quarta-feira, junho 28, 2006

Economia paralela, essa pecadora!...



Irmã da promiscuidade
E prima da corrupção
É mãe da calamidade
Se no fisco há evasão!

Leva a vida num virote
Diz:"Corrupção compensa!"
Se tem água no capote
Diz:"Não é o que você pensa!"

Amante da boa vida
E de luxos sumptuários
Impostos?, coisa banida
Dos seus hábitos diários!

Paga o justo, e paga bem!
P'rá pecadora gozar...
Culpa?, não é de ninguém...
É o sistema a funcionar!...

Rouxinol de Bernardim

sábado, junho 24, 2006

O Rei-Sol no Universo madeirense...


No micro-universo da Madeira
Há coisas que dão muito que falar,
O poder é um rei-sol de escandaleira
A justiça é satélite exemplar!

Há girassóis servis e obedientes
Olhando o sol-poder com dependência
Há cometas e estrelas bem cadentes
Julgando ser os sóis da omnisciência!

Nesta gravittação universal
Há uma heliocêntrica postura:
À volta de um rei-sol irracional...

Vai girando uma amorfa conjuntura,
Patogénicos corpos sem moral
Luazinhas asnáticas, sem cura!

quinta-feira, junho 22, 2006

A crise é geral!...



Está em crise procriar...
É demais!, nunca vi tal!
Se a coisa continuar
Pode acabar Portugal!

O preservativo impera,
E frena a fecundação
O governo delibera
Bónus à procriação!

São incentivos fiscais
E a vida facilitada...
Agora quem parir mais
Pode ser condecorada!...

E quem nunca procriar
Deve ter muito cuidado...
Se o governo decretar
Pode mesmo ser capado!...

terça-feira, junho 20, 2006

É pecado! (Bento xvi dixit)



"Vinte anos tem o pecado"!...
Cantava aquela canção...
Agora, fico pasmado,
Num lar, ver televisão,
É pecado endiabrado
Infernal, vil tentação!!!

Internet nos inferniza
E nos leva à perdição...
Na cama, quem agoniza,
Se quiser ter distracção
Leia a bíblia!, que só visa
Da alma a libertação!

Ler o jornal também está
Nos pecados capitais!...
E, de facto, alguns há,
Que são tormentos mentais
Com erros ao deus-dará
E gralhas piramidais!!!

Rouxinol de Bernardim

sábado, junho 17, 2006

O olhar de uma criança é...


O olhar de uma criança
É Deus sorrindo p'rá gente!
É o futuro, é a esperança
Num mundo bem diferente!

O olhar de uma criança
São estrelas reluzentes...
São o mar, é a bonança,
São faróis omniscientes!

O olhar de uma criança
É luz e sabedoria...
É Jesus que nos alcança
Dando paz e alegria!

O olhar de uma criança
É sortilégio bendito!
É uma boa aventurança
É o Amor no infinito!...

Rouxinol de Bernardim

Morrer na estrada...


As estradas portuguesas
São cemitérios terríveis
A vida e a morte estão presas
Por fios quase invisíveis!

Por vezes, é a imprudência,
Mal do acelerador...
A morte não tem clemência
Leva o justo e o pecador!

Ao volante há que ter calma
Não confiar só na sorte
Num instante perde a alma
Quem abraça a própria morte!

Morrer assim... faz pensar...
Há quem a morte persiga...
A morte pode matar...
A calma é melhor amiga!...

Rouxinol de Bernardim

sexta-feira, junho 16, 2006

Emigrar...

Partir, no cais da saudade,
Neste mar-emigração É lema da nossa idade
Sina desta geração...
Na aventura de emigrar
Há uma certa ironia:
Partir, é sempre chegar
A chegada... é uma partida!
Emigrar é uma aventura
Que deixa a alma a sangrar
E o mal é que só tem cura
Na hora de regressar!...
A vida é um cais permanente
Com barcos sempre a zarpar
Há tanta lágrima ardente
Nesse mar triste do olhar!
Quem parte, saudades tem,
Da família tão chorada...
Quem fica, não fica bem,
Sem ter novas da chegada.
Pelo mundo retalhada
Vejo a alma lusitana
Cepa boa e afamada
Velha casta soberana!
Lusíadas emigrados
Símbolos de raça e fé!
Gente de quatro costados
Remando contra a maré!
Ei-los que partem, sofrendo
A nostalgia dos seus!
Lágrimas quentes correndo
Na comoção do adeus!
Saudades, quem as não tem,
Da sua terra natal?
É uma dor que sabe bem...
É o amor de Portugal!

Rouxinol de Bernardim

quinta-feira, junho 15, 2006

FLORBELA ESPANCA SE DESNUDA...


