Li hoje um artigo de Óscar Mascarenhas, no JN, onde faz um ataque ao carácter do professor Cavaco Silva, insinuando dentre outras coisas que é tremeliques e que perante a PIDE foi longe demais, ao apôr o nome da segunda esposa do seu sogro num documento. Diz que era facultativo preencher isso, mas que o fez, talvez com intenção de a denunciar (a ela, segunda esposa do seu sogro...).Será que o fez com essa intenção? Ou seria a própria PIDE a apôr tal comentário?! Ou foi forçado a fazê-lo após alguma observação do chefe da brigada?! Ver aqui o tal documento...
Não sou advogado de defesa do professor Cavaco, mas cheira-me a cilada. Se era um local de preenchimento facultatico por que o preencheu? Teria intenção de atingir a segunda esposa do seu sogro?!Ou alguém quis aproveitar o contexto?!
Acho que Óscar Mascarenhas talvez tenha cometido um juízo de intenção precipitado. Não sabemos a que título foi feito esse comentário e com que intuitos.Julgá-lo é precipitado e talvez injusto...
Aconteceu comigo uma coisa estranha. Era o primeiro classificado de um curso de pilotos e estava colocado em Luanda, Base Aérea número 9. Os restantes elementos do meu curso (pior classificados) foram colocados no Leste - então Henrique de Carvalho).
Por motivos de foro clinico (problemas hepáticos, úlcera duodenal e taqui-cardia...) fui evacuado para observação e repouso na metrópole. Aproveitei para vender uma moto (de marca Honda) que possuía, a um empregado da messe de oficiais. Pagou-me metade ficando de me pagar o restante quando eu regressasse.
Quando estive em Lisboa depois dos exames normais, em que aparentemente estava tudo OK, fui abordado pelo sargento Condesso, que me convidou para jantar no restaurante Lumiar e me contou uma coisa surpreendente: chegara um segundo relatório clínico, em que era acusado de ser um indivíduo conflituoso e com pendor psicótico, tendo até (segundo esse relatório) entrado em conflito com empregados da messe de oficiais!!!
Fiquei siderado!!! Como era possível aquilo?! O sargento Condesso, pessoa de trato impecável, disse-me mais ou menos isto: é obra de alguém que lhe quer tirar o lugar! Acautele-se...Há muito disto...
Quando fui confrontado com as acusações neguei-as e fiquei surpreendido por me quererem enviar para Moçambique por alegada «inadaptação à Base Aérea Nove!!»
Fiquei indignado! Fiz finca-pé e decidi que ou iria para Luanda e tirar satisfações a quem denegrira a minha imagem daquela forma tão cobarde, ou então não iria para mais lado nenhum!!!
Estive um mês a aguardar uma decisão!!!
Julguei que iria ser recambiado para o Exército ou até ser alvo de punição!
Foi decidido que iria para a OTA. Frequentei ali (com cerca de três dezenas de cadetes) o curso de Técnico de Circulação Aérea e Radar de Tráfego onde viria a obter o primeiro lugar. Fui convidado (pelo então TC Tomás) a ficar ali como instrutor, mas recusