rouxinol de Bernardim

Um blogue plurifacetado procurando abordar questões de interesse sob perspectivas diversificadas. A independência sim, mas sempre subordinada a parâmetros de bom senso, de optimismo e de realismo.

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terça-feira, março 07, 2017

Ensaio sobre a Coragem...





Eles andam por aí, exibindo de forma despudorada e impante a sua coragem. É vê-los na rádio, na TV, nos jornais. Vaidosos, arrogantes, por vezes sem um resquício de modéstia, sem um pingo de ética, sem aquela humildade que define os homens de carácter. Exibicionismo puro, estulto. Jactància, exibicionismo, vaidade sem limites...Vimos Hitler, cheio de coragem,  conduzir o mundo ao abismo, retirando a esperança a milhões de seres indefesos; vimos Pinochet, um facínora cheio de coragem, acobertado pelas forças mais retrógradas do Chile (I.C. incluída...) vimos Franco,  um fariseu assassino, vimos Mussolini,  vimos Alves dos Reis, o famoso falsário; enfim, tudo gente que vociferava coragem e fazia temer as criaturas...Mas sem escrúpulos, sem honra, sem ética, sem humildade, sem modéstia...
Faltava-lhes dimensão humana, ética, serenidade. Aquilo que lhes sobrava em coragem, faltava-lhes  em escrúpulos, em honra, em dignidade. Orgulho e soberba em grau patológico, como vemos alguns por cá. Por tudo e por nada estão a exibir o seu orgulho por coisas de lana caprina, como se esse orgulho lhes retirasse a carga negativa que por vezes exibem...

A coragem só por si não é nada, é um valor sem valor. É preciso sageza, é preciso ponderação, é preciso prudência e sensatez.
Vimos Vale e Azevedo, cheio de manhas, repleto de astúcia, dominando a comunicação social com perícia; vimos Sócrates, o autoproclamado "animal feroz", exibindo coragem e astúcia com a verbosidade de um ilusionista de feira, vimos Ricardo Salgado, cheio de artimanhas, de astúcias, de coragem...
O país nesta hora de regeneração (será que vem aí ou continua tudo com dantes, quartel general em Abrantes...) precisa de gente séria. Não olhem embasbacados para o seu carro, o seu fato Armani, a sua conta bancária que lhe permite pagar almoços e jantares a todo o mundo, em restaurantes d e luxo,  para se projetar, se alçapremar ao estrelato, ao poder. Isso, tantas vezes, não é mais que fogo de vista, areia para os olhos,  aragem dourada que procura esconder a  pulhice que vai na carruagem...
Já dizia o escritor invisual, Jorge Luís Borges:«o cego vê mais fundo e mais longe , pois não se deixa iludir pela aparência...»