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terça-feira, março 13, 2007

MINDELO: o cântico dos cânticos!...



Em Mindelo a fotografia é
uma tentação!... ninguém lhe resiste!


Os chilreios são aviso
Alarme premonitório:
Preservem o paraíso
Não criem um purgatório...
A reserva ornitológica
Presisa de protecção;
Dar as mãos, é a mais lógica
Arma anti-destruição!
Natureza tem razões
Que a construção bem conhece,
A ambição... não tem travões
E o acidente acontece!...
Mindelo nos arrebata
Com paisagem sedutora,
Tem força, tem alma a mata...
Com passarada canora...
Temos que, na consciência,
De todo o bom cidadão,
Meter a mão da prudência
E... tirar a conclusão!
Há que usar pedagogia
Impor o império da lei...
Palavra democracia
Seja a vontade da Grei!
É milenar tradição
Virem cá nidificar
As aves de arribação
Será "crime"!... isto "abortar"!
Destruír a Natureza
Património divinal
É pecado, com certeza,
E... pecado bem mortal!...
Rouxinol de Bernardim
Nota: homenagem aos ambientalistas de Mindelo e ao Prof Santos Júnior, criador da R.O.M.

segunda-feira, outubro 10, 2016

O Alemão, restaurante do povo

Mindelo nos seduz e nos fascina

Tem alma, tem aroma, tem fulgor
O mar a beija, abraça, qual menina
Que se entrega, tão doce, só amor!

Ao fim do dia sinto a nostalgia
Daquele azul intenso, sol e mar...
Só a lua me abraça e acaricia
E só ela me ensina... o verbo amar!

Boa terra, singela e donairosa
Terra de gente sã, hospitaleira
Deus a conserve assim: bela e formosa!

Aqui Paz, tranquila e  verdadeira
Possuímos o nosso paraíso
É melhor que o Brasil, e aquém-fronteira!
 
 
RESTAURANTE O ALEMÃO 

No restaurante Alemão
Vou ver a Ana Maria
Tão boa gastronomia
Restaurante de eleição!


Emigrantes, que alegria,
Em convívio fraternal
Mindelo é universal
Um mundo novo, eu diria...


Um convívio sem igual
Respira-se paz, bem estar,
Ouve-se a rola a cantar
Mindelo... é tão-Portugal!!!

jose manuel sá


sexta-feira, abril 07, 2023

Marinha, segundo Eça de Queiroz

A MARINHA, segundo Eça de Queiroz
(...)
Mas, meus senhores, antes de tudo, nós não temos marinha! Singular coisa! Nós só temos marinha pelo motivo de termos colónias — e justamente as nossas colónias não prosperam porque não temos marinha! Todavia a nossa marinha, ausente dos mares, sulca profundamente o orçamento. Gasta 1159 000$000!
Que realidade corresponde a esta fantasmagoria das cifras? uns poucos de navios defeituosos, velhos, decrépitos, quase inúteis, sem artilharia, sem condições de navegabilidade, com cordame podre, a mastreação carunchosa, a história obscura. E uma marinha inválida. A D. João tem 50 anos, o breu cobre-lhe as cãs: o seu maior desejo seria aposentar-se como barca de banhos.
A Pedro Nunes está em tal estado, que, vendida, dá uma soma que o pudor nos impede de escrever. O Estado pode comprar um chapéu no Roxo com a Pedro Nunes — mas não pode pedir troco.
A Mindelo tem um jeito: deita-se. No mar alto, todas as suas tendências, todos os seus esforços são para se deitar. Os oficiais de marinha que embarcam neste vaso fazem disposições finais. A Mindelo é um esquife — a hélice.
A Napier saiu um dia para uma possessão. Conseguiu lá chegar; mas exausta, não quis, não pôde voltar. Pediu-se-lhe, lembrou-se-lhe a honra nacional, citou-se-lhe
Camões, o Sr. Melício, todas as nossas glórias. A Napier insensível, como morta, não se mexeu.
Das 8 corvetas que possuímos são inúteis para combate ou para transporte — todas as 8. Nem construção para entrar em fogo, nem capacidade para conduzir tropa. Não têm aplicação. Há ideia de as alugar como hotéis. A nossa esquadra é uma colecção de jangadas disfarçadas! E este grande povo de navegadores acha-se reduzido a admirar o vapor de Cacilhas!
Têm um único mérito estes navios perante uma agressão estrangeira: impor pelo respeito da idade. Quem ousaria atacar as cãs destes velhos?
Já se quis muitas vezes introduzir nas fileiras destes vasos caducos — alguns navios novos, ágeis, robustos. Tentou-se primeiro comprá-los.
Sucedeu o caso da corveta Hawks. Era esta corveta uma carcaça britânica, que o Almirantado mandava vender pela madeira — como se vende um livro pelo peso. Por esse tempo o Governo português — morgado de província ingénuo e generoso — travou conhecimento com a Hawks, e comprou a Hawks. E quando mais tarde, para glória da monarquia, quis usar dela, a Hawks, com um impudor abjecto — desfez-se-lhe nas mãos!
Estava podre! Nem fingir soube! Tinha custado muitas mil libras.
Tentou-se então construir em Portugal. Sabia-se que o Arsenal é uma instituição verdadeiramente informe: nem oficinas, nem instrumentos, nem engenheiros, nem organização, nem direcção. Tentou-se todavia — e fez-se nos estaleiros a Duque da Terceira. Foi meter máquina a Inglaterra. E aí se descobre que a tenra Duque da Terceira, da idade de meses, tinha o fundo podre! Foi necessário gastar com ela mais cento e tantos contos.
Nova tentativa. Entra nos estaleiros a Infante D. João. 87 contos de despesa. Vai meter máquina a Inglaterra. Fundo podre! O Arsenal perdia a cabeça! Aquela podridão começava a apresentar-se com um carácter de insistência verdadeiramente antipatriótica! Os engenheiros em Inglaterra já se não aproximavam dos navios portugueses senão em bicos de pés — e com o lenço no nariz. As construções saídas do Arsenal sucumbiam de podridão fulminante. A Infante D. João custou em Inglaterra, mais cento e tantos contos!
O Arsenal, humilhado no género navio, começou a tentar a especialidade lancha.
Fez uma a vapor. Lança-se ao Tejo, alegria nacional, colchas, foguetes, bandeirolas... E a lancha não anda! Dá-se-lhe toda a força, geme a máquina, range o costado — e a lancha imóvel! Mas de repente faz um movimento... Alegria inesperada, desilusão imediata! A lancha recuava. Era uma brisa que a repelia. Em todas as experiências a lancha recuava com extrema condescendência: brisa ou corrente tudo a levava, mas para trás. Para diante, não ia. Pegava-se! O Arsenal tinha feito uma lancha a vapor que só podia avançar — puxada a bois. O País riu durante um mês. O Arsenal roeu a humilhação, encetou a espécie caíque. Ainda o havemos de ver, no género construção em madeira, cultivar — o palito!
A nossa glória, inquestionavelmente, é a Estefânia. Parece que poucas nações possuem um vaso de guerra tão bem tapetado! O orgulho daquele navio é rivalizar com os quartos do Hotel Central. E um salão de Verão surto no Tejo. E no Tejo realmente dá-se bem. No mar alto, não! Aí tem tonturas. Não nasceu para aquilo: um navio é um organismo, e como tal pode ter vocações: a vocação da Estefânia era ser gabinete de toilette. E pacata como um conselheiro. E uma fragata do Tribunal de Contas! Por isso quando a quiseram levar a Suez, quantos desgostos deu à sua Pátria! quantas brancas fez à honra nacional! É verdade que os cabos novos, da Cordoaria Nacional (sempre tu, ó terra do nosso berço!) quebraram como linhas, e ninguém lhes pode contestar que tivessem esse direito. A marinhagem também não quis subir às vergas (opinião respeitável, porque a noite estava fria). Alguns aspirantes choraram de entusiasmo pela Pátria. O capelão quis confessar os navegadores.
O caso foi muito falado nesse tempo. Mais celebrado que a descoberta da Índia.
Essa só teve Camões que naufragou; — a viagem da Estefânia teve o Sr. O. Vasconcelos que arribou! Tanto é semelhante o destino dos que cultivam o ideal! O facto é que desde então brilha no Tejo, tranquila, reluzente e vaidosa — a Estefânia, corveta mobilada pelos Srs. Gardé e Raul de Carvalho.
(…)
Eça de Queiroz, Uma campanha alegre
 