Fui de Vila Viçosa a Matosinhos
De amor sempre carente, sequiosa,
Sonho e dor... coração aos bocadinhos...
Dando sempre!... com gosto... generosa!

Peregrina, desnuda mas liberta,
Perseguindo um ideal: a perfeição!
Mas tendo consciência bem atenta
Fruindo a liberdade com paixão!

Um país com mordaça e com censuras
Com tabus descabidos, faz-me mal,
Sinto náusea do pobre Portugal!

Não há vida!, há lodo e sinecuras!
Há tribos, lóbis, castas sem ter fim!
Há capelas e torres de marfim!

Rouxinol de Bernardim -( Florbela Espanca) in memoriam

PÓVOA DE VARZIM


Póvoa do Mar, que nobreza!
Sol e mar te abençoando!
És rainha de beleza
Portugal enamorando...

Tostada pelo sol doirado
Embalada pelo vento
Orgulhosa do passado
Tens Eça no pensamento!

Berço de lobos do mar
Por ti o tempo não passa
Calafate anda no ar!
Em ti... vejo o Santos Graça!

O teu passado é presente
Teu futuro: a juventude!
E... cada emigrante sente
Esta Póvoa em plenitude!...

Brava gente, de linhagem!
De "antes quebrar que torcer"!
No mar... vendendo coragem
Sem ter medo de morrer!

Teu povo quer liberdade!
E detesta a tirania...
Quem mais ordena, à cidade?
É o povo... em democracia!

Rouxinol de Bernardim

RACISMO


Esta besta racista vai lançando
Ódios sem conta e vil xenofobia!
As mentes mais simplórias conspurcando
Vilanagem com cheiro a hipocrisia!

Epidemia!, leva tudo a eito!
Na escola, no trabalho, no desporto!
Alguém disse que o Estado de Direito
Nunca o foi!, sempre esteve muito torto!

Mas, há que dar as mãos, retroceder,
Optar por outro rumo, outra postura,
Caminhar sempre ao lado da cultura!

Definitivamente, há que escolher:
Entre a forma mais sã de conviver
Ou racismo, nazismo, ditadura!...

Rouxinol de Bernardim

quarta-feira, junho 14, 2006

AVEIRO, TERRA DE HOMEM CRISTO!


Bacalhau à moliceiro
Ou enguias bem picantes
Ovos moles, são de Aveiro
Retratos exuberantes!

Com sorte pesco um robalo
E bebo um copo de tinto!
Meu amor, vamos assá-lo
Junto à ria, em São Jacinto!...


O sol nos dá alegria
O amor enche o coração ...
Andar de lancha na ria
É magia!, é emoção!

Tens bom vinho na Bairrada!
Vista Alegre, porcelana...
P'las salinas és afamada
Em Maio... há Santa Joana!

Na Gafanha há o estaleiro
De tão nobres tradições
Tens nos Galitos de Aveiro
Alfobre de campeões!

Oh!, terra de mareantes
De heróicos lobos do mar
No verão os emigrantes
Regressam p'ra festejar!

O Beira-Mar também é
Um património de monta
E tenho cá uma fé
Que nova aurora desponta!

Aveiro, terna saudade,
Eu, no verão, não resisto!
Visito sempre a cidade
Esta terra de Homem Cristo!


Rouxinol de Bernardim

terça-feira, junho 13, 2006

Amo-te, Bela Democracia!


Excelsa criatura, flor de Abril
Aroma liberdade te inebria
Capaz de seduções e sonhos mil
Vejo em ti a apixão-cidadania!

Atenta e vigilante noite e dia
Cuidado!, anda aí a ditadura!
Não deixes que a velhaca nostalgia
Saia da toca e faça uma loucura!

Jovem democracia, tem cuidado!
Tem orgulho e sê digna do passado!
Mostra a raça de Abril, que tens no olhar!

Sê digna do futuro desejado!
Bela democracia, por te amar
Muita gente morreu, há que lembrar!

terça-feira, junho 06, 2006

PORTO, SANTUÁRIO IMORREDOURO!




O Porto é santuário sem igual
É desporto, é cultura, é tradição!
Soberba arquitectura, magistral,
Berço de Portugal, seu coração!

Portus Cale, embrião deste País,
Capital do trabalho e do amor!
Camilo aqui lutou p'ra ser feliz
Aqui labuta um povo com honor!

P'las árvores respira e tonifica
Na "Árvore" cultiva o pensamento
Sem árvores, oh Rio!, é um tormento!

O Porto se renova e tonifica
Esta gente se alia e multiplica
Este povo merece um monumento!

rouxinol de Bernardim

terça-feira, maio 23, 2006

O BISPO QUE NÃO VERGOU AO PODER!


De joelhos, somente face a Deus,
Nunca vergou perante os ditadores!
D. António foi Bispo cá dos meus...
A Igreja engrandeceu!, os meus louvores!

