terça-feira, julho 15, 2008

Um ano de saudade: Eliana Castro!


Um voz galvanizante, uma pessoa excepcional, há um ano que nos deixou mas a sua memória perdura, como uma flor do campo que teima em se eternizar por mais que a arranquem. Enfim, um lírio do campo que amava o Fado e fazia com que todos partilhassem o mesmo gosto por ele.
A ela, a todas as Elianas que povoam o nosso imaginário, a minha singela homenagem.
Andorinha-Primavera
Gaivota sem rumo certo
Eliana!, quem nos dera
Ter-te sempre aqui por perto!
Iremos partir um dia
É condição dos mortais...
Partiste cedo, eu diria,
Partiste cedo demais!...
Tua voz se perpetua
Da lei da morte liberta
O teu Fado se cultua
E nos anima e desperta!
Pergunto ao vento que passa
O porquê desta partida?
O vento chora... e disfarça...
São os mistérios da vida...
Nas asas da nostalgia
Eliana vai voando
Voa, voa noite e dia
Vila do Conde cantando!!!

segunda-feira, julho 14, 2008

Agradecimento

Ao blogue mardemaio.blogspot.com do professor Dimas Maio, agradeço as encomiásticas palavras concernentes ao post:« Marinho Pinto, um "general sem medo"». Mas, como diria o outro: «não havia necessidade»... É demasiada a amabilidade sua. Cumprimentos.

domingo, julho 13, 2008

Amor à Terra!... e à terra!...











Do blogue: bravosdomindelo.blogspot.com
Em Mindelo o amor à terra é quem mais ordena!
A paixão cidadania
O civismo militante
É convívio, é magia,
Ou bairrismo fascinante!
Isto é que é «amar a terra»!
Acendrado amor às gentes;
Lição nobre aqui encerra
Um punhado de valentes.
Esta força, esta torrente,
Deve-se multiplicar
Cada qual bem consciente
Do que importa preservar.
Mindelo sempre espraiada
No carisma popular
Terra limpa e asseada
Santuário lapidar!
Nota final: Aqui deixo a minha homenagem a estes heróis anónimos que por altruísmo puro deixam a sua marca indelével. Sinal dos tempos... Não!, esta não é uma geração «rasca»!... Bem pelo contrário!

HAJA VERGONHA!

«Nós somos os alicerces de um futuro não muito distante onde o Mal triunfará com todo o seu esplendor


A Rússia e a China deram o seu «aval» ao folclórico processo que culminou na reeleição de Robert Mugabe no Zimbawe, após a desistência do outro candidato, obrigado a refugiar-se numa embaixada devido a perseguições e ataques dos chamados «veteranos de guerra».

Não ingerência nos assuntos internos! Que de democracia esta que viola os mais elementares princípios e as regras minimamente aceites como imprescindíveis num Estado civilizado.
Perseguir, torturar, matar, pressionar para votar no candidato «oficial», tudo isto foi usado para a perpetuação no poder da «vaca sagrada» Mugabe.

A ONU está atada de pés e mãos. É mais uma figura decorativa que outra coisa qualquer. Há que rever com urgência o direito de veto pois é um passaporte para a iniquidade, um salvo-conduto para o despotismo e a barbárie ...

Vila do Conde no pódio: 16º das «Curtas-Metragens»!


R. de B. e S. S.




«Meu caro Spielberg, que acha do Festival de Curtas Metragens de Vila do Conde?»


«Fiquei fascinado! Para o ano cá estarei de novo e trarei um filme para ser exibido!»




Ele passou quase despercebido. Modesto, simples, sem se mostrar perante os holofotes da comunicação social, Spieldberg esteve em Vila do Conde e deu uma entrevista. Rouxinol de Bernardim, dá conta da sua presença.



R.B.- Como teve conhecimento deste certame?

S.S. - Olhe Rouxinol, este Festival sempre esteve debaixo de olho, só agora cá pude vir porque juntei o útil ao agradável...

R.B.-?!

S.S.- Vou fazer uma curta-metragem de propósito para ser exibida aqui. Quero ver a adesão que vai ter! Será um teste para a minha criatividade...

R.B. -Mas aqui é para os novos, os que estão em princípio de carreira, não para os consagrados!

S.S.- Quero sujeitar-me a um teste. Quero saber também a capacidade crítica e o potencial dos que fazem de «examinadores»... quero saber se tenho «talento»!...

R.B.- Já tem título a obra?

S.s.- Sim, já tenho tudo mais ou menos alinhavado. Vai chamar-se : «A noite submersa!»

R.B.- Não tem similitudes com a «Manhã submersa» de Lauro António?

S.S.- Conheço bem Lauro António e o seu trabalho baseado na obra de Vergílio Ferreira, que muito apreciei. Isto é diferente. É uma divagação sobre a noite e os seus meandros...

R.B. - Vai falar sobre clubes nocturnos?

S.S.- Não, vou falar sobre a influência da noite no dia-a-dia, no tráfico de influências, na capacidade interventiva no poder decisório. Trata-se de uma mulher que seduz um autarca e o seu rival numa autarquia portuguesa. Depois, essa «Mata Hari» faz tudo o que quer à custa da sua capacidade de se insinuar...Ela é a charneira erótica num triângulo amoroso!...

R.B.- Já tem nomes em mente para as principais personagens?

S.S.- Olhe Rouxinol, já pensei na Carla Matadinho e no Joaquim de Almeida. Ela a sedutora, ele o presidente de câmara seduzido. Quanto ao outro interveniente no triângulo amoroso estou a pensar convidar o Vítor Norte ou o até o João Malheiro, uma espécie de Dr Mundinho do Jorge Amado na Gabriela Cravo e Canela.

R. B.- E quanto ao cenário?

S.S.- Já escolhi Vila do Conde como o palco principal. Mas Póvoa de Varzim, Porto e Lisboa serão também locais muito emblemáticos. Já tenho uma ideia muito bem elaborada sobre tudo. Há uma cena em que intervém um fantasma, essa será rodada naquele edifício da av. Júlio Graça em Vila do Conde (o hotel antigo). Trata-se de uma «femme fatale» que ressurge do Além para lançar a sua teia sedutora sobre alguns incautos. Ela, Bianchi Apolloni, é uma italiana ninfomaníaca que não tem descanso e surge com frequência para atormentar a vida dos galãs mais empedernidos...

R.B.- Não é uma crítica a alguns portugueses da actualidade?

S.S.- Nada disso. É pura ficção. Não contém críticas políticas aos governantes ou autarcas actuais. Pelo que sei o ambiente é demasiado taciturno para merecer honras cinematográficas. Em Vila do Conde e na Póvoa de Varzim tudo se resume a mandar para tribunal os opositores por alegados insultos e pouco mais. É um ambiente muito pobre em termos factuais. Talvez Kafka tivesse aqui pano para mangas. Eu não. Agora os cenários naturais são lindos: o mosteiro de Santa Clara, as paisagens envolventes ao rio Ave, Laundos, Aguçadoura, Rates, A-ver-o-mar, Bagunte, Azurara, Junqueira, Mindelo, são locais maravilhosos que darão um enquadramento magnífico ao filme.

