rouxinol de Bernardim

Um blogue plurifacetado procurando abordar questões de interesse sob perspectivas diversificadas. A independência sim, mas sempre subordinada a parâmetros de bom senso, de optimismo e de realismo.

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quarta-feira, novembro 06, 2013

Haja consenso!!!

O PR apela ao consenso. Tudo bem, tudo natural, tudo compreensível.  Os mercados querem-no, anseiam por ele. As agencias de rating também.
Todavia eu pergunto:

Onde estava este PR quando foi preciso aprovar o PEC IV?! -Disse de forma tremendista que já se tinha atingido o limite dos sacrifícios!!!

O resultado foi este desastre  a que assistimos agora.  A culpa é de vários agentes (externos e internos, como é óbvio). Não sou ingénuo a ponto de o culpar a ele exclusivamente, mas é um dos maiores responsáveis,  isso é.

Sócrates teve culpas, muitas culpas no cartório, não há que esconder. Cavaco Silva, teve  responsabilidades gravissimas, quer quando primeiro ministro, quer como supremo magistrado da nação.
Quando Sócrates pediu um consenso governamental que fez ele? Incentivou-o? não, assobiou para o ar... é óbvio que não dependia exclusivamente dele, mas podia ter feito mais.
 Agora vemos o país a ser governado de forma atabalhoada, as peripécias estultas bem elucidativas. Pagamos loucuras para manter submarinos que já deviam ter sido vendidos pois o país não está em condições de suportar gastos parasitários em tempos de vacas magras, e estes «brinquedos caros» no dizer do embaixador americano,  são apenas mais achas para a fogueira do nosso miserabilismo galopante...

O ensino privado é um sorvedouro imparável de dinheiros públicos e quiçá fonte de enriquecimentos ilícitos que só não são aprofundados por haver um respaldo político óbvio.

 O ensino público, subaproveitado, vilipendiado, lançado às urtigas,  é um parente pobre caído em desgraça... Cavaco nada vê, nada diz, quer consensos nesta irresponsabilidade? Quem pode dar cobertura a esta manta de retalhos, este entretecido neoliberal mais apropriado para países em abastança do que o estado em que nos encontramos. Liberdade sim, mas nunca à custa do abastardamento do serviço público (ensino, saúde), mais parecendo que o negócio privado prospera na razão inversa da ruína do serviço público... Só um cego  o não vê tal  o despautério óbvio  e o destrambelhamento evidente.

O país é um barco por calafetar e cada vez que se retira água ela continua a entrar pois o que há mais são rombos no casco...
 O PR já não é um provedor dos portugueses como se autoproclamou em tempos, é o provedor, isso sim, de uma clique parasitária que imbuída de um espírito de narcísico e patético nonsense se quer promover a si e aos seus, não se preocupando com os danos colaterais provocados por essa irresponsabilidade, esse imaturo discernimento, essa  ilusória e falaciosa forma de fazer política.

E vai ser o TC o bode expiatório, __se quiser ser coerente e patriótico recusando liminarmente alguns propósitos lesivos da confiança que deve existir nos pressupostos legais (e que não existem de todo...)__ levando este governo ao bater com a porta, mais tarde ou mais cedo, pois é insustentável tanta ligeireza, tanto amadorismo, tanta falta de escrúpulo na gestão da coisa pública...

Só um governo de salvação nacional __ sem se preocupar com eleitoralismos...__ poderá levar o barco a bom porto. António José Seguro,  pese embora a sua pureza de intenções, não tem arcaboiço para arrumar a casa  tal o desnorte e o clima de indisciplina a que se chegou. Não há supervisão eficaz, há leis de tal forma feitas que são um convite à fraude, ao suborno, à delinquência sistemática: o crime compensa! Não, não sou só eu que o afirmo alto e bom som, isto é dito por pessoas idóneas, bem conhecedoras de casos onde esta evidencia é flagrante.

Cominações de tal forma suaves que as leis deixam de ser exequíveis!!!


Este PR tão míope, tão ingénuo, tão paradoxal (o que é insustentável hoje já é sustentável amanhã, tudo dependendo de quem lidera...),  ainda não percebeu que só a demissão dele próprio poderá avançar para uma reforma do Estado a sério, com cabeça tronco e membros, com uma política planificada e estruturada de forma sã, com gestão criteriosa e racional, de molde a fazer saír o país do pantanal, calafetar o barco  que tem rombos  visíveis pelo mais simplório  dos cidadãos...

J. Leite de Sá

5.11.2013