rouxinol de Bernardim

Um blogue plurifacetado procurando abordar questões de interesse sob perspectivas diversificadas. A independência sim, mas sempre subordinada a parâmetros de bom senso, de optimismo e de realismo.

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domingo, outubro 14, 2012

D.José Policarpo tem fé...

O senhor cardeal patriarca veio dizer em Fátima que «este sacrifício levará a resultados positivos». Falava a título pessoal ou institucional ?  Esta prova de fé neste governo será positiva ou negativa?
Julgo que o senhor cardeal patriarca, figura de proa da intelectualidade lusitana, deveria ser mais comedido, não deveria fazer afirmações que poderão ter efeitos de boomerang...
Pessoalmente tenho apreço e nutro grande admiração pela sua postura habitual no tocante a assuntos de àmbito universal. Não é um fundamentalista, um fanático, um intolerante.
Contudo, fazer afirmações deste jaez, poderá ser considerado como um aval, uma caução moral e até cívica. Acho que deveria ser mais prudente, mais cauteloso.
Diz que não percebe de política, no entanto está a passar um atestado de confiança e de fé aos tenentes do poder. Ora, ainda há dias o conselheiro de Estado, professor Bento, tinha muitas dúvidas e receava até que estivéssemos a enveredar por um caminho semelhante ao da Grécia!
O próprio professor Cavaco Silva __ honra lhe seja feita__ insurge-se de forma eloquente contra esta obsessão por manter metas nominais a todo o custo, sem se olhar ao contexto real e ao evoluír  da economia em sentido amplo... VER AQUI.
Pode-se matar (ou agravar o estado de saúde...) o doente com esta obsessão pela cura rápida ou demasiado rápida atentas as circunstâncias...
É que o problema já não é de competência do governo, da sua estratégia, da própria idoneidade técnica dos seus membros, é muito mais grave e ultrapassa a fronteira de um nacionalismo estreito. É preciso saber navegar com perícia neste mar chamado globalização...
É a própria União Europeia que assenta em traves mestras que se estão a manifestar muito injustas, a gerar situações de falta de coesão e de instabilidade permanentes. Os países do sul e da periferia, lato sensu, estão acorrentados a uma dívida que vai ameaçando asfixiá-los paulatinamente. Os juros absorvem uma grossa fatia do rendimento gerado e as sucessivas tomadas de posição das agencias de rating__ a soldo de não se sabe bem de quê ou de quem...__ contribuem para o agravamento da situação, afastando investidores, alimentando especulações, fomentando crises atrás de crises.
Um homem de Fé, deveria abster-se de fazer profissões de fé nos homens, sobretudo quando se afirma, perentoriamente, que não se percebe da poda política. Estar sempre ao lado do poder, seja ele qual for, não abona a independência e a sageza de quem está ao leme de certas instituições. Corre-se até o risco de vassalagem (cacicagem?) permanente.
Imagine-se o impacto negativo na sua imagem__e até na da própria igreja Católica__ se estes governantes não contribuirem para a regeneração, para levar o barco nacional a bom porto. Os portugueses perguntar-lhe-ão as razões para ter feito esta afirmação. Esta profissão de fé. Este atestado de boa fé e de eficácia.
Apenas acreditar nas boas intenções dos governantes não basta. É que, já diz o povo, «de boas intenções...»

4 Comments:

Blogger Rosa dos Ventos said...

Já lhe fizeram alguma recomendação para ter cautela com o que diz!

Abraço

10:02 AM  
Blogger rouxinol de Bernardim said...

Rosa.

Ainda bem. Eu, como simples cidadão, dizer o que ele disse, era aceitável... contudo, passar assim um atestado de confiança e de idoneidade a um governo que prometeu muito e está a fazer nalguns aspetos aquilo que criticava no anterior(v.g. concursos públicos em emoreitadas e fornecimentos de milhões...) é delicado e comprometedor...

8:40 PM  
Blogger Manuel CD Figueiredo said...

Ouvi, e vi, as declarações: confesso que não percebi. Quem beneficia com os sacrifícios desumanos que nos impõem?
Comparem-se estas com as declarações recentes de D. Manuel Clemente, Bispo do Porto: algo não irá bem no Reino de Deus...

12:05 AM  
Blogger rouxinol de Bernardim said...

Compreendo que a Igreja fala a várias vozes. Contudo, deveria haver um certo distanciamento em relação ao poder (central e local), assim, cheira a cumplicidades, não gosto, ninguém de bom senso e de reta intenção gosta, desta promiscuidade.


Sou apartidário e tanto me faz que se cultue a direita ou a esquerda, o servilismo é similar...

11:18 PM  

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