R.B.- É uma tragédia ou comédia?

S.S.- Nem uma coisa nem outra. É uma ficção que procura dar ênfase à paisagem natural, aos talentos das principais personagens e a uma certa idiossincrasia lusitana que sempre me fascinou. Vi há tempos o «Call Girl» de António Pedro de Vasconcelos e fiquei impressionado! O cinema português precisa de maior visibilidade. Talvez faça um filme sobre Aristides Sousa Mendes, outro sobre o jornalista desportivo Cândido de Oliveira, são duas personagens históricas que muito admiro. Talvez eu ainda venha a reescrever a História de Portugal pois os portugueses nem sabem o valor dela! Há um ditado muito lusitano que reza mais ou menos assim: «Santos da casa não fazem milagres!», é preciso vir alguém de fora enaltecer as virtualidades portuguesas, para que os indígenas se apercebam delas!... Mas o mal é geral!

sábado, julho 12, 2008

Na guerra mijar, mijar!...


A forma mais original de acabar com uma guerra!
Não!, eu não vou por aí!
A guerra não é solução
É o degolar da razão
Nela faço ... o meu xixi!
A guerra é pura indecência
A loucura mais cruel
É morte vestindo a pele
Da mais ignóbil demência.
Não!, eu não vou por aí!
A guerra é fruto do Mal
É semente irracional
Cegueira maior que eu vi!
No Iraque ou no Sudão
Labaredas de terror
É preciso um extintor
Que termine a combustão.
Se for preciso urinar
Crianças do mundo inteiro
Há que apagar o braseiro:
Na guerra mijar, mijar!...

O discurso da toureira!...

«Ó chifrudo, julgas que és o dono da arena? Eu sozinha faço-te ajoelhar a meus pés!»

Não tenho medo de ti

Ó chifruda criatura

Como tu, muitos venci,

Touro de má catadura!

A largar farpas és bom!...

Seu reles touro de liça

És o touro-corrupção

Sou a toureira-justiça!

Nesta arena da verdade

Ri melhor, quem ri no fim;

Babas só ferocidade

Touro corrupto e ruim!

A verdade há-de surgir

Com toda a nudez, bem forte;

Touro corrupto a fugir

Será um touro de morte.


sexta-feira, julho 11, 2008

Entrevista com Robin dos Bosques


__Então meu caro Robin dos Bosques, que me diz a esta medida de José Sócrates ao dar o seu nome a uma lei?
__Olhe, meu amigo Rouxinol, é a consagração universal da minha política de saque. O governo assume que é preciso sacar àqueles que estão fartos de sacar também. Só lamento é a falta de patriotismo do vosso primeiro-ministro!...
_-Falta de patriotismo?!
__Sim, foi pôr o nome de um estrangeiro, um inglês, quando poderia pôr um nome bem português: Zé do Telhado!
__É a mania dos estrangeirismos! Sabe Robin, a gente bem diz «o que é nacional é bom», mas há quem pense o contrário! Pobres criaturas!
__Agora só não compreendo porque é que a lei tem um universo tão restrito!
__Como assim?!
__Deveria ser extensiva aos traficantes, aos proxenetas, aos tubarões do futebol, das autarquias,
enfim, há uma série de plutocratas à custa do erário público que fogem ao fisco, usam off-shores para «evaporar» os dinheiros sujos, esses também deveriam ser alvo dessa lei. Assim, é muito restritiva... é selectiva demais! Deveria ser geral e abstrata, contemplar todos os faustos e todas as excrescências plutocráticas visiveis a olho nu...
__ Coitados, os tubarões do futebol estão em queda, andam a persegui-los forte e feio. Anda aí uma tal Mizé Morgado que os persegue até ao quinto dos infernos! Até ao milésimo, diria mais! é uma paranóia, uma mania persecutória, uma vingança sem limites!
__E nas autarquias? Há para aí alguns tesos que viraram ricaços do pé para a mão: têm avultados patriomónios, passam férias nos sítios mais selectos e sofisticados, têm contas na Suíça,
os familiares exibem apartamentos de luxo, mordomias sem conta!...
__Caro Robin, isso é tudo mentira! andam para aí uns blogues de invejosos a inventar patranhas a torto e a direito. É a inveja mais mesquinha que se possa imaginar! coitados dos autarcas, andam com uma mão atrás e outra à frente!... Carros a desfazerem-se, roupas gastas e esfarrapadas, uns pobres diabos!... já pensei em fazer um peditório para alguns presidentes de câmara tão devotos à causa pública, tão sacrificados, tão amarrados ao dever que parecem lapas agarradas à rocha!... e lá continuam numa autoflagelação pungente, parecem «cristos» vergados ao peso da responsabilidade, cheios de dívidas, a família na miséria, enfim, uns mártires da causa pública. Quando a História os descrever, no futuro, será certamente como um S. Estêvão apedrejado pela ingratidão popular! Sim, eles são lapidados na praça pública pelos invejosos, pelos ressabiados, pelos gananciosos malandros que usam a oposição como David usava a funda!...

Marinho Pinto, um «general sem medo»!