NOTA.Se naquele tempo houvesse alguns juizes serviçais ao poder como há agora (e conheço alguns), talvez  Eça de Queiroz fosse condenado por "maledicência", "ataque sistemático às instituições," "falta de patriotismo", "campanha difamatória",  "atentado à honra e bom nome da Marinha", enfim, seria crucificado, como acontece agora quando um vereador da oposição desfere alguma crítica aos abusos de poder camarário, ou algum jornalista belisca as trapalhadas governamentais! Havia liberdade de imprensa então, agora infelizmente está muito coarctada!

 

domingo, julho 13, 2008

Amor à Terra!... e à terra!...











Do blogue: bravosdomindelo.blogspot.com
Em Mindelo o amor à terra é quem mais ordena!
A paixão cidadania
O civismo militante
É convívio, é magia,
Ou bairrismo fascinante!
Isto é que é «amar a terra»!
Acendrado amor às gentes;
Lição nobre aqui encerra
Um punhado de valentes.
Esta força, esta torrente,
Deve-se multiplicar
Cada qual bem consciente
Do que importa preservar.
Mindelo sempre espraiada
No carisma popular
Terra limpa e asseada
Santuário lapidar!
Nota final: Aqui deixo a minha homenagem a estes heróis anónimos que por altruísmo puro deixam a sua marca indelével. Sinal dos tempos... Não!, esta não é uma geração «rasca»!... Bem pelo contrário!

sábado, junho 04, 2011

Almeida Garrett, intemporal...

Será que Garret, quando jovem, teria este aspecto?

Era assim, Jacinto Lucas Pires há uns anos. O ADN não engana!



Atingiste o limiar da perfeição
Burilaste as palavras com mestria
No Teatro criaste animação
Nova luz transmitiste à poesia!


O Porto se rendeu ao teu perfil
O Norte foi pra ti uma paixão
Por isso te envolveste em causas mil
À Cultura entregaste o coração.


Garrett, inauguraste o romantismo,
Trilhaste novos rumos literários,
Mindelo te deu aura de heroísmo.


Levaste a tua cruz a mil calvários
Com classe, inteligência, virtuosismo,
Foste um «puro»... no meio de «falsários»...



domingo, julho 13, 2008

Vila do Conde no pódio: 16º das «Curtas-Metragens»!


R. de B. e S. S.




«Meu caro Spielberg, que acha do Festival de Curtas Metragens de Vila do Conde?»


«Fiquei fascinado! Para o ano cá estarei de novo e trarei um filme para ser exibido!»




Ele passou quase despercebido. Modesto, simples, sem se mostrar perante os holofotes da comunicação social, Spieldberg esteve em Vila do Conde e deu uma entrevista. Rouxinol de Bernardim, dá conta da sua presença.



R.B.- Como teve conhecimento deste certame?

S.S. - Olhe Rouxinol, este Festival sempre esteve debaixo de olho, só agora cá pude vir porque juntei o útil ao agradável...

R.B.-?!

S.S.- Vou fazer uma curta-metragem de propósito para ser exibida aqui. Quero ver a adesão que vai ter! Será um teste para a minha criatividade...

R.B. -Mas aqui é para os novos, os que estão em princípio de carreira, não para os consagrados!

S.S.- Quero sujeitar-me a um teste. Quero saber também a capacidade crítica e o potencial dos que fazem de «examinadores»... quero saber se tenho «talento»!...

R.B.- Já tem título a obra?

S.s.- Sim, já tenho tudo mais ou menos alinhavado. Vai chamar-se : «A noite submersa!»

R.B.- Não tem similitudes com a «Manhã submersa» de Lauro António?

S.S.- Conheço bem Lauro António e o seu trabalho baseado na obra de Vergílio Ferreira, que muito apreciei. Isto é diferente. É uma divagação sobre a noite e os seus meandros...

R.B. - Vai falar sobre clubes nocturnos?

S.S.- Não, vou falar sobre a influência da noite no dia-a-dia, no tráfico de influências, na capacidade interventiva no poder decisório. Trata-se de uma mulher que seduz um autarca e o seu rival numa autarquia portuguesa. Depois, essa «Mata Hari» faz tudo o que quer à custa da sua capacidade de se insinuar...Ela é a charneira erótica num triângulo amoroso!...

