS?
__Sou um combatente da verdade. Sou um lutador pela coerência entre promessas e objectivos a atingir. Sou um catalizador de entusiasmos nas vésperas das eleições e não admito ser encostado às boxes quando se trata de tomar decisões importantes. Se dizem que parasito, também já fui parasitado, a minha imagem foi usada para branquear «contos proibidos» que enlamearam o partido no passado. Fui usado como branqueador, não me venham agora acusar de denegridor. Um partido deve ser uma catedral de transparência e não um sepulcro caiado por fora e corrompido por dentro. Sou um guerrilheiro pela transparência, pela dignidade democrática, pela cidadania autêntica.
__Mas vai a caminho de uma ruptura ou só está a tentar regenerar o PS?
__Boa peregunta. O futuro a Deus pertence. Só sei que nada sei. Não ando sozinho nesta vida partidária. O que decidirem colectivamente todos os que apoiam a plataforma regeneradora que se revê no meu ideário assim se fará. Aguarda-se uma postura de diálogo da liderança actual. Se não surgir...
__Então baterá com a porta?
__Há sempre portas a baterem todos os dias e em todos os lugares...
Nota final: Isto é ficção. Não é fácil penetrar na mente dos outros. Por vezes nem os próprios conseguem fazer a necessária introspecção e chegar a conclusões definitivas. O mundo (e toda a gente, também) é feito de mudança. Mudam-se os tempos mudam-se as vontades...

Imaginação & coragem!

Sócrates: __Ó Zé, tu és realmente corajoso, pá! aquela de pôr uma placa a anunciar uma ETAR na Aguçadoura, quando ela não existia, é genial! imaginação delirante, pá!!!

Macedo : __ Ó Zé, mas tenho cá uma melhor ainda!

Sócrates: __Sou todo ouvidos, pá! diz lá!

Macedo: Na próxima campanha para as legislativas vou mandar fazer um cartaz

contra o PS, em que tu apareces a dizer «HÁ SEMPRE UM FREEPORT DESCONHECIDO À SUA ESPERA!»

Sócrates: __ Vê lá se tens juizinho se não ainda mando uma inspecção para verificar essa coisa das horas extraordinárias que tu não tiveste coragem de mostrar à oposição! Seu cobardolas!

Nota Final: Isto é pura ficção. Quanto ao facto de a imagem estar enegrecida, não significa que se insira numa campanha negra. É que a obtive do blog www.trenguices.blogspot.com e a qualidade não era das melhores.
Quanto à tal E.T.A.R., havia a intenção de a construír. Talvez fosse só a intenção...
Quanto ao «caso Freeport» há que referir ser abusivo incluír o primeiro-ministro no rol dos suspeitos pois ele (ainda) não o é, e tem direito à presunção de inocência...

terça-feira, março 10, 2009

ÉTICA? Sim, obrigado!...

ÉTICA



Sem ÉTICA não há democracia
Respeito, dignidade, humanismo;
Ela é alma, matriz, cidadania,
Símbolo de carácter, de civismo.



Liberdade plural pressupõe ÉTICA,
Premissa e alicerce da verdade,
Crença numa visão quase profética
De uma vivência humana na bondade.



Um mundo novo temos que erigir
Balizado no amor sem fronteiras,
Urbi et orbi pujante no sentir




Com ÉTICA a plasmar metas cimeiras
Para que a paz se possa construír
Tornando ainda mais sãs pátrias inteiras!




O país e o mundo inteiro precisam de ética como de pão para a boca. Democracia sem ética é populismo desbragado, clientelismo balofo, mediocracia.

O que vemos por aí?

Um PR que deveria ser um observatório atento e interventivo, tem sido mais decorativo do que imperativo. Fez caír o Carmo e a Trindade por causa do Estatuto dos Açores e depois nem sequer o levou ao Tribunal Constitucional, para fazer vingar a sua tese, o seu alarmismo sensacionalista destinado a consumo de ingénuos úteis.

O que fez na Madeira? Uma vergonha! um pactuar silencioso e cúmplice com um abuso de autoridade, um insulto à democracia autêntica, uma blasfémia ao espírito de Abril!

Que tem feito para incutir no espírito dos agentes políticos uma maior disciplina e respeito pela legalidade, uma legalidade alicerçada nos valores e enfrentando esse cancro da corrupção cujas ramificações vão conduzindo à anemia, à inanição totais.

Nada faz nesse sentido, limita-se a uns discursos estratégicos, em datas simbólicas, preenchendo o vazio que é a sua intervenção de fundo na sociedade.

Onde esta´a magistratura de influência onde o império da ÉTICA se deveria sobrepôr ao império da corrupção?

Na redoma doirada de Belém vai assistindo impávido e sereno ao desbobinar de um filme de longa metragem cujo final é desolador e pouco cor de rosa. O abismo na economia dá as mãos ao descalabro social, ao arbítrio nas autarquias, ao regabofe em certos sectores governamentais (não me posso esquecer daquele pagamento de trabalho jurídico não feito mas pago pelo ministério da educação...), mais virados para a calendarização eleitoral do que para uma vivência autêntica no quotidiano dos portugueses.

É a precariedade, a pobreza subreptícia, a gatunagem desenfreada, a criminalidade ostensiva e desenfreada, o laxismo nas grandes empreitadas e fornecimentos (poder central e local...), gerando uma perspectiva de desânimo, de resignação na opinião pública farta de ouvir piedosas intenções não corroboradas com actos concretos no terreno.

Os órgãos de supervisão e fiscalização são alvo de pressões descaradas e até de sanções (por tribunais mais ao serviço da nomenklatura do que da verdade!), quem quer pôr ordem na casa é levado a tribunal por «excesso de linguagem», ou por «atentado ao respeito» de algum Capone de baixo perfil moral e intelectual mas grande na venalidade, no esbulho, na ganância!

A ÉTICA faz muita falta! um novo paradigma moral e cívico, uma nova cidadania virada para a correcção de abusos, um novo estilo de governação a nível local e central. Sem o espavento dos carrões a ostentar uma dignidade que não condiz com a falta de dignidade no desempenho dos seus utentes! Sem a parafernália de liturgias cultuando um poder alicerçado na venalidade, no capricho, na corrupção mais doentia!

ÉTICA, seja bem-vinda e venha para ficar! eu estarei, como sempre estive, ao lado dela!

E que Deus a deixe ficar por muitos e bons anos! Já estamos fartos da corruptofilia!

Cavaco Silva lamenta...


Durante a campanha eleitoral Cavaco Silva fez promessas que não estavam dentro do seu âmbito específico. Invocou o facto de ser economista reputado (que o é) para afirmar que isso seria um factor de captação de investimento externo, de dinamização empresarial (interna) conducente ao desenvolvimento e incremento da actividade económica. Referiu que os agentes económicos sentir-se-iam motivados a grandes investimentos por causa de haver um presidente da República com a sua craveira.

Nessa altura tive oportunidade de questionar este tipo de intervenção. Ele estava a invocar méritos e a tecer considerações cuja exequibilidade seria remota.


Agora o que se vê?

Ele diz-se triste com a actual situação. Pergunto: que tem feito, no seu papel motor de captador de investimentos no sentido de minorar o actual estado de coisas?

A resposta não deverá ser muito animadora.

Vemos o país em recessão tremenda (ainda que importada e não directamente causada por ineficácia governativa, num determinado patamar...), o desemprego a galopar, a injustiça social cada vez mais gritante, o investimento estagnado, os horizontes cada vez mais sombrios.

Será de augurar um futuro brilhante? Que medidas tem tomado ou fomentado por interpostos agentes económicos para que o país possa saír do atoleiro?

Promessas eleitorais leva-as o vento. Ficar triste é muito pouco para quem tanto prometeu e encheu de esperança os milhares de portugueses que em si confiaram...