Quando a víbora fascista está emergindo, subreptícia e paulatinamente, há alguém que resiste, que vê aquilo que todos vêem mas têm medo de afirmar alto e bom som, e diz aquilo que muitos pensam, mas não têm a coragem de dizer.
É preciso ter coragem e frontalidade para afirmar verdades num contexto de corrupção generalizada, de instrumentalização de órgãos que deveriam ser isentos, estar acima de qualquer suspeita, mas que não estão.
Tiro o meu chapéu ao Dr Marinho Pinto, bastonário da ordem dos advogados, pois tem sido uma voz isolada a bradar no deserto. Quando o país está de cócoras, quando os jornais estão amordaçados, quando a própria AR não é capaz de ir mais longe no combate à corrupção instalada, é de louvar este cidadão que não deixa por mãos alheias o que tem a dizer.
Agora, é acusado de «paranóia»!!!!
Este termo já foi usado contra tanta gente que nem sei o que dizer. Recordo Leopold Senghor a verberar a invasão de Conakri pelas tropas portuguesas (Alpoim Calvão a liderar o bem sucedido golpe...) e a ser vilipendiado de forma miserável pelo director do Diário de Notícias de então. Todos sabíamos que era verdade, que tinha sido um golpe feito pelos militares portugueses para libertar prisioneiros de guerra. Acção brilhante, meritória, que encheu de orgulho todos os militares de então. Eu inclusive.
Mas a «inteligência» da época dizia o contrário. Senghor era um pobre paranóico, inventara tudo aquilo para se armar em vítima. Basta ler o DN daquela época para se aquilatar da instrumentalização do regime. Um director de um jornal a papaguear mentiras, a fazer diagnósticos, a ser um pau-mandado sem escrúpulos... Hoje há tantos assim!...
Marinho Pinto tem posto o dedo em muitas feridas. É um «louco», um «paranóico», um «fora-da-lei»! O que diriam de algum juiz que na Alemanha nazi se recusasse a cumprir as directivas do nazismo?! Certamente o mesmo que dizem agora de Marinho Pinto!!! O que disseram então de Aristides Sousa Mendes?
Comigo já se passaram cenas similares.
Já pedi a exoneração do senhor Alto Comissário Contra a Corrupção ao então presidente da República. Caíu o Carmo e a Trindade!
Eu pedi ao Sr Alto Comissário uma informação sobre quem teria violado o dever de sigilo a que esta entidade estaria sujeita. Não me respondeu por escrito, mas pediu-me para lhe telefonar!
Eu, achando estranho este comportamento, fi-lo, na presença de diversas testemunhas.
Este, respondeu-me que não fora ele a violar o sigilo mas sim uma entidade hierarquicamente superior. Perguntei-lhe o nome, para a processar. Disse-me que não podia dizer pois era obrigado a sigilo!
Perante isto, requeri ao Senhor Presidente da República (general Eanes) a investigação do caso para eventual exoneração do titular do cargo pois estaria em causa o regular funcionamento das instituições!
Fui atacado de diversas formas, de forma subtil e pouco ética. O próprio alto comissário, depois de saber o teor do requerimento que fizera a sua Excelência o PR, teve a «amabilidade» de me escrever reiterando o seu dever de sigilo! Que nada me poderia dizer sobre o assunto!
Os factos que denunciei eram verdadeiros mas os adjectivos utilizados foram considerados ofensivos! Fui alvo de retaliação pelo visado. Acusações como «onde pára o dinheiro», ou «repressão sindical fascizante», «crimes de lesa-economia», foram considerados altamente ofensivas, «crimes» muito graves, e fui condenado pelos tribunais.
Agora pergunto a mim próprio qual o papel de certas entidades no germinar da corrupção e no alastrar das ilegalidades? Sim, qual o seu papel nesta promiscuidade?
Marinho Pinto tem carradas de razão. Há juízes que são culpados pelo estado a que se chegou. A justiça é injusta para o pobre, para o não detentor de poderes, para o economicamente débil. Pelo contrário, para o ricaço, para o detentor de poder, ela é servil, submissa, cúmplice. Tem dois pesos e duas medidas.
Mas admito que há algumas honrosas excepções! Sempre as houve e haverá. Os que remam contra a corrente.
Forte perante os fracos e fraca perante os fortes é o que ela é. Enfim, Marinho Pinto merece ir mais longe do que simples bastonário. Talvez a Presidência da República lhe assentasse bem. O País precisa de gente com coluna vertebral, com coragem, com capacidade de decisão.
Ao analisar retrospectivamente a triste figura do actual Presidente na Madeira, aquando do «bando de loucos» (como AJJ etiquetou a ARM), e perante o silêncio (cúmplice?) do PR , eu pergunto a mim próprio se Marinho Pinto estivesse no lugar de Cavaco se se calaria perante aquela desfaçatez? Creio bem que não!
Perguntar não ofende!... Até ver!...

quinta-feira, julho 10, 2008

Como eu vejo o Fado!!!

Eu canto um fado diferente!


O FADO ANTI-FATALISMO!


O Fado não pode ser
Só carpir mágoas, sofrer,
Muro de lamentações;
A vida é pra se viver
Optimizar sensações!



O Fado resignação
Incentiva à compaixão
E conduz ao fatalismo!...
Cantemos Fado-emoção
Brindemos ao optimismo!



Que seja um hino à alegria
Que solta esta alma vadia
Fado-lamúria não presta,
A cantar eu só queria
Fazer do Fado... uma festa!



Eu canto um fado diferente
Um Fado contra a corrente
Um Fado mais são, mais puro,
Todo virado prá frente
Um Fado... rumo ao futuro!

quarta-feira, julho 09, 2008

Futebol Português: sem rei nem roque!...

Falar do futebol português é como ouvir o sermão de S. António aos peixinhos!...









O momento presente no futebol português exige transparência e reflexão. Há paixões exacerbadas que teimam em obnubilar a razão. Há biombos para ocultar a verdade desportiva. Às vezes chamam-lhes «guerra Norte-Sul», mas não é verdade, não passa de manobra pícara para esconder a realidade mais profunda: a falta de verdade desportiva em todos os domínios.



Madaíl, o presidentre da FPF, mau-grado certa aparente neutralidade, tem pecado por omissão.

Eu, no seu lugar, iria ao Conselho Superior de Justiça, não na qualidade de supervisor ou de tutor, mas sim como porta-voz do desporto, como garante da transparência e da legalidade. Faria um discurso mais ou menos centrado no seguinte:



É preciso rapidez de decisão e pragmatismo. É preciso despir camisolas partidárias ou clubísticas, é imperioso dar uma imagem de seriedade ao futebol. Há dois incidentes de suspeição incidindo sobre dois juízes conselheiros. Há que ser prudente. Se se der provimento a um e não a outro, recairá sobre este Conselho o odioso da parcialidade, da falta de transparência. Há que ter cautela. É preciso ser célere, ser pragmático, ser isento.



Há duas partes em conflito: uma englobando FC. do Porto (com o Boavista a seu lado), e há o S.L e Benfica (com o Guimarães e Paços de Ferreira potencialmente aliados). É preciso estar acima disto tudo. É imperioso dar uma decisão para que a UEFA se possa pronunciar em definitivo.



Era esta introdução que faltava. Era isto que deveria ter feito. Madaíl não o fez. Agora, depois do «caldo entornado», que fazer?


Há que repensar profundamente no posicionamento de Madaíl. Ele já anda há tempos demais nesta ambivalência circense, nesta neutralidade podre, sem uma postura credível e sem probidade. É um camaleão com elevadas potencialidades cromáticas mas isso não chega. É preciso saber afrontar o mal quando se detecta, pois caso contrário é-se conivente com ele.



Madaíl é, neste momento, o responsável-mor pelo muito de podre que há no futebol português, por muito que vá perorando isenção, por muito que vá ostentando neutralidade, por muito que diga e papagueie pairar acima dos lóbis e das facções. Ele é o responsável máximo pela pouca vergonha que impera neste domínio. Que não lave as mãos como Pilatos!...



Ele é um mau exemplo na cúpula de uma pirâmide eivada de vícios. Os aproveitamentos comerciais que têm sido feitos por diversas entidades, são clamorosos, só um cego é que não vê.
Há muita sanguessuga à sua volta...


Não sejamos ingénuos: Madaíl quer aparentar sempre aquela ideia estereotipada do apagador de fogos, do bombeiro atento e sabedor, mas, de facto, ele é o maior pirómano do futebol português!



Tenha vergonha na cara! Demita~se e dê lugar a outro mais idóneo, menos camaleão, menos invertebrado.

