rouxinol de Bernardim

Um blogue plurifacetado procurando abordar questões de interesse sob perspectivas diversificadas. A independência sim, mas sempre subordinada a parâmetros de bom senso, de optimismo e de realismo. O mundo e a sociedade sob o olhar atento e desassombrado de um cineasta do quotidiano, um iconoclasta moderno, sem peias, sem tabus, sem preconceitos.

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Penso, sonho, trabalho, amo... logo, existo!

quarta-feira, fevereiro 22, 2017

Esmeraldino, o novo rico da aldeia...

Agora que adquiriu um BMW  metalizado, carro de líder, gaba-se ele, ninguém o cala! E diz que se farta de viajar. Ele é Santoinho, Quinta da Malafaia, o  S. Martinho,  o S. Bento, o  S. João, enfim, todos os carnavais ele diz que visita e conhece. E os eventos de verão, festivais de música, diz que vai a todos eles.
Gajas, então é mato. aquilo é um fartote. O carro é o seu cartão de visita, o seu atestado de virilidade económica, o seu mais que tudo. Mas a mota, de alta cilindrada, vistosa e com um trabalhar redondo, também é um símbolo de ostentação. O seu ai Jesus!
Dos lavradores, essa casta que ele, quando era pobre odiava e invejava,  então  chamava de "ricos", agora, para ele, não passam de uns pobres diabos, não viajam como ele, não têm as férias de luxo que ele tem, não saem da toca, como ele diz quando fuma um cigarro, ou um charuto barato. Também o vodka lhe faz exacerbar aquele tique de marcisismo que enfeita a sua excêntrica personalidade. Gosta de exibir os seus talentos mas procura camuflar certas facetas ocultas. O seu sucesso deve-se segundo ele, a viajar muito, ser um cidadão conhecedor de terras e gentes. é uma forma subtil de ocultar facetas menos abonatórias. Às vezes esquece-se dessa estratégia e gaba-se de ter um táxi na praça. Consta  (mas ninguém pode afirmar categoricamente, é óbvio...) que e uma prostituta brasileira que explora a meias...

Enfim, Esmeraldino é que a sabe. Parece um daqueles políticos de sucesso com dinheiros fáceis à custa de empreitadas sobrefaturadas,  contrapartidas e favores obtidos em conhecidos testas-de-ferro. Alguns usam promotores imobiliários que favorecem desmesuradamente e depois obtêm viagens, favores diversos como contrapartida  Cambalachos da nova vaga. Enfim, cada chicoesperto na sua especialidade. Cada macaco no galho que melhor conhece!

E agora, até  virou mecenas. Paga tudo ao restrito grupo de amigos que o acompanham.  Diz-se de esquerda mas gosta de viver à direita, diz ele que dá mais gozo. Esquerda caviar...
Viaja, viaja muito,  sobretudo de noite. dizem que de vez em quando vai ao Brasil buscar umas gajas para distribuir por umas casas de alterne de conhecidos seus. Enfim, são coisas da vida, ninguém faça moralismos simplórios. Ele sabe-a toda. é um finório. E tem uma corte de fiéis seguidores. Dizem os que o não topam nem vão à bola com ele, que são os "bobos da corte"!
Os lavradores, essa gente fútil, que cheira a estrume de gado não é gente limpa. Ele sim; Limpa o BMW  todos os dias com um perfecionismo doentio. Dizem alguns que teme inspeções das autoridades em operações Stop estratégicas...
E a cantilena do costume lança-a aos ventos com a volúpia de um novo midas.
Um vizinho dizia há dias por entredentes: «Ali há gato! Ele está como o pai que andava muito de noite e tinha espigas e uvas em profusão!» Este, agora,  trata de outras espigas, vai ao Brasil, vai à Córsega, vai a Marrocos, enfim, ilustres viajantes deste nosso reino...Reizetes com o rei na barriga, candidatos a donos-disto-tudo, até um dia...Enfim, avisa sempre os amigos lá no clube para onde vai: hoje é Viana, amanhã é Albufeira, depois será Benidorm. Para os amigos saberem que tem posses, um excêntrico sui generis que, tal como a abelha, constrói um favo, também ele, pouco a pouco, vai construindo o edifício do seu narcisismo para que todos saibam que agora tem status, vive à grande, é  ungido pelos deuses... longe vão os tempos sombrios em que andava a pé, nem carta de condução tinha...


Nota: Para ele, os lavradores, os "ricos" de outrora, são uns pobres coitados, ele não, é um ilustre viajante...é só gajas e festas por todo o lado...E há tantos Esmeraldinos por aí...
São eles que dão cabo da nossa economia, não os lavradores honrados que sol a sol vão dando de comer e de beber a estas criaturas megalómanas e gananciosas... 
Este Esmeraldino não existe realmente, é apenas figura do nosso imaginário coletivo.