sexta-feira, outubro 25, 2019

Sentido de Estado






O  que pensar sobre aquela afirmação de  Mário Centena no sentido de conseguir que Portugal passe a ter uma dívida próxima dos cem por cento do PIB?!
  Hoje em dia, quando o sentido de estado anda fora das mentes dos políticos, mais apostados em medidas imediatistas e eleitoralistas, não deixa de ser curioso manifestar esta séria e racional meta-preocupaçao.  Quando todos falam em reformas estruturais (sem especificar, fugindo habilmente às perguntas incómodas), quando se fala com sageza e lucidez sobre a necessidade de implementar medidas anti-cíclicas (o próprio Dr Rui Rio o fez)  que esperar do futuro próximo?
  Sabe-se que o sentido de estado não abunda, que os populismos de todos os matizes andam por aí vendendo banha de cobra e acenando com demagogias balofas, sempre à cata de aplausos fáceis e de améns oportunistas, olvidando o contexto actual e,  pior do que isso, não prevenindo um futuro mediato menos benigno do que o actual.

  Sim, com as taxas de juro baixas, com o preço do petróleo a níveis razoáveis, com  um ambiente externo propício a crescimento, ainda que moderado, tudo parece ir no melhor dos mundos. contudo, se alguns parâmetros se alterarem radicalmente, como vamos suportar o esforço de um endividamento tão elevado?
  Essa é a pergunta que todos devem fazer neste momento. Reformas estruturais, medidas anti-cíclicas, redução drástica do endividamento será uma prioridade. Esquecer isto é hipotecar o futuro das novas gerações. Será que alguém entende isto, será que todos continuam a meter a cabeça na areia esquecendo aquela legítima e patriótica ambição do nosso grande economista que é __ seja-se ou não da "seita"__Mário Centeno?!
  Não basta termos um Cristiano Ronaldo, é preciso ter sentido estratégico, espírito colectivo, solidariedade intergeracional.


José Leite de Sá




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