O futebol português agradece!

domingo, julho 06, 2008

Senhora do Minho, nova luz no horizonte!

Portugal em tempos de crise arranja sempre soluções milagrosas, recorre ao sacro para minimizar os obstáculos do quotidiano. Ainda recordo Manuel Damásio com a Senhora da Luz (Margarida Prieto?) a ver se punha água na fervura lá para as bandas da Segunda Circular... mas foi chão que nunca deu uvas... O Senhor do Dragão fartou-se de rir com o fiasco!...

Scolari também nos trouxe a Senhora de Caravaggio como remédio santo, panaceia milagrosa para resolver todos os males da selecção, mas foi tudo por água abaixo quando conseguiu um contrato milionário com o russo Abramovich...

Agora, segundo leio nos jornais, surge uma nova luz ao fundo do túnel do nosso descontentamento: a Senhora do Minho!

A princípio pensei que fosse a Sameiro Araújo (essa também fez milagres no atletismo...), mas parece que não; é mesmo a Senhora do Minho genuína!

Assim, eu que nunca perdi a fé (rezo profundamente a todos os Senhores e Senhoras...) aqui deixo a minha oração, a minha prece patriótica e sentida.

Será oportunismo? ou sentido de oportunidade? Não serei eu o juiz na minha própria causa...



Minha Senhora do Minho



Minha Senhora do Minho
mais brilhante do que o sol
protegei o Zé Povinho
do governo já fartinho
só de ouvir conversa mole!




Este país de opereta
minado pela corrupção
ainda vai pró maneta
tanta conversa de treta
e tudo: «A Bem da Nação!»



Os bancos a abarrotar
de evasões e de golpadas
toda a gente a definhar
sem dinheiro para pagar
dívidas acumuladas.



Minha Senhora do Minho
vinde salvar Portugal
de fome carregadinho
e de impostos... lá do Pinho
um ás... em carga fiscal!



O petróleo em escalada
nunca se viu coisa tal
inflação descontrolada
vai andar tudo à porrada
é o... inferno-Portugal!!!

O juiz-pedregulho, foi para o entulho!...


Para quê tanto barulho
já chega de sacanagem
é um simples pedregulho
a bloquear a engrenagem
é ridículo travão
que só faz espalhafato
transitando em contramão
tem um só desiderato:
defender a corrupção
ser agente dilatório
bloquear a solução
travar poder decisório
com raciocínio toldado
ao serviço de infractores
não passa de pau mandado
agente de corruptores
não vale a pena gastar
mais cera com tal defunto
por isso vou terminar
encerrando aqui o assunto.
Nota: a carapuça vai direitinha a um sujeito sem nenhuns predicados...

sábado, julho 05, 2008

Os piratas!


A entrada da gruta onde fora encontrado o tesouro de Francis Drake...
Sir Francis Drake!...

O tesouro foi roubado pelos piratas. Tristezas não pagam dívidas. O mar, eterno refrigério!...



As nossas suspeitas tinham pleno cabimento! Estávamos a ser escutados, vigiados com alta tecnologia. Só alguém que tivesse ouvido o desabafo referente aos vinhos do Porto e da Madeira poderia ter colocado ali, ao lado da bandeira americana, os produtos tão desejados!
Entretanto, como que uma campainha de alarme fez soar as nossas mentes! Sandra foi a primeira a interrogar-se:
__Será que vieram para nos procurar? Será que descobriram o tesouro e optaram por ele?!
À velocidade de uma bala lá partimos para a entrada da gruta onde encontrámos o tesouro de Francis Drake.
Todos os valores tinham desaparecido. A arca, vazia, continha apenas um papel escrito onde se dizia:
«Sandra, és um tesouro, pela tua beleza, mas este tesouro ultrapassa em muito o resgate que pensámos obter contigo! Continua que estás a ir lindamente. Este filme sem guião vai ser uma obra-prima
Espantoso! Os piratas tinham vindo com o objectivo de pedir um resgate, mas agora, já satisfeitos com o tesouro encontrado, prescindiram dele.
__Será que estaremos a ser filmados para um reality-show?! __ disse Sandra com ar de espanto.
Tudo é possível neste mundo louco em que se faz tudo para aumentar as audiências das TV's ou arranjar escândalos por tudo e por nada....
As nossas preocupações foram diluídas com a intervenção «pacificadora» do impagável Elvis :
__«God Save America!», «God Save America!»...
E não parava de repetir o refrão que tanto custou a aprender. Tinha um certo gozo ao dizer aquilo, como se fosse um cidadão americano, com orgulho exacerbado na sua pátria!
Sandra foi tomar banho às águas tépidas do oceano. Com as indispensáveis cautelas, por causa dos tubarões. Elvis fez-lhe companhia até próximo da água... depois retirou-se mansamente e pousou na cabana, lá no alto daquela árvore frondosa : a «mansão»!
Depois de enxuta e de um leve repouso na areia cálida e tão acariciadora, foi repousar .
__Estás a precisar de ir ao cabeleireiro, mas continuas linda, assim com esse ar selvajem, qual égua germano-americana, de raça híbrida, mas apurada, qual diamante bem lapidado!...
__ Se o romantismo fosse música tu eras um autêntico Pavaroti, meu caro Roux.
Ao ver duas cicatrizes que ela tinha na testa, quase imperceptíveis mas avivadas pela força do sol intenso, perguntei-lhe:
_Isto são sequelas de violência doméstica, ou de alguma brincadeira infantil?
_Fruto da minha paixão pelos cavalos, tout court... Ai como eu gostava de cavalgar, cavalgar, cavalgar...
Então, como que satisfazendo um pedido, lá me pus em posição e deixei-a andar às minhas cavalitas... mas comigo ela não caíu!...
_-Imagina que estávamos a ser filmados e toda a América nos estava a ver em directo. Que dirias agora? Algo que causasse impacto !
Ela pôs a mão na testa e começou:
__Atenção América, deixem de comprar acções das petrolíferas porque a bolha está quase a rebentar! Comprem é acções da Microsoft pois tenho cá um pressentimento que vão subir até ao céu!...
__Que efeito pretendes com isso?
__Um duplo efeito: chamar a atenção para a especulação aguda que está a incidir sobre o petróleo e que está a arrasar as economias mundiais, acabar com pequenas e médias empresas só para engordar os bolsos de alguns árabes ultra-ricaços, ou de alguns novos-ricos da Venezuela, do Iraque, da Rússia, de Angola, do Brasil, sei lá, há para aí tantos a viver à custa desta especulação. O segundo efeito era aumentar a minha conta pessoal pois só tenho acções da Microsoft e aqui, isolada, neste fim.-de-mundo, nem faço ideia de como estarão!
Eu bati palmas ao seu altruísmo, mas acrescentei:
__O teu egoísmo (com a Microsoft) é muito bem compensado com o altruísmo a favor das pequenas e médias empresas. Tu davas uma boa presidente dos EUA! Tens equilíbrio, sensatez, ironia, boa presença!...
__Neste momento a América está a escolher um novo presidente. Bem espero que consiga ultrapassar os problemas que Bush hipertrofiou. Já basta de «cow-boys» belicistas. Julgo que Barack Obama poderá ser a melhor solução! O candidato republicano é um cidadão íntegro, um veterano de guerra, mas receio que possa ser instrumentalizado pelos lóbis armamentistas e continue a escalada de conflitos que não augura nada de bom para a paz mundial...
__Com esses teus comentários ainda vais arranjar um lugar de comentadora política na CNN!
Íamos nestes colóquios tão animados quando, ao longe, um barco surgia no horizonte!
Saltámos de alegria. Eu não me contive que não exclamasse:
´__É o Barack Obama a convidar-te para vice-Presidente da América!
Como que contagiado pelo ambiente de euforia, Elvis entoou o seu:«God Save América!»
FIM

