terça-feira, setembro 12, 2006

Manuel Lopes In Memoriam



A tesoura do tempo amputou cerce
Esse fio da vida, sempre tenso,
Novelo de cultura e alicerce
Do teu saber tão sério e... tão imenso!

Enciclopédia viva, sempre aberta,
À Póvoa de Varzim, à juventude;
Foi sempre referência bem desperta
Culto, bairrista, poço de virtude!

Etnógrafo sem par, aos pescadores
Devotou um carinho filial,
Quer nas horas felizes, quer nas dores!

Da Póvoa embaixador, e magistral!
Muito grande, na escala dos valores
Enorme!, o seu legado cultural!...
Rouxinol de Bernardim

Espinho, uma Senhora cidade!


De Espinho guardo a bonança
A ternura de um sol-pôr...
E o meu coração balança
Entre o trabalho e o amor!

No casino o lazer vence!
E o tempo... corre sem freio...
Sorte ou azar, há quem pense,
Faz o carisma do meio...

Música abrindo clareiras
Corações batendo forte,
Em Espinho até as traineiras
Jogam no mar... sua sorte!...

O vento solta gemidos,
No inverno rigoroso,
São gritos de homens vencidos
Pelo mar-cão e raivoso!

No verão a brisa enlaça
Almas à cata de paz
O mar a todos se abraça
E até... carícias nos faz!

E as gaivotas, à noitinha,
Prometem amor sem fim,
Nenhuma voa sozinha
Alegres, chamam por mim...
Rouxinol de Bernardim

segunda-feira, setembro 04, 2006

O Bailinho da Madeira


Lá na Ilha da Madeira
A hilária criatura
Só regurgitando asneira
Bicho de má catadura!

São "colaboracionistas"
E "bandalhos", é o termo...
Deputados socialistas
Apoiantes do governo!

Respeitar a oposição
Coisa que nunca aprendeu;
Prefere usar o calão
De carroceiro sandeu!

Imunidade total
Goza o soba, lá no meio;
Sua diarreia oral
É vómito no passeio...

Na forja estão leis severas
Estancando o despesismo
Então, vai abrir crateras
Qual vulcão de satanismo!

Dirá que é Lisboa, então,
A matar a autonomia...
Dirá que é perseguição
Abusa desta mania!...

Maior justiça fiscal!
É sempre de enaltecer
Temos um só Portugal
É urgente perceber!

Qualquer dia vai "ferrar"
No "colaboracionista"...
Que em Belém anda a ajudar
O governo socialista!!!

Rouxinol de Bernardim

domingo, setembro 03, 2006

Poder Económico Vs Poder Político!



Quero levantar questão
Que a todos faz meditar:
É o poder do Cifrão
Que tudo quer controlar!

Muito político está
Atrelado ao capital
Coisa mais feia não há
Adorar o vil metal!

Há casos bem repugnantes
Que chocam o cidadão
Políticos degradantes
Fazendo o papel de cão!

No País já prolifera
E ninguém pára com isso!
Política é uma megera
Moça p'ra todo o serviço!

Até grande informação
Se verga à publicidade
Triste é ver tal disfunção
Que cheira a venalidade!

Repugna essa postura
De alguns, perante o cifrão,
É imposta a ditadura
Do vil metal à razão!...

Andam p'raí tantas trelas...
É preciso ter cuidado!
Ou nos desviamos delas...
Ou ficamos atrelados!!!

Rouxinol de Bernardim

sábado, setembro 02, 2006

CUMPRIR ABRIL!


Vinte e cinco de Abril contém mensagem
Bonita!, mas difícil de cumprir...
Ilusão permanente na voragem
De novos horizontes por abrir!...

Liberdade é uma flor bem delicada
Precisa de água, sol e até Amor...
Talvez não tenha sido bem tratada
Por cada um de nós, seu tratador...

Democracia, é sol no horizonte,
É comunhão, é rio, também fonte...
É poder dizer mal... do que está mal!!!

Ser de Abril, é saber fazer a ponte
Entre certa equidade social
E o progresso e o bem estar de Portugal!!!

Rouxinol de Bernardim

SALOMÃO REGRESSA! FUTEBOL PRECISA!


O futebol é danado
Provoca raivas sem fim
Parece desnorteado
Nunca se viu coisa assim!...

Há razões de parte a parte
Argumentos abundantes
Juristas de fina arte
Talentosos litigantes!