Abundam sim, a corrupção, o tráfico de influências, o carjacking, o trabalho precário, as falências, a prostituição, os endividamentos das famílias...


Os portugueses têm fartos motivos para estarem tristes consigo, senhor presidente!

Ainda não perceberam nada!

O Dr João César das Neves, conceituado economista da escola neoliberal, faz hoje as delicias de alguns leitores com uma saborosa crónica em que disserta sobre economia usando o bisturi da sátira.

É verdade que comemos (ou melhor, alguns comeram...) muito. Este «Teorema d'A canção de Lisboa» peca por não dizer quem comeu mais e quem comeu de menos!

Nós, a comunidade, não pode ser olhado como um dado bruto. É preciso analisar em profundidade. Quem leva os dinheiros sujos para off-shores? Somos «Nós»?

Eu não, isto mal dá para a sopa, e sofro, como a grande maioria, a angústia do fim do mês.

Será que foi o Dr João César das Neves? Talvez, quem sabe, ele diz «nós», portanto está a englobar-se a si próprio no rol dos que comeram à fartazana.

É preciso que se saiba quem de facto engordou, quem permitiu tal engorda, como se processou adentro da esfera económica.Quem permitiu tudo isso, quem não cuidou de zelar pela equitativa distribuição da «comida»!

Andam tantos aí a arrotar postas de pescada à custa de falências fraudulentas, de salários em atraso, de desvios chorudos quando o tempo era de vacas gordas e era preciso investir, modernizar, inovar, não o fizeram. Engordaram à tripa forra. E vem agora o ilustre professor (nutricionista q.b.) dizer que fomos «nós»!!!

Eu não, nunca, jamais! quem desviou que pague a crise! quem pactuou com tal obesidade que saia de cena e dê lugar a outros!

Ai, dr César das Neves, valha-nos Nossa Senhora das (e dos ) Neves!

segunda-feira, março 09, 2009

Portucale _ a «campanha negra»...

E tu rouxinol, podias usar a tua influência para denunciar esta miserável «campanha negra»
que se destina a fazer-nos descer nas sondagens. O caso Portucale é uma vergonha! Imagina servirem-se de escutas, não autorizadas por nós, devassando a nossa intimidade, acusando-nos de calúnias torpes, de infamias hediondas quando o vero responsável por tudo isto é um tal Jacinto Leite Capelo Rego!
São uns incompetentes estes gajos da PJ! Não foram capazes de descobrir a Maddie, como descobrirão o Jacinto Leite Capelo Rego?!
Foi ele o responsável por tudo o que se passou no caso Portucale!
Isto começa a cheirar muito mal! Só mexem com esta trampa em vésperas de eleições, é pra nos tramar!

A «síndrome dos serra da Estrela»...


Sim, sim, o rebanho está mais tranquilo! e os «serra da Estrela» cairam nos braços de Morfeu!
O país já andava farto dos picaretas falantes. Uma comunicação social «vendida» (ou «prostituída») todos os dias se encarregava de os pôr no ar, com aquele ar de tutores, ou de Messias capazes de tudo para salvar o partido. Enfim, ela, a Dra Ferreira Leite, não tinha perfil, não era capaz do tal clic, não sabia transmitir a mensagem! Ridículo, patético, estereotipado!
Aquelas criaturas (as picaretas falantes...) assumem-se como ajudantes na pastorícia partidária. Vitimados pela síndroma dos serra da Estrela estavam sempre a ganir conselhos, a latir palpites para que a pastora exercesse melhor a sua função. Eles, se ela falhasse, colocavam-se na lista dos candidatos ao lugar.
Se os lobos das oposições matassem a pastora, lá estariam eles, os cães-pastores, a suprir tal lacuna. Função supletiva, entenda-se... Um, quando esteve no lugar, parecia uma criança com uma brasa na mão, não descansou enquanto a não deitou fora...
Agora, como que por artes mágicas, silenciaram-se totalmente. O que se passou?
Não, o mérito não foi meu. De tanto os flagelar, de tanto ridicularizar tal postura,
eles poderiam ter caído em si. Não, o mérito não foi meu.
Cães gostam de ossos. Deliram com eles. Ora, um já se calou, pois saboreia as delícias do osso alfacinha (nem imagina como é duro de roer...), os outros vão aguardando os ossos que serão divulgados em Abril. Ela sabe gerir com mestria esta situação. Todos caladinhos sem tugir nem mugir para que os tais ossos não
caiam em bocas por eles não tuteladas...