sexta-feira, julho 04, 2008

«GOD SAVE AMERICA!!!»,



O dia 4 de Julho acordou ventoso e ensolarado como de costume. Elvis Presley, a linda catatua, tinha sido treinada para dizer hoje o conhecido estribilho: «God Save America!». Sandra, com um enlevo patriótico e uma dedicação aos animais muito acentuada, caprichou nas aulas. O aluno atroou os ares com a nova melodia...
__Gostava de ir hoje ao cinema. Quem me dera ver de novo aquele filme do Oliver Stone «Nascido a 4 de Julho» em que o Tom Cruise faz um papel brilhantíssimo, como mutilado de guerra. Mas já que não vou, resta-me apenas usar o trajo de gala...
Ao dizer isto apareceu com o vestido que lhe restava ainda, aquele que disse iria usar se fosse ao Casino Estoril ouvir uma sessão de fado. Então, com ar emocionado, cantou, o hino nacional americano para eu ouvir. Filha de uma cantora de ópera (a alemã Helga Meyer), ela fez jus ao ditado português:«filho de peixe sabe nadar»...
E nadou tão bem, tão bem, que até eu fiquei petrificado de emoção. «The Star Spangled Banner» nunca foi entoado com tanta fibra, tanto ardor, tanta garra! Ai se na América estivessem a ouvi-la, a esta hora da manhã, não restaria ninguém na cama!
«Oh, say, can you see by the dawn's early light
What so proudly we hailed at the twilight's last gleaming...»
E foi por ali fora, como uma maratonista da musicalidade, uma diva do belcanto, uma Maria Callas no esplendor, no auge da sua perfomance!
Nesta era da globalização, ser assim patriótica, amar assim a pátria, é lindo, lindo...
Embora ache a letra um pouco belicista (como também o é «A Portuguesa») gostei tanto, tanto que não me contive a bater palmas, interminavelmente...
Ela acrescentou, semi-ofegante, com muito orgulho: «sou americana até de baixo de água?»
«sou americana até em Neptuno ou em Marte!»
__Ai se a América te ouvisse agora __ disse eu, com ênfase__ não restaria nenhum americano sentado, nem os deficientes ficariam nas suas cadeiras!...
Estava a referir-me ao Tom Cruise, o excelente intérprete de «Nascido a 4 de Julho» um filme inolvidável onde se contesta a guerra do Vietename, mas em que o orgulho americano está latente ao longo de toda a trama.
__Para não ficarmos paralizados, vamos dar uma corrida pela areia da praia?
O seu pedido era uma ordem. Depois de ter feito alguns minutos de ginástica sueca, como é meu hábito matinal, para manter a linha e evitar as oxidações pouco salutares, lá fui, pé ante pé, acompanhando a diva que me saíu neste desterro tão dramático.
Os pés iam-se enterrando aqui e ali na areia virgem. De repente reparei em pegadas! Pegadas humanas!
__Tu tens razão, andamos a ser espiados! Olha para estas pegadas, vão conduzindo para aquela clareira! __disse eu com o coração aos saltos!
Caminhámos um pouco, embrenhámo-nos na clareira e... espanto dos espantos, uma bandeira americana espetada no chão!
Ao seu lado, uma embalagem de plástico, enorme, com os dizeres: «Uncle Sam»!!!
Abrimos o fecho éclair e... várias garrafas de vinho da Madeira e vinho do Porto!!! Latas de cerveja americana em abundância! Latas de sardinhas portuguesas!!! Latas de conservas americanas também!...
Seria um prémio para este dia tão especial? Estaríamos a ser filmados ou fotografados por alguém ? Com que intuitos? Por que não nos iam buscar aquele degredo?
Estas interrogações fervilhavam a nossa mente e Sandra foi ao cerne da questão:
_Estamos a ser usados por alguém! Oxalá seja amigo e não inimigo!
Quem será?

Será paranóia?!

Sandra vestiu-se de índia e fez realçar ainda mais a sua feminilidade, o seu charme, a sua beleza natural! E contou-me o que a apoquentava. Sentia-se perseguida!...

Sandra Bullock já desesperava por ainda não ter sido notada a sua ausência nos circuitos cinematográficos. Será que a consideravam já morta? Será que desistiram das buscas por algum motivo?

Sim, ela, uma personalidade de âmbito universal, sempre presente nos mais importantes eventos, sem dar sinais de si, já deveria ter chamado a atenção! Mas até agora, nada! Era desesperante! Foi-me confidenciando:

__Sabes, Roux __ disse-me com aquele olhar dócil, aquela voz tão suave como que a solicitar amparo e protecção...__ sinto que estou a ser vigiada, filmada, ou até fotografada! Há qualquer coisa que me diz que há mil olhares atentos a tudo o que fazemos, mesmo quando estamos no remanso da nossa cabana, lá no alto daquela árvore que nos serve de mansão...

_Não penses nisso Sandra __acalmei-a, meio apreensivo também, mas querendo mostrar força interior. __ Há uma certa paranóia que é natural surgir nas situações difíceis e que é uma forma de nos protegermos. Eu fui em tempos guarda-redes de futebol e tinha um segredo. Estava sempre a contar com o remate do adversário, estivesse ele onde estivesse! Eu, raramente era surpreendido, pois estava sempre à espera de um remate. Não avançava muito pois devido à minha elevada estatura tinha sempre êxito entre os postes. Nunca saía em falso e por isso não levava «chapéus"! Chamavam-me até o «aranha verde», para não fazer confusão com uma lenda de outrora, o «aranha negra», o famoso soviético Yashine!

__E que tem isso a ver com as sensações que tenho?__ replicou ela com certa lógica.

__É que tu estás tensa, levaste a vida inteira a fugir aos fotógrafos e a olhar sempre para as câmaras, agora, na ausência delas, tu imagina-las aí em todo o lado! É o teu «avançado» pronto a rematar para a tua «baliza»! Não te preocupes que isso passa!

Ela sorriu, achou graça à comparação, mas não me deu muita credibilidade. E disse mais:

_-Andamos a ser perseguidos. Não sei por quem, mas tenho medo, muito medo.