R.B.- Já tem nomes em mente para as principais personagens?

S.S.- Olhe Rouxinol, já pensei na Carla Matadinho e no Joaquim de Almeida. Ela a sedutora, ele o presidente de câmara seduzido. Quanto ao outro interveniente no triângulo amoroso estou a pensar convidar o Vítor Norte ou o até o João Malheiro, uma espécie de Dr Mundinho do Jorge Amado na Gabriela Cravo e Canela.

R. B.- E quanto ao cenário?

S.S.- Já escolhi Vila do Conde como o palco principal. Mas Póvoa de Varzim, Porto e Lisboa serão também locais muito emblemáticos. Já tenho uma ideia muito bem elaborada sobre tudo. Há uma cena em que intervém um fantasma, essa será rodada naquele edifício da av. Júlio Graça em Vila do Conde (o hotel antigo). Trata-se de uma «femme fatale» que ressurge do Além para lançar a sua teia sedutora sobre alguns incautos. Ela, Bianchi Apolloni, é uma italiana ninfomaníaca que não tem descanso e surge com frequência para atormentar a vida dos galãs mais empedernidos...

R.B.- Não é uma crítica a alguns portugueses da actualidade?

S.S.- Nada disso. É pura ficção. Não contém críticas políticas aos governantes ou autarcas actuais. Pelo que sei o ambiente é demasiado taciturno para merecer honras cinematográficas. Em Vila do Conde e na Póvoa de Varzim tudo se resume a mandar para tribunal os opositores por alegados insultos e pouco mais. É um ambiente muito pobre em termos factuais. Talvez Kafka tivesse aqui pano para mangas. Eu não. Agora os cenários naturais são lindos: o mosteiro de Santa Clara, as paisagens envolventes ao rio Ave, Laundos, Aguçadoura, Rates, A-ver-o-mar, Bagunte, Azurara, Junqueira, Mindelo, são locais maravilhosos que darão um enquadramento magnífico ao filme.

R.B.- É uma tragédia ou comédia?

S.S.- Nem uma coisa nem outra. É uma ficção que procura dar ênfase à paisagem natural, aos talentos das principais personagens e a uma certa idiossincrasia lusitana que sempre me fascinou. Vi há tempos o «Call Girl» de António Pedro de Vasconcelos e fiquei impressionado! O cinema português precisa de maior visibilidade. Talvez faça um filme sobre Aristides Sousa Mendes, outro sobre o jornalista desportivo Cândido de Oliveira, são duas personagens históricas que muito admiro. Talvez eu ainda venha a reescrever a História de Portugal pois os portugueses nem sabem o valor dela! Há um ditado muito lusitano que reza mais ou menos assim: «Santos da casa não fazem milagres!», é preciso vir alguém de fora enaltecer as virtualidades portuguesas, para que os indígenas se apercebam delas!... Mas o mal é geral!

sexta-feira, novembro 23, 2018

Exército europeu?!

  




A União Europeia pensa na criação de um exército europeu para evitar depender excessivamente dos States (reforçando o peso e capacidades de intervenção no âmbito da NATO). Enfim, há quem seja a favor e quem seja contra.  O que pensar desse exército?
Entronca esta pergunta no contexto mais vasto das correntes de opinião vigentes .
Será que a UE está a caminho do fim,  ou está num ciclo agregador e mobilizador?
Seria ingenuidade pensarmos que tudo são rosas. Os movimentos independentistas  mostram cada vez mais a sua face desagregadora. Criticam-se cada vez mais os gastos excessivos e o monstro burocrático criado. Fala-se nas "velocidades" e nas "vozes"...Há, sempre houve, os chamados "eurocéticos"...

Enfim, o Brexit  poderá definir um movimento futuro: se for um êxito para o Reino Unido, isso irá desencadear movimentos desagregadores e independentistas; se, pelo contrário, for um insucesso, dará azo a um cerrar fileiras e a uma maior coesão do baluarte europeu.
Contudo, tudo nasce, cresce, amadurece e morre. Ninguém tenha ilusões.

Recordo o ano de 1971.  Eu prestava  serviço militar em Angola.
Uma bela noite desloquei-me a casa do professor doutor Santos Junior (o criador da Reserva Ornitologica de Mindelo), que então leccionava em Luanda (Estudos Gerais, como então se designava). Morava na rua cidade de Lisboa, uma rua pouco movimentada.
Falou-se na evolução do Império Colonial Português e diferenças em relação aos Impérios Inglês e francês. Ele, excessivamente convicto da nossa superioridade em relação a inglesses e franceses no tocante a humanismo e capacidade de miscigenação, previa a manutenção do nosso Império por muitos anos. Dizia que nós não tínhamos "colónias", eram apenas "Províncias Ultramarinas" (como a ideologia oficial crismara o vasto território ultramarino. Que nós éramos mais inteligentes e mais humanos que franceses e ingleses,  sobretudo. Daí a nossa maior longevidade em terras de África.
Falei-lhe no Brasil e na rentabilidade que teve aquele território para nós, sobretudo depois de uma independência feliz. Eu achava que dentro de dez ou quinze anos tudo estaria já encerrado, graças a uma planificação  e a uma política de coexistência pacífica com os indígenas. Falei na política de abertura sobretudo no Leste de Aangola, onde Savimbi estava a ser colaborante e pensava num futuro promissor numa sociedade pluralista e em que houvesse igualdade de oportunidades para todos. 

O professor Santos Júnior exasperou-se com os meus comentários e com a minha visão histórica. Chamou "estúpida", com azedume e agressividade esta minha visão que ele definia como "capitulacionista"... Reconheço que não era só ele a chamar "estúpida" a esta visão planificada e ponderada...
Eu retruquei que a "Voz da História" era para ser ouvida com atenção e que  uma planificação séria e  bem ponderada deveria ser o caminho a seguir pois a Guiné iria ser o primeiro baluarte a cair (pela força) se não houvesse uma política de admissibilidade da independência (ainda que a longo ou médio prazo) das "Províncias".  Em Angola a guerra estava "ganha" concordei eu, muito embora pudesse suceder uma cadaverização do império se a Guiné caísse e a intervenção estrangeira mobilizasse mais recursos..

Passados três anos  o MFA, perante a incapacidade do regime em tomar uma posição séria e credível, fez eclodir a situação geopolítica e provocou danos colaterais incalculáveis, pois o cenário da descolonização foi terrível para ambas as partes. Se o "soneto" já era mau... a "emenda" foi pior...
A minha "sugestão estúpida", era a "sugestão" do general Norton de Matos e de mais alguns adeptos com visão histórica e não enfeudados ao radicalismo. Os radicais de então provocaram a reação dos militares. A marcha da História foi implacável e poucos a imaginaram assim...

Agora, na União Europeia , passa-se algo similar. Ou se avança sem medos,  sem tergiversações, para a união de facto (Exército, Banca, dentre outros segmentos) criando um cimento aglutinador, ou então, a destruição irá paulatinamente desencadear-se (estimulada quer por americanos, quer por russos, que não querem o crescimento harmónico da União) com os danos colaterais óbvios e imprevisíveis (alguns belicismos poderão surgir).

Está na hora de decisão. O fim pode estar mais próximo do que se imagina. Ou se vai, com determinação, coragem e convicção, para uma reforma tendente à desburocratização e criação de mecanismos aglutinadores e geradores de mais e melhor União, ou então, os ventos desagregadores pairarão sobre este espaço europeu com intensidade máxima.

A  situação  é clara e compete-nos decidir. Oxalá a União seja o denominador comum. Contudo, o mais elementar realismo, convida-nos a meditar no cenário oposto, também.

PARA MEMÓRIA FUTURA

terça-feira, outubro 23, 2007

Não, não é conto... foi real!




__Então D. Nazaré, que tem o telefone?! Faz uns ruídos esquisitos, uns clics fora do normal!..
__Tenha cuidado alferes, pois pode estar sob escuta!
Foi assim esta a primeira vez que dei conta da existência das escutas. Era um período de grave suspeição. Corria o ano de 1971 e eu estava colocado em Angola. Costumava frequentar a casa do professor Santos Júnior, o criador da reserva ornitológica de Mindelo. Era na rua Cidade de Lisboa, um sítio sossegado e muito acolhedor. Ele, então colocado nos chamados Estudos Gerais
em Luanda, era simpático e gostava de receber pessoas da Metrópole. Nesse dia ele só bebia líquidos, "faço-o uma vez por mês, para ver se chego aos cem anos", gracejava com certa dose de ironia. Presentes alguns professores universitários amigos, bebendo cerveja.
__Eu não acredito nesta raça negra, a maioria são uns broncos, uns imbecis, não são capazes de se salientar em nada...__ falava assim um sujeito alto e forte que era natural da Guarda.
__Pois eu não sou tão radical__contrapuz eu__acredito que há negros inteligentes e capazes de ombrear com os brancos em muitos domínios, só que nalgumas circunstâncias eles não têm condições favoráveis para desabrochar... como agora, aqui em Angola.
__Você é poeta, tem desculpas, é um lírico!__ sorriu o outro com malícia no olhar__está provado cientificamente que a raça negra é inferior...
A conversa, amena e cordial, ia sendo salpicada, aqui e ali, por intervenções do anfitrião, prof. Santos Júnior... Ele próprio, embora de forma delicada, também afinava pelo mesmo diapasão...
O tema passou a ser a guerra e o futuro da Província Ultramarina, Angola...
Eu, embora de forma prudente, disse:
__Julgo que é preciso ter muito cuidado, pode passar-se aqui o mesmo que no Congo... pode demorar dez, vinte anos, sei lá...
__Não seja pessimista, homem__ desancou de imediato o tal sujeito da Guarda...__além de poeta você está num estado de espírito pouco propício a enfrentar uma guerra...
__Não, não é pessimismo, é realismo, há que dar ouvidos à História!... __repliquei eu.
__Você parece o Manuel Alegre, esse que foi para a Argélia arrotar postas de pescada, dizendo mal de Portugal e dos portugueses... Esse cobarde queria fazer aqui uma guerra civil!...
__Julgo que talvez não fosse essa a ideia, talvez dar uma independência como aconteceu no Brasil, para dar voz a todos os angolanos independentemente da cor da pele...
__Você está pior do que eu pensava! você defende esse canalha?! Você "ouve vozes" seja da História, seja do "vento", quem "ouve vozes" não está bem fino... deve tratar-se...
A conversa aparentemente simples e cordial azedou. Vim a saber mais tarde (por intermédio do professor) que ele tinha um irmão na Pide/DGS...
A minha correspondência particular começou a vir violada e nem esforço faziam para eu não perceber...
Não sei porque carga de água esta conversa chegou a um oficial superior que me interpelou sobre ela e sobre as tais "vozes"... Fiquei siderado! Até me mandaram a um psiquiatra!... e fui, mas não consegui convencê-lo totalmente. Ele era ainda mais reaccionário do que o tal professor da Guarda!
Passados uns tempos houve uma forte explosão em Tancos e essa explosão foi atribuída a um amigo meu, de nome Ângelo, que mais tarde vim a saber pertencer à LUAR (Acção Revolucionária Armada). A princípio defendi o tal Ângelo quando surgiu a notícia, pois não acreditava ser possível ele fazer tal coisa...
Enfim, nunca me passou pela cabeça que aquela conversa havida na casa do professor Santos Júnior desencadeasse escutas telefónicas, mas de facto assim foi...
O Big Brother sempre em acção!...

sábado, agosto 21, 2010

CARLOS QUEIROZ: dura lex sed lex!

E vocês diziam que eu era sargentão!!! aí têm agora o ... carroceiro hipersargentão!!!
Finalmente !!! Há controlo, há supervisão! Acabou-se o laxismo, a bandalheira, a impunidade dos que se sentem acima da lei!... Dos intocáveis!

Eis aqui, o princípio do fim desse ídolo de pés de barro que a todos nos enganou!
Como pode impor disciplina, respeito, organização, quem não se dá ao respeito, quem usa e abusa de uma verbe soez, verrinosa, boçal, para intimidar quem cumpre honradamente o seu papel?!
Já tive consideração e estima por este homem. Depois de ouvir aquele «EXECRÁVEL» dirigido a um jornalista do SOL que se limitou a transcrever uma conversa de facto havida entre ambos, e nunca desmentida, que pensar deste cidadão?! Subiu-lhe o poder à cabeça!? Chamar «cabeça de polvo» a um superior hierárquico é de um refinado mau gosto e de uma falta de senso a toda a prova. Pensa que por ser mediático, se torna intocável?!

O povo já o classificou bem. Vinha eu pela Av Mouzinho de Albuquerque, na Póvoa de Varzim ,e encontrei o Zé Labrego; sobre o Queiroz disse:«Coitado, já não fecha bem a gaveta!»
Fui almoçar a Mindelo, a um restaurante frente à praia, juntamente com minha esposa; aí encontrei o conhecido Seca Adegas, sempre em festa, sempre sorridente, lá me foi dizendo:«Coitado do Queiroz, não se lava com a água toda... dizem que é do café a mais...»
Enfim, será que a «voz do povo é a voz de Deus»?
Se é, ele vai entrar numa espiral infernal, a curto prazo. Há que pensar no substituto, este já tem os circuitos neuronais muito calcinados!

quinta-feira, abril 29, 2010

Os mercados em pé de guerra contra Portugal!

Não, não é a guerra das estrelas! é a guerra dos mercados.

A soldo de alguém (uns dizem que dos americanos, invejosos com a perfomance do euro e com a colocação de Portugal no terceiro lugar do ranking futebolístico...), as descidas na bolsa são fruto de autênticos predadores. O abalo telúrico atinge vários graus na escala de Ritcher.
Qual a solução?
Um tratamento de choque!

Os políticos abdicarem de dois meses de ordenado. Os administradores de empresas públicas ou para-públicas sofrerem tosquias a sério. Os carros faustosos de alguns ministérios serem vendidos e em troca modelos utilitários para conferirem DIGNIDADE aos cargos...
Não é com carro de luxo que se atesta a DIGNIDADE, mas com exemplos práticos, com gestos simbólicos, com posturas sãs.

Vejam aquele exemplo dos médicos do Hospital Pedro Hispano! Abdicaram dos carros a que tinham direito para investir num aparelho dispendioso mas indispensável para melhor tratarem os doentes! Issso é que é DIGNIDADE!
Sigam as pisadas dessa gente humilde, trabalhadora que vê a DIGNIDFADE no trabalho e na postura perante a profissão, e não no carrão onde passeiam a alma...

Deixem de ir passar férias ao Quénia, às Ilhas Virgens ou paraísos que tais. Vão à Foz do Arelho, a Porto Santo, a Vila Nova de Mil Fontes, a Vila Praia de Âncora, às Caxinas, a Mindelo ou Averomar!... São tão dignas como as outras!...

Os principais clubes de futebol em vez de darem prendas e mais prendas vindas lá das argentinas e das colômbias deviam mas era vender todos os craques e procurar novos talentos intra-muros, que os há mas são lançados para a valeta... Rivalidades doentias só para armar aos cágados não são mais que o atestado da nossa miséria dourada em que o papel alienante da bola está pior que no tempo da outra senhora!...

segunda-feira, dezembro 18, 2006

Almeida Garrett, o Homem certo para animar o COLISEU!













Atingiste o limiar da perfeição
Burilaste as palavras com mestria...
No Teatro criaste animação
Nova Luz transmitiste à Poesia!

O Porto se rendeu ao teu perfil,
O Norte foi p'ra ti uma paixão
Por isso te envolveste em causas mil
À Cultura entregaste o coração!

Garrett, inauguraste o romantismo!
Trilhaste novos rumos literários...
Mindelo te deu aura de heroísmo...

Levaste a tua cruz a mil calvários...
Com classe, inteligência, virtuosismo;
Foste um puro... no meio de "falsários"!...

Joteme

sábado, agosto 12, 2006

ALMEIDA GARRETT


Atingiste o limiar da perfeição
Burilaste as palavras com mestria
No Teatro criaste animação
Nova luz transmitiste à poesia!

O Porto se rendeu ao teu perfil
O Norte foi p'ra ti uma paixão
Por isso te envolveste em causas mil
À cultura entregaste o coração!

Garrett!, inauguraste o romantismo
Trilhaste novos rumos literários
Mindelo te deu aura de heroísmo...

Levaste a tua cruz a mil calvários
Com classe, inteligência e virtuosismo
Foste um "puro" no meio de "falsários"!...

Rouxinol de Bernardim