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quarta-feira, junho 09, 2010

Eça de Queiroz um português intemporal!


«Eça de Queiroz, esse maledicente... não passa de um pessimista doentio e anti-patriota... chiça! Ataca a santa madre igreja, o clero, ofende até a classe política que é nobre e digna de consideração e respeito. A banca não lhe dá crédito.»

Eça: «Portugal está no topo da chacota internacional, os seus líderes parecem napoleões de hospício cheios de prosápia e pesporrência...»

Em 1872, nas «Farpas», Eça disse isto: «Nós estamos num estado comparável somente à Grécia: mesma pobreza, mesma indignidade política, mesma trapalhada económica, mesmo abatimento de caracteres, mesmo desleixo de espírito. Nos livros estrangeiros, nas revistas, quando se fala num país caótico e que pela sua decadência progressiva poderá vir a ser riscado do mapa da Europa, citam-se a par, a Grécia e Portugal.»
Hoje poderia escrever mais ou menos isto: «Portugal e Grécia continuam a par na trapalhada política, na falta de carácter da maioria dos políticos, nas pulhices da justiça, na putrefação das instituições. Os principais líderes, que deveriam ser símbolos de coragem, de honestidade intelectual, de lisura de processos, não o são. Mais parecem figuras saídas de algum hospício, debitando um discurso eufórico, delirante, desfasado da realidade concreta que vivemos e sentimos. Portugal precisa de uma vara de marmeleiro. E de alguém que a use com a mesma mestria que um tal Nazareno o fez, expulsando os vendilhões do templo. Enfim, a mesma choldra de sempre! Os mesmos a chafurdar na pocilga lusitana. Uma vara. »