E lá se foi aconchegando no meu ombro, ternurenta, como uma leoa bebé brincando com a leoa-mãe. Mas eu, dando-me ares de segurança e de tranquilidade, também sentia algo estranho. Seria a paranóia?

As pessoas que andam em conflitos, que levam uma vida de risco, que precisam de uma atenção permanente para sobreviverem, correm esse risco. Na guerra, lembro-me de antes de fazer uma aterragem com o helicóptero num lugar qualquer, para evacuar um ferido, para levar auxílio a tropas no terreno, eu dava sempre algumas voltas sobrevoando os locais para evitar tiros de atiradores que pudessem estar em cima de árvores ou em pontos estratégicos com a arma em riste. Este excesso, esta prudência (quiçá excessiva para alguns...) sempre me deu garantias. Era a lei da sobrevivência a mandar e a ditar regras de conduta muito rígidas. Nunca fiando... O seguro morreu de velho!

Agora, ali, isolado de tudo e de todos, só com uma ingénua e frágil criatura a meu lado, eu sentia que poderia estar a ser alvo de alguma fera, de algum pirata, de algum ser alienígena até, tal a série de situações em que fora envolvido!...

Cautela e caldos de galinha nunca fizeram mal a ninguém. O receio, certa precaução, desde que não patológicas, são sempre um bom sinal. Os excessos de confiança são muitas vezes a «morte do artista»!

Sandra, com o seu trajo de índia, muito justo, a realçar-lhe as formas sensuais, foi-me confidenciando:

_No próximno dia 26 de Julho faço anos! Quero saber aonde me vais levar?!

Olhei para o «calendário» (aquele amontoado de pedras que todos os dias ia sendo actualizado...) e atirei-lhe de chofre:

__Que dia da semana é?

__Ela deu uma vista rápida e afirmou categórica:

__É uma sexta-feira! Véspera de um fim de semana alucinante!

Eu coçando a cabeça com ar pensativo, lá lhe fui prometendo:

__Levo-te ao Casino Estoril ouvir a Amália!

_A Amália já morreu há muitos anos. Agora vocês têm lá a Mariza, o Carlos do Carmo, sei lá, outras figuras mais jovens. Eu gosto muito de fado! Aceito! E onde vamos passar o dia? __ E sorria, sorria, sorria... Já se tinha dissipado a paranóia...

__ Vou levar-te a Sintra, vais conhecer o castelo da Pena e uma cidade lindíssima, vais andar de charrete, como as rainhas de Portugal o faziam no seu tempo. Vais almoçar em Colares, vais provar um vinho maravilhoso e saborear um leitão assado. Depois, vamos dar um paseio de avião, em Tires, sobrevoando Lisboa e toda a periferia para conheceres melhor Portugal... dizem por lá que «Portugal é Lisboa, o resto é paisagem!»

_Lá boas intenções tens tu__ disse ela preparando-se para mudar de roupa. Apareceu-me com uma túnica transparente, realçando-lhe o busto e fazendo com que eu perdesse a fala!...

__É este o trajo que vou levar ao casino Estoril! Espero que alguém nos venha buscar a tempo!

__Ai quem me dera um pingo de vinho da Madeira, ou um Porto, para te oferecer e saborearmos o momento! __ disse eu com tantas saudades, tantas saudades... não, não sou viciado em álcool, mas já fartinho de água e de comer gibóia salgada, sentia a falta do álcool como se fosse um viciado em heroína em tempo de prolongada abstinência...

Ela abraçou-se a mim a chorar! chorava copiosamente!...

quinta-feira, julho 03, 2008

Os «ovos» extraterrestres!...



As galinhas já preparadas para a era do «aquecimento global»!.... o calor neste local é tão intenso que as galinhas andam «nuas!...
O ovni desceu e sairam dois ocupantes...
Às vezes interrogo-me a mim próprio se os pesadelos não serão consequência de traumatismos emocionais sofridos durante o dia, emergindo (lá das profundidades do sub-consciente...) à noite, através de manifestações libertadoras...
Vem este intróito a propósito de um pesadelo tido por Sandra. Contou-me que depois de ter visto os alienígenas saindo da nave espacial e colocarem ovos enterrados no chão, ficou aterrada e cheia de pavor. Durante a noite sonhou que os alienígenas eram ovíparos e andavam a colocar ovos em todo o mundo; desses ovos saiam seres disformes, com capacidades sobre-humanas, capazes de mil-e-uma patifarias. Chegavam ao ponto de capturarem seres humanos, os meterem em grandes naves espaciais e levarem para planetas muito distantes. Aí, os seres humanos eram colocados em jaulas (estilo animais de zoo...) para servirem de objecto de estudo e para contemplação de visitantes extasiados.
_Imagina que sonhei ter sido raptada, juntamente contigo, Roux. Os estranhos seres deram-nos um fato espacial para podermos entrar na nave. A alimentação era péssima mas como queríamos sobreviver, lá a devorámos sem tugir nem mugir. Depois, já instalados no seu planeta, fomos colocados numa espécie de jaula onde nos obrigaram a procriar. E digo obrigados porque nos transmitiram, através de linguagem mímica, de que enquanto não tivéssemos um filho jamais seríamos libertados. Então, ainda que forçados, lá cumprimos a nossa «obrigação» para podermos regressar ao nosso querido planeta Terra...
_Ainda bem que isso foi apenas um sonho __disse eu, sorrindo com tão estranha aventura onírica... de sabor erótico...__imagina se se chagasse a concretizar tal episódio. Mas já agora conta lá o resto. O fruto da nossa aventura amorosa era lindo?
__Olha, no pesadelo ainda foi a coisa mais cor-de-rosa. Era uma menina linda de morrer. Demos-lhe o nome de Saturnina porque o planeta onde estávamos era Saturno... Já não me recordo bem do sonho mas julgo que ela veio connosco para a Terra no final daquele pesadelo...
Enquanto íamos falando do sonho e suas sequelas no nosso quotidiano, fomo-nos aproximando da zona das pirâmides com o intuito de fazermos uma nova «vistoria» aos ovos. Era nossa intenção saber se eles iriam germinar, para ver o que dali saía... «Se fossem monstros estilo dinossauros espaciais era preciso destruír tudo aquilo...» ia pensando lá bem no íntimo.
Eis senão quando, de forma abrupta e totalmente inesperada, surgiu uma enorme nave espacial, de forma oval mas bastante mais volumosa do que as anteriores. O fluxo luminoso que lançava sobre o terreno, na aproximação ao solo, era tão intenso que tivemos que nos esconder para não vermos a nossa visão afectada... mas, a custo, lá íamos conseguindo vislumbrar algo...
A nave aterrou muito silenciosamente. Era de uma cinzento metalizado muito escuro, com algumas luzes reflectoras nos bordos, parecia ter janelas de onde os passageiros iam observando a paisagem exterior...
Surpresa das surpresas! Os estranhos seres abriram uma escotilha e saltaram para o exterior. Eram pequenos, de olhos enormes, e estavam envoltos num fato espacial muito bonito de cor cinza. A cabeça era muito grande se comparada com o resto do corpo e comunicavam entre si por sinais luminosos, pelo menos era o que deixava antever todo um aparato «pisca-pisca» interminável...luzes de várias cores davam a entender existir um sofisticado sistema comunicacional. Eram dois. Talvez um casal.
Como já imaginávamos, eles dirigiram-se aos locais onde estavam enterrados os «ovos». Abriram as embalagens e... simplesmente, engoliram-nos!
Seriam a sua «ração de combate» estas almôndegas em forma de ovo? Seriam alimento, ou ,pelo contrário, ovos para darem origem a um novo ser, já dentro do seu organismo?
A interrogação ficará para sempre nas nossas perplexas mentes. A humanidade perdeu uma oportunidade soberana para saber mais sobre estas criaturas. Nós, cheios de medo, meios cegos pela luminosidade intensa que se fazia sentir na periferia do local, nada podíamos fazer. Armar em heróis para quê?!
Este episódio que a História registará quando chegarmos à civilização, ficará para sempre nas nossas retinas como algo de formidável, de extraordinário. Sentíamo-nos como se devem ter sentido os índios na América à chegada dos portugueses e dos espanhóis, não em naves, mas nas suas gigantescas caravelas...
Será que a colonização da Terra está iminente? Será que nos vai acontecer a nós o que aconteceu aos índios? Será que uma onda avassaladora de naves espaciais cairá sobre nós como gafanhotos , roubando tudo e todos, numa estratégia de rapina semelhante ao que fizeram os colonos em África e nas Américas?
Será que Deus, com a Sua misericórdia, nos irá proteger, ou irá fazer sentir o quão injustos e cobardes nós fomos perante os negros e os índios? Será que a colonização por extra-terrestres será a forma de acabar com as guerras no nosso planeta, obrigando-nos à união face ao perigo comum?
Às vezes Deus escreve direito por linhas tortas...
A ver vamos...