Salgado Zenha, saudosa recordação


Mário Soares disse : __Salgado Zenha é a consciência moral do partido socialista!
Parece que ainda estou a ouvi-lo dizer isto. A situação era grave. Uma cegueira totalitária ia-se espalhando tentando reduzir a «democracia burguesa» a um simples ornamento. Caminhava-se para a ditadura do proletariado. O «República», a Rádio Renascença, a Fonte Luminosa (manifestação gigantesca contra o clima político dominante). O Diário de Notícias expulsando os «esquerdistas» como Mário Contumélias e outros. Tudo para a concretização de um projecto tendente a eliminar essa «democracia burguesa» que era a causa de todos os males.
Mário Soares fazia valer o seu passado, rodeava-se dos antifascistas mais medalhados na luta anti-salazarismo: Alegre, Raúl Rego, Edmundo Pedro, enfim, todo um exército de intelectuais de prestígio tentando calcar a besta totalitária emergente. Então, Salgado Zenha foi citado como sendo a «consciência moral» do PS. Mais tarde, após a ruptura, sentindo que era uma bandeira à sombra da qual muitos enriqueciam e se esqueciam dos valores pelos quais se deveriam nortear, Zenha passou a ser «traidor», «renegado»...
Vale a pena recordar esse tempo e fazer um paralelismo com o que se passa com Sócrates e Manuel Alegre. Tenho por ambos o máximo respeito e consideração. Mas sei - e não posso fazer ouvidos de mercador..._ o que representam neste momento. Manuel Alegre é a «consciência moral» do socialismo autêntico, de rosto humano, de defesa dos explorados e oprimidos, dos trabalhadores, das pequenas e médias empresas. O socialismo que não se casa com golpadas e falcatruas geradores de pequenos Midas, fruto da ganância desmedida, subproduto deste socialismo de encher a pança a meia-dúzia de oportunistas.
Sócrates é aliado dos donos das «grandes superfícies», dos latifundiários da nova vaga, dos capitães da indústria, dos barões da alta finança.
Manuel Alegre cansou-se de ser bandeira para uso eleitoral à sombra da qual muitos engordam e enchem o papo. Cansou-se de ser símbolo sem poder de decisão, bandeira a desfraldar ao vento servindo de alibi moral para quem usa o leme, tantas vezes rumando para azimutes nada consentâneos com promessas e idiossincrasias profundamente enraizadas na consciência colectiva, no imaginário do povo português.
Quem é o «traidor»? quem é o «atraiçoado»?
Há que meter a mão na consciência e ponderar bem os pratos da balança. A hora é de reflexão para todos os socialistas e simpatizantes de um novo porvir onde sejam erradicadas as mordomias e as sinecuras, cheirando a fausto e a prebenda e não possuindo nunca o aroma de Abril. Esse Abril tão afastado dos horizontes mentais e civilizacionais de alguns caudilhos de trazer por casa mais vocacionados para o chico- espertismo arrivista do que para a concretização de anseios profundos de todo um povo carente e sofredor.
Há que repensar Portugal! há que seguir um rumo mais austero, mais espartano, mais apropriado aos momentos que se vivem. Os mordomos, os tachistas, os que vivem à babugem dos poderes (centrais ou locais...) precisam de saber que tudo tem limites. Até para o «fartar vilanagem»!!!

domingo, março 08, 2009

«O REI VAI NU!»