Até já provoca riso
A procela mediática
A causa perdeu o siso
Causa disfunção hepática!

A tribo da bola deve
Adoptar outra postura
Sem mácula, como a neve,
Caminhando com lisura!

É vómito permanente
Coisa reles e pirosa
Patológico e doente
Coisa assim é asquerosa!

Viciado e mentiroso
No campeonato e na taça
Futebol é cão raivoso
Ladrando a tudo o que passa!

Futebol perdeu a graça
Virou máfia sem respeito
É só lodo, só trapaça,
É fraude a torto e a direito!

Há gente desesperada
Insultando a toda a hora
Salomão!, co'a sua espada,
Era tão bem-vindo agora!!!

Salomão regressa então
Em nome do são desporto
Toda a gente em contramão
Este Direito anda torto!!!

Rouxinol de Bernardim

sexta-feira, setembro 01, 2006

ABAIXO O PRECONCEITO!


Ser gorda não é defeito
Não há que discriminar!
Erradicar preconceito
É nova forma de estar!


Ditadura da magreza
Acabou o teu império
És franciscana pobreza
Estou a falar a sério!

A gordura é liberdade
Não sujeição a dietas
Modas, têm caducidade
E caprichos bem patetas!

Já chega discriminar
Ou as gordas pôr à margem!...
Já basta de ostracizar
É um fartar vilanagem!...

Os partidos deverão
Ter quotas também p'ra elas!...
Já chega de reinação:
Ditaduras magricelas!...


No céu... já são maioria
Andam nuas e a dançar!...
Até Deus... quem o diria?!
É bem capaz de as amar!!!

Rouxinol de Bernardim

Peneda - Gerês


Teu granito milenar
Teu verde luxuriante
E o teu ar de embriagar...
Minha predilecta amante
Deploro ver-te queimar...

Albergas águia real
No teu seio majestoso
Santuário natural
Relicário glorioso
Deste novo portugal!

Preservar a Natureza
Fauna, flora e o próprio ar...
É conservar a riqueza
Desta terra milenar
Prenhe de encanto e beleza!...


Rouxinol de Bernardim

Eugénio de andrade: Magistral!


Foste "Amante sem dinheiro"
Poetaste o vero amor...
Nada ficou no tinteiro
Desabrochaste, qual flor!

De um erotismo sadio
Criaste ternas imagens
Deste caudal a um rio
Extravasando nas margens!...

De poesia inundaste
Uma cultura de "brutos"...
Do fascismo tu troçaste
Com tuas mãos e teus frutos!...

Bardo maior, te respeito,
E coloco em pedestal,
Daqui o meu simples preito
A Poeta magistral!

Tuas palavras: que aroma,
Que perfume, que fragância!...
Não ficaste na redoma
Bolorenta da jactância!...

Tua humildade serena
Inebria e faz sonhar
Ler-te, vale sempre a pena
Tua pena é lapidar!...

Rouxinol de Bernardim

quarta-feira, agosto 30, 2006

Vila Nova de Gaia: Ninfa do Douro!


Já não tem os rabelos a zarpar
No Douro curvilíneo e refrescante
Mas continua sempre a prosperar
Gaia bendita é terra apaixonante!...

Gente de labor, gente de sucesso,
O gaiense é bairrista cem por cento
De amor acrisolado ao seu progresso
O seu rincão natal é monumento!!!

Monumento fidalgo e modernista
Cinzelado com arte e com paixão
Sangue, suor, talento e... algum betão!...

Gaia se espraia, linda e futurista!
Se diverte também e nos conquista
Ninfa do Douro... de alma e coração!!!

Rouxinol de Bernardim

Miguel Torga, telúrico escritor


Teu humanismo sério e tão profundo
Foi "Terra Firme" e "Mar" em comunhão...
Do povo, o sofrimento abriu um mundo
Cheio de dor, mas pleno de emoção!

No teu "Diário", abriste a alma pura,
Consciência telúrica sem par...
Com teus "Bichos", fintaste a ditadura ;
Humanos!!!, dá prazer vê-los falar!...

Tão plurifacetado, tão ecléctico,
Arma-pedagogia sempre à mão
Escritor, mas também... um cidadão!...

Mesmo em prosa, o teu estilo foi poético,
Teu relacionamento dialéctico
Com a escrita: sublime conjunção!