domingo, junho 29, 2008

O tesouro escondido!



O tesouro do séc XVI, com jóias lindíssimas, de um pirata famoso...
Às vezes, em conversa de ocasião, ia dizendo a Sandra que era um tesouro; pela simplicidade, pela descontracção, pelo humor e sarcasmo sempre permanentes. Mas a vida tem destas coisas, os tesouros materiais também podem surgir inopinadamente. Foi o que nos aconteceu...
A manhã já ia alta e o calor apertava. Debaixo de uma sequóia gigantesca procurámos a sombra protectora. Sandra até comentou:
__Imagino que com este calor a Califórnia esteja sob fogos descontrolados, como já vai sendo habitual. Tanta riqueza florestal se perde, prejuízos imensos para a humanidade. Quem sabe se na Grécia ou na Austrália o cenário não será idêntico? Nós aqui sem um isqueiro ou um fósforo estamos ao menos protegidos dessa calamidade...
De repente, olhei para o tronco da árvore e descobri uma inscrição. Era como se fosse uma tatuagem num corpo humano. Muito bem executada e com algo de misterioso. Algumas letras e um caixote...
As letras diziam apenas: F.H.F. - N.
Pensei tratar-se de uma declaração de amor entre FHF e N...
Sandra, mais perspicaz, deu o alerta:
__Pode ser a localização de um tesouro! esse caixote pode conter algum tesouro. Vamos ponderar...
O seu Q.I. acima da média começou a dar frutos. «N» talvez seja a localização: Norte!
O resto veio por acréscimo... a sua inteligência fulgurante rapidamente descobriu o enigma.
De imediato comecei a percorrer o local num vector virado a Norte a fim de encontrar algo. E foi encontrado o famigerado local! Era tão elementar: F de five, H de hundred, F de feet!...
A quinhentos pés deste local , um tesouro! E havia!
Era uma cova coberta de folhas e ramos secos. Destapámos tudo com muito cuidado. Dava para um buraco negro, uma gruta donde saíram alguns morcegos atarantados. Percorremos alguns metros e, mesmo ao fundo, coberta por uns restos de comida (viam-se ossos por todo o lado...) lá estava a arca escura e tentadora. Por cima duas letras: F. D.!
Foi difícil abri-la. Usamos toda a perícia ; com pedras e alguns ferros retorcidos (trazidos de alguma caravela certamente) lá conseguimos abrir aquela arca cheirando a mofo e carregada de fezes de animais no exterior meio encoberto.
Ao abrir aquela arca ali conservada durante mais de quatro séculos tivemos certas cautelas. Seria alguma armadilha? Seria alguma cilada?
Não, não era armadilha. Era mesmo o cofre de algum pirata ou de algum navegador que ficou perdido e não conseguiu arranjar um barco para prosseguir viagem ...
Sandra pensou naquele «FD» tão intrigante e, ao fim de alguns minutos de pesquisa na sua prodigiosa memória lá decifrou o enigma: Francis Drake!
Ele fora nomeado corsário pela rainha Isabel I de Inglaterra. Tinha obrigação de partilhar os lucros da sua actividade com a coroa. Seria uma forma de fugir ao controlo? Estaria aqui a génese dos actualmente tão badalados «off-shores»?!
__Francis Drake atacava sobretudo os espanhóis. Ele integrara a armada inglesa que destroçou a famosa «Armada Invencível» espanhola. Fora almirante da marinha britânica e agora trabalharia por conta própria. Isto devia ser uma tentativa frustrada de fuga ao fisco...
E Sandra foi prosseguindo com a narrativa. Drake auxiliara D. António Prior do Crato para evitar que a Espanha anexasse Portugal e se tornasse ainda mais forte, como viria a acontecer. Apesar de tudo, atacara e pilhara Lisboa e vários portos portugueses. Era um «profissional competente», disse Sandra com ar sorridente.
Enfim, chegara a ser condecorado e eleito «Sir» pela rainha. A pirataria era então uma actividade patriótica para os ingleses que estavam no dealbar de uma nova era . Portugal e Espanha eram a talassocracia de então. Os piratas ingleses começaram a destruír essa hegemonia dos mares e a Inglaterra foi avançando na conquista desses domínios...
Enfim, o que fazer com este tesouro numa ilha deserta? Não, não dava de comer, não dava para viajarmos, para saírmos dali... era apenas algo que no futuro poderia interessar-nos... se dali alguma vez conseguíssemos saír...

sexta-feira, junho 27, 2008

Ovos alienígenas!...



Spildeberg responde a Sandra Bullock:


«Extraordinário, minha cara Sandra Bullock! Descobriste o ovo de Colombo!»



Isto aqui numa ilha deserta é bem duro e não dá descanso! Se fosse como nos filmes, onde os actores andam sempre bem dispostos e bem barbeados, onde se arranjam sempre materiais para trabalhar barcos abandonados ou aviões, onde há mecânicos e peças sempre disponíveis, ainda vá que não vá, mas agora para nós, isto fia mesmo muito fino! Nem um canivete temos, nem sequer um isqueiro, nem tesouras para cortar a barba, aparar o cabelo ou as unhas. Não existe um prego, um martelo, uma chave de fendas nem um parafuso. Nem uma arma, nem um machado, nem uma fisga!...