Democratas não praticantes
Da verdade divorciados
Da pesporrência militantes
Reis nus, ao povo desnudados
Mostrando apenas ganância
Morrer no poder!, febril ânsia!!!





Amor!, amor tão propalado
À terra, aos rios, aos mares...
Amor só propagandeado
Por todos os sobas e czares
Narcisos sempre no poleiro
Sujos, qual pau de galinheiro!

A voz da sabedoria...

__Quem se humilha será exaltado, quem se exalta será humilhado!..

__A quem vos referis?

__Falo em abstracto, urbi et orbi, sou a voz do vento celestial!

sábado, março 07, 2009

As leis explicam tudo!...

__A causa das minhas sucessivas vitórias é a lei da selecção natural: os fracos são devorados pelos fortes. Darwin explicou isso há cerca de duzentos anos!





__Qual a razão para as sucessivas vitórias de Mário de Almeida em Vila do Conde?

__Só há uma: a Lei de Gresham! A moeda má afasta sempre a moeda boa!...

QIMONDA & GLOBALIZAÇÃO


Se há algo que me indigna é a utilização de certos episódios laterais como arma de arremesso político. O prazer de contemplar a «terra queimada», o sorriso dos que apostam no «quanto pior melhor», o ar de euforia dos abustres vendo um cadáver iminente...
A Qimonda é um problema grave, de implicações tão vastas (a que não é alheio o fenómeno da globalização) que, querer imputar ao governo os recentes episódios é de uma imaturidade gritante!
A oposição deveria sentir na pele o que sofrem estes jovens na iminência de poderem perder o posto de trabalho; devia apoiar o governo em iniciativas conducentes a eventual uso alternativo destas potencialidades (capital humano e tecnológico...).
No entanto assiste-se por vezes a um discurso de euforia perante um colapso iminente, de quem vive a explorar a desgraça alheia. Isso não é oposição patriótica: os que gozam com a situação na iminência de colherem dividendos deveriam ser mais comedidos na sua postura pouco saudável em termos mentais. É problema de mente que se trata, embora para certas entidades, possa ser mal incurável...

Génese da depressão

Fala-se muito em depressão como se fosse algo que cai do céu aos trombolhões, como se fosse um vírus que surge por geração espontânea. Mas não é. De facto, ela surge após todo um conglomerado de factores que vão degenerando o tecido económico-financeiro, a credibilidade dos agentes económicos, reflectindo-se nos indicadores macroeconómicos mais relevantes.

Casos como o escândalo-Madoff e outros que surgiram com efeito-dominó (género sub-primes e outros acoplados e grosso modo designados como toxidades...) são a parte visível do icebergue.

A economia é como a saúde. Há medicamentos que em vez de curarem provocam danos colaterais mais gravosos. Há sequelas de efeitos incalculáveis. Dar crédito em excesso sem acautelar mecanismos de garantia, facilitar à outrance o endividamento, numa caça desenfreada ao cliente, sem peias, sem regras, pode ser o princípio da queda. Depois os mercados reflectem essas anomalias de forma errática e alarmista. É o círculo vicioso da depressão a atingir as raias da pandemia...

Embora não sendo especialista na matéria, a jornalista Fernanda Câncio dá uma ideia do fenómeno, num excelente e acutilante artigo («bónus da prova»...) no DN, em que denuncia os abusos nas remunerações dos mega-quadros das grandes multinacionais ligadas ao sector financeiro.

Depois surgem as mega-fraudes premiando engenharias financeiras que têm tudo menos de racionalidade económica empresarial. É o retrato dos artistas pintando os quadros mais mirabolantes da situação empresarial sendo tudo menos o espelho real dela.

Por cá, nós temos exemplos paradigmáticos: BPN, BPP e ... o que ainda poderá estar oculto...

sexta-feira, março 06, 2009

Ausência de lei, ausência de escrúpulo!