Rouxinol de Bernardim

terça-feira, agosto 29, 2006

MARIZA, embaixatriz do Fado



Nasceste precoce, eu sei,
Tiveste pressa em nascer...
Ao ver-te cantar, direi:
Não tenhas pressa em morrer!

O teu porte altivo tem
Um encanto sedutor...
És Lisboa, mas também
O Portugal sonhador!

És tão bela e tão formosa
Tua voz em mim perpassa...
É perfume de uma rosa
Que nos fascina e enlaça!

O teu ar tão fatalista
De pureza virginal
É matriz bem intimista
Deste Fado-Portugal!...

Mariza!, és Portugal
És bandeira, embaixatriz,
Verde-rubra, nacional,
Tens a alma de um País!

Tua voz de tom veludo,
Tem quilate e realeza
Ela nos diz quase tudo
Da alegria e da tristeza!...

Tens lusitana feição
Tão meiga... e cheia de graça
Que inebria o coração
E enche de orgulho a raça!...

Mariza!, eu te confesso
Sou teu devoto ardente
Por isso, somente peço:
Anima a alma da gente!

O mundo já se rendeu
Ao teu perfil majestoso...
Fado... contigo cresceu...
Ficou mais leve e charmoso!...

SE UM DIA O FADO QUISER
TAMBÉM ELE... SE CASAR!...
TU SERÁS SUA MULHER
SÓ TU O SABES AMAR!!!

Rouxinol de Bernardim

segunda-feira, agosto 28, 2006

FERNANDO NAMORA: Fogo na noite escura!...


Na noite escura foste fogo intenso
Não foste adorador do sol vigente...
Tua pena cirúrgica foi, penso,
Cautério p'rá ferida cá da gente!...

Trigo e joio apartaste com perícia,
Criaste personagens com rigor,
Ler-te, foi p'ra nós sempre uma delícia
Tónico eloquente e salvador!...

Da Condeixa natal levaste o povo
E puseste-o a falar sem tibiezas...
Vasto rol de... alegrias e tristezas!...

Teus poemas são cântico bem novo
De médico e profeta, quase in ovo,
São e puro... num meio de impurezas!...


Rouxinol de Bernardim

Ary dos Santos: Senhor-Lisboa...


Lisboa tinhas ao peito
Como um cravo na lapela!
Falavas dela com jeito
Até dormias com ela...

O teu olhar fulgurante
Penetrava nas ruelas
Sentia a alma vibrante
De Lisboa, através delas!

Vejo o castelo choroso
Quantas saudades já tem...
E até o mar bonançoso
De ti me fala também!...

Bairro Alto ou Madragoa,
Alfama e também a Graça,
Por ti chora esta Lisboa...
E a saudade jamais passa...

O teu estro não morreu
Perpassa em qualquer lugar
Vibra tanto, que aqueceu
O coração popular!...

Poisavas o cotovelo
No umbigo de Lisboa...
Por ti, afago o cabelo...
E... dou-lhe beijos à toa!...

Lisboa, mulher madura,
De poetas musa eterna
És a beleza mais pura
És antiga, mas moderna!...

Até as ondas do Tejo
Fazem bela poesia...
Ary!, o teu olhar vejo
A vogar com nostalgia...


CANTAR ATÉ QUE A VOZ DOA!
É LEMA DESTA LISBOA!...

QUE NÃO MORRERÁ JAMAIS!...
VIVA SEMPRE!... E SEMPRE MAIS!...

Rouxinol de Bernardim

domingo, agosto 27, 2006

A MAGIA DO GOLO!


O golo é pimenta, é sal,
É magia, é frenesim
É cadinho intemporal
É fusão, é fogo, enfim...
É orgasmo centenário
Que apaixona as multidões
É um cântico gregário
Que acelera as pulsações...
Que faz vibrar as gargantas
Galvanizar corações
Soltar palmas, tantas, tantas
Que até parecem trovões!
Por vezes exacerbadas
Extremadas frustrações
Ciclones ou trovoadas
Eclosão de alguns vulcões!
Mas o golo é mesmo isto
Nunca agrada a todos
É um explosivo misto
Bálsamo ou pólvora a rodos...
Para uns... tranquilizante
Para outros... depressão
Que droga mais excitante
Catarse de multidão!
O golo é poção sagrada
É varinha de condão
Num instante, "tudo ou nada!"
Um fartar de extroversão!
Pode ser "Requiem" também
Canto do cisne, final
Morte precoce p'ra quem
Sucumbiu ao vendaval!
Arco do triunfo!, é
Um monumento à vitória
E um passaporte até
P'ra entrar no reino da glória!
O golo sempre será
Lava a jorrar em torrente
Nem todos satisfará
Mas... ninguém fica indiferente!
Rouxinol de Bernardim

Chico Mendes, missionário da ecologia!