Sofreu amargo exílio com bravura,
Da Fé foi um estandarte glorioso
Caíu de pé, gigante na procura
De um rumo são, num mar tão proceloso!

Do redil feito ausente, mas presente,
Deixou marca indelével na Cultura!
Foi audaz, magistral, clarividente!

Se espalha e frutifica a semeadura
Portugal usufrui dessa semente
Devemos exaltar sua postura!

rouxinol de Bernardim

domingo, maio 21, 2006

VILA DO CONDE


São tapetes floridos sem ter fim...
Quilómetros de fé, Corpo de Deus!
Vila do Conde tem um frenesim
Contagiando todos, mesmo ateus!

Feira do Artesanato!, cor e vida!
S. João!, a alegria sai à rua...
Rio de gente em festa tão sentida
No mar da "ida às praia" desagua!

Rendilheiras com bilros de ternura
Parecem feiticeiras com magia...
Seu rosto é sortilégio, é formosura!

Sonhos de amor são rendas, iguaria,
Doces conventuais, santa doçura...
Que nos seduz e envolve de alegria!

rouxinol de Bernardim

sexta-feira, maio 19, 2006

HUMBERTO DELGADO: PURA CIDADANIA!



Voavas com audácia sobre o medo
Vislumbravas a paz, democracia...
Nesse horizonte nunca existiria
Repressão, o fascismo ou o degredo...

Coragem reflectia o teu olhar
Desafiante e forte era a postura
Fim, só um: acabar co'a ditadura
Derrubar o tirano Salazar!

Seu exemplo perdura e dá alento
Força aglutinadora e até cimento
Agregador de sã cidadania!

Delgado foi bandeira, monumento!
Bastião de heroismo, rebeldia,
Humanismo tão puro: Poesia!

Rouxinol de Bernardim

quarta-feira, maio 17, 2006

NAU PORTUGAL, RUMO À VITÓRIA!


Ei-los que partem, certos da vitória,
Duas Senhoras, bênçãos lhes vão dar:
A de Fátima, nossa suma glória,
Vai à de Caravaggio ,mãos juntar!

Marte e Vénus também serão chamados!
No Olimpo celeste cuidarão
Destes nautas da bola, tão amados,
Que também a Fortuna dê caução!

Que tragam o caneco!, é o desejo
Desta gente Lusíada, que vejo
Sempre cheia de fé na selecção!

Que a vitória os saúde com seu beijo!
Nau Portugal, com ventos de feição,
Farás Heróis, os Filhos da Nação!

A DÚVIDA METÓDICA...


Deus me deu duas pernas p'ra correr!
Uma foi a Razão, dá p'ra pensar...
A outra foi a Fé, me força a crer!
Me afasta de um perigo: duvidar!

Mas Deus também me deu um coração,
Que, de amores pela Dúvida caíu!
E... não é que o diabo da Razão
A Fé cega também lá seduziu!?

A Dúvida domina o meu talento!
Eu lhe dou asas, força e até sustento...
Erradiquei certezas do meu ser...

Por vezes, ela leva-me a sofrer,
Outras vezes me faz compreender
Como é bom o Deus do firmamento!...

Esposende: Gaivota feliz!




 
 
 
 

O Cávado repousa em teu regaço
Moribundo, no mar entrega a alma...
Doce leito deixou, a vida calma
Vai em paz nessa tumba de sargaço!

Esposende, mocinha preguiçosa,
Qual gaivota feliz, filha da praia,
Sentindo o gosto a mar, até desmaia,
Clímax de amor sem peias, donairosa!

O vento bem reclama liberdade
Não quer prisões, amarras ou tutelas,
Penetra os corações destas donzelas!

Tostando ao sol da praia, na verdade
Fruindo com ternura a mocidade
Tão pura e brilhante como as estrelas!

sexta-feira, maio 12, 2006

Açores: Flores, cores & Sabores... (Cont)


(Continuação)
Em Angra o sol é vermelho
Quando se põe no horizonte
Como é bom beber verdelho
Fumar Don Paco, na ponte...
A Terceira é a primeira,
Azul cobalto do mar
No horizonte charneira
O céu vai logo abraçar!
Angra é relíquia do mundo
À noite espelha no mar
E reflecte bem no fundo
Património secular!
Queijo de S. Jorge é rei
Da boa gastronomia
Com vinho tinto de lei
É um pecado, eu diria...
O Pico, tão sobranceiro
Aguilhão que pica o céu...
Neve branca e nevoeiro
Majestade Deus lhe deu...
Ananás, maracujá,
Hotênsias que são poema
Sem esquecer o verde chá
São dos Açores emblema!
Nemésio e Natália vão
Flutuando neste mar,
Ambos têm no coração
Este povo singular!
Rouxinol de Bernardim