A justiça portuguesa faz-me rir!!!
Segundo o DN de hoje, o presidente da câmara de Braga (Mesquita Machado) foi mais um dos beneficiários da ausência de lei que incrimine o enriquecimento ilícito. Segundo as conclusões (depois de um trajecto «espasmódico» do processo...) ele terá adquirido um património invulgar para os rendimentos normais dele. E daí? quantos MM's não andam por aí a arrotar postas de pescada?
Sabe-se lá de onde vem tanto poder aquisitivo?
E ai de quem lhes chamar «corruptos»! Vai logo assentar o rabo no tribunal!
Votem neles, deixam-nos engordar ainda mais! Sejam cúmplices na promiscuidade!
Pobre Portugal que caminhas rumo ao abismo, com vampiros cada vez mais sequiosos, cada vez mais venais, cada vez mais exalando o fedor da IMPUNIDADE!

A droga-corrupção! Vai matando Portugal...




O engº João Cravinho queria acabar com ela mas houve protecções...
há quem não passe sem ela... são os narco-dependentes...
A cannabis-corrupção
continua no quintal
da viciosa nação
dependente desse mal,
fumam charros, empreiteiros
exalam toxidades
e alguns corruptos banqueiros
só droga de imparidades
a cannabis corrupção
droga da moda, sabemos,
ela promove a eleição
de alguns «génios» que cá temos
esta droga corrupção
o povo vai arrancá-la
vai viciando a nação
quem sabe, pode matá-la...

Nem só de fé vive o homem!

Nessa perspectiva não posso deixar de concordar contigo, rouxinol: a fé cega na democracia, nos governantes, até na justiça, não é suficiente. Há que manter uma reserva prudencial...

A qualidade da democracia mede-se pelo grau de eficácia das instituições democráticas. Se a saúde não funciona, a justiça claudica, se as forças armadas são frágeis, se o ensino é pobre, se não há equidade fiscal, então, a democracia é degradada, paupérrima.

Ser-se democrata implica também vigiar a própria democracia para aferir do grau de eficácia e de resposta aos problemas que se confrontam aos cidadãos-utentes.

O PR diz que há défice na qualidade da democracia. Di-lo em abstracto é claro. Nós que vemos? Um poder local onde o «posso, quero e mando» assentou arraiais, uma justiça onde, em certas circunstâncias, nada de bom se pode esperar pois ela enrola, enrola, adia, adia, até caír na prescrição. Muitas vezes a justiça submete-se aos calendários eleitorais. E não devia.

Explico: fui alvo de um processo que interessava a toda uma comunidade local; era importante saber a verdade antes do processo eleitoral; contudo, o juiz, sem que nada o fizesse prever, deliberou que a sentença seria lida uns dias após o acto eleitoral. Com que objectivo? Segundo ele para «não influenciar o acto eleitoral»!!!

Imagine-se que era uma inspecção das finanças, que só seria divulgada para «não influenciar o acto eleitoral» após o referido acto... Para que serviria? Para nada!

Queixam-se todos de que há falta de supervisão! é verdade! A justiça não será também um mecanismo de supervisão? Por que não contribuír para o esclarecimento do povo, o juiz-eleitor?

Queixa-se muita gente de que há governamentalização da justiça. Que faz a justiça para obviar a esse ferrete?

Analise-se friamente o caso Freeport. Há quem tenha fé em Sócrates, há quem tenha fé na oposição. Independentemente da questão da fé, há que usar todos os meios para apurar a verdade. E divulgar a verdade antes do acto eleitoral.

Há quem queira usar mecanismos antidemocráticos, distorcendo a verdade, procurando exibir a sua fé em detrimento da fé contrária.

Alguns, com fidelidade canina a uma das partes, chamam «cachorros»aos que ladram na barricada contrária. Os outros, idem aspas. Isto não é uma democracia, é uma canzoada!!!

Para que haja qualidade na democracia é preciso que funcionem as instituições.É preciso que estejam todas ao serviço do juiz-eleitor: o povo!