O pulmão do planeta defendias,
Com fervor, com coragem missionária...
Abater-te!, a mais vil das cobardias!
Golpe horrendo da corja reaccionária!...

Neste mundo global e solidário
Chico Mendes, é ícone sem par!
Deu a vida a lutar p'lo santuário
Que é a Amazónia; seu nome há que honrar!

Salvar a Natureza, sem demora,
Contra os vândalos, contra os predadores,
Salvemos o planeta enquanto é hora!

Lutemos todos, eco-defensores,
Preservemos o meio, mas agora!
Há que penalizar os infractores!

Rouxinol de Bernardim

Luther King, um herói universal!


Não foi impunemente que morreste,
O teu sonho floresce e jamais pára!
P'la igualdade lutaste e bem sofreste
Deste ao mundo lição nobre, mas cara!

Racismo é preconceito sem razão,
Subproduto do ódio mais cruel...
Fermento de fobia e de opressão
Vil discriminação... p'la cor da pele!

Passaste o testemunho, ao dar a vida,
Não se perdeu o exemplo de civismo
Tua morte não foi só heroísmo!

Tua morte foi ode bem sentida,
Foi osmose que pôs a gente unida
Contra o feio mostrengo do racismo!

Rouxinol de Bernardim

domingo, agosto 20, 2006

COIMBRA, MENINA E MOÇA... DE HILÁRIO ENAMORADA!...


Coimbra, terra das Letras
Do Mondego e do Choupal!...
Coimbra, das capas pretas,
O farol de Portugal!
Coimbra, à sombra da Sé
Velha e tão senhorial...
Coimbra, do Calhabé
É lição intemporal...
As tertúlias são viveiros
Da boémia musical...
Cenáculos hospitaleiros
Baco e Minerva dão sal!...
Hilário aqui professou
O seu culto à Lusa-Atenas...
Cantou e nos encantou
Com uma guitarra... apenas!!!
Coimbra dá-nos lições
De fidalguia sem par
Figuras e figurões
Conjugando o verbo amar!...
Coimbra, sou rouxinol,
De saudades vou morrer...
Mas... deixo um recado ao sol:
Que te vá sempre aquecer!!!
Lhe peço com convicção
Que contigo faça amor!!!
Será eterna paixão
C'o sol-rouxinol cantor!!!
Deus me perdoe o pecado
De te amar com emoção
Igual ao teu... é meu fado:
Que é amar... sem condição!


P'RÓ CÉU JÁ NÃO IREI MAIS
AGORA VOU CONFESSAR
DE COIMBRA... EU GOSTO MAIS
NO CHOUPAL QUERO FICAR!!!

Rouxinol de Bernardim

sábado, agosto 19, 2006

Recordando Natália Correia... Genial escritora!


Formidável polemista
Livre, não liberticida,
Indomável jornalista
Antes morta, que vendida!!!

"O Morgado foi capado!"
No Parlamento, por ela...
Com seu chiste endiabrado
Portentosa capadela!...

Dos oprimidos sentia
A humilhação degradante...
Detestava a hipocrisia
Da Mulher... foi bandeirante!

Gravado no coração
Tinha sempre os seus Açores
Terra da sua paixão
Sempre perdida de amores...

Numa boquilha de prata
Um cigarro sempre aceso
Mulher forte, intimorata,
Dos sobas ... tinha desprezo!...

Natália Correia tem
Lugar cativo na História
Quem a lê conhece bem
Sua livre trajectória!...

De "antes quebrar que torcer"...
Feminina e Feminista,
Liberdade p'rá Mulher!
Foi sempre grande activista!

Irónica e inteligente
Verrinosa e bem trocista
Desancava toda a gente
Muito galo perdeu "crista"!...

Curvo-me à sua memória
De literata guerreira
Deixou um rasto de glória
Sua herança derradeira!...

Seu talento genial
De ironia revestido
Fez rir todo um Portugal
De forte humor sacudido!...


Rouxinol de Bernardim