Isto aqui é mesmo a selva a sério! Só dá para comer umas frutas selvagens e uns peixes crus, que apesar de tudo nos sabem que nem lagosta suada! Ainda ontem a Sandra Bullock, ao saborear um naco de gibóia, comentava com ironia: «É melhor que lampreia!»



«A necessidade aguça o engenho!» dizia o grande Camões. De facto, temos que nos adaptar a tudo sem tugir nem mugir. Ainda bem que temos água com fartura, para tomar banho, para beber, para nos divertirmos.



Hoje de manhã cedinho lá fomos junto das pirâmides para observarmos o que os alienígenas tinham escondido e que não pudemos analisar na altura. Passámos por vários castores fazendo mini-barragens, sempre num labor intenso. Olhando para um deles, Sandra comentou em tom jocoso: «Aquele é o Bill Clinton!»



E explicou-me que era um presidente dos EUA que comia madeira! Gostava tanto de madeira que até comeu uma secretária!...



__Mas, como foi possível, foi na Sala Oval da Casa Branca ?

__Sim, foi. Mas era uma secretária estagiária de nome Mónica!...__riu Sandra, com aquele sorriso gostoso que dava para todo o mundo ficar bem disposto.



Caminhámos longamente até à zona das pirâmides. Ali procurámos o sítio onde os extra-terrestres tinham escondido uns volumes semelhantes a marmitas de alumínio. Seria algum tesouro?



Sandra ainda alvitrou:



__Podem ser as fezes geradas durante a viagem!...



Eu até me arrepiei só de pressentir o cheiro. Mas, com coragem e confiança, lá fui avançando. Era preciso investigar desse por onde desse!...


E assim foi.



Quando ao fim de longos esforços lá conseguimos desenterrar as embalagens, deparámos com uma grande surpresa. Dentro de cada embalagem e no meio de um líquido viscoso estava um ovo! Um ovo em cada embalagem!



A imaginação fervilhava! Que seria? Ovos de extraterrestres? Ovos de algum réptil alienígena que viesse para nos atacar e dar o planeta aos estranhos?



Enfim, tudo perpassava nas nossas mentes inquietas e preocupadas. Sandra desabafou:



_Quem me dera ter aqui o Steven Spildeberg. Talvez ele pudesse desencadear uma investigação profunda e se chegasse a alguma pista credível. Receio que possa estar aqui o princípio de uma nova era... e talvez o extermínio de uma outra...


O dia foi-se passando com relativa tranquilidade. Apanhámos algumas plantas que nos pareceram boas para um chá. Sandra até chalaceou com o tipo de chá que queria fazer.


__Agora parece que há um chá que torna as mulheres mais sexy, lhes dá um busto mais atraente. Não quero ser a Pamella Andersen com aqueles balões de silicone mas sinto que um pouco mais de volume e de elevação me dava outro perfil!...


__Não me digas que agora é moda pôr silicone nas mamas?! __perguntei meio incrédulo, farto de surpresas depois de tantas anos de amnésia... Eu usava o silicone para pôr nos ouvidos quando ia ao mar ou para dormir melhor em meios ruidosos. Agora nas mamas?!


__É a grande moda no momento. Mulher sem silicone é como guitarra sem cordas...


__Os americanos tiveram uma grande actriz cinematográfica, a Mae West, que era conhecida sobretudo pelo extravagante par de hemisférios. Mas eram naturais. Não havia ali nada de drogas artificiais. A marinha até se deu ao luxo de baptizar uns flutuadores salva-vidas com o seu nome. Quem os usasse não morreria afogado certamente!...


__Sim, sim, essa Mae West era demasiado nutrida. Agora quer-se com cintura de vespa, magra e elegante, e só os seios é que devem sobressaír para serem uma espécie de sinais exteriores de feminilidade! Um íman caça-machos!


__Minha cara Sandra, eu aprecio o natural, a justa medida, podes estar descansada e não te sintas frustrada por teres seios pequenos. Se for por causa disso que vais tomar esse chá, não tomes, pode ser perigoso.


E assim desmotivei a candidata a Mae West de algo que poderia ser um risco desnecessário. As mulheres por vezes têm a atracção pelo abismo, lá no seu íntimo.

«MUGABE» foi morto, esquartejado!!!


A boca da gibóia...

Sandra era especialista em dar nomes aos animais. Primeiro foi o Elvis, aquela catatua tão ternurenta. Depois, o casal de papagaios: Carla Bruni e Sarkozy...
Agora, ao ver pela primeira vez aquela gibóia monstruosa, não se conteve que não a catalogasse: «É Mugabe!»
E assim ficou. Os preparativos foram longos. A estratégia de captura bem delineada. O destino da criatura também.
Vamos por partes. A gibóia era uma ameaça para a nossa tranquilidade. Começou a rondar a cabana que criámos, empoleirada nas árvores, para evitar os predadores, e era uma questão de «mata-mata»: ou ela ou nós!
Fizemos uma armadilha (arapuca brasileira) e pensámos no isco a utilizar para a captura de «Mugabe». Depois colocámos o isco num buraco enorme, num plano inferior, tendo no cimo um pedregulho enorme.
A estratégia era a seguinte: era preciso segurar bem este monstro e esmagar-lhe a cabeça, para depois o esquartejar e aproveitar a saborosa carne.
Foi apanhada uma extravagante galinha do mato, muito barulhenta e com penas luminosas.
Colocámo-la bem presa de modo a chamar a atenção do réptil, num buraco longo e cheio de pedras. À volta desse buraco foi colocado um laço de lianas para aprisionar a gibóia caso falhasse o lançamento da pedra sobre a sua cabeça e para evitar males maiores. Depois foi só esperar...
Assim aconteceu. Nós os dois (eu e Sandra), colocámo-nos num piso superior, nos ramos de uma enorme árvore à espera que a gibóia fosse morder o isco. Ela não se fez rogada. Apareceu toda lampeira, com ar guloso, pronta a devorar a galinha do mato. Quando a cabeça enorme entrou no buraco, onde estava a galinha presa, puxámos a ponta do laço e prendemos-lhe o pescoço. A gibóia, surpreendida, estrebuchou, abriu as goelas enormes e soltou um silvo abafado que nos fez estremecer. Então soltámos o enorme pedregulho que lhe fez esmagar a cabeça, esvaindo-se em sangue, muito vermelho e pegajoso. Tinha sido coroada de êxito a nossa caçada.
Depois foi só retirar-lhe a pele e as vísceras. Aproveitámos a carne muito suculenta. Salgámo-la e colocámos tudo num ponto elevado e próximo da nossa cabana para podermos vigiar os predadores...
Enfim, era uma vez «Mugabe»... Tinha terminado este pequeno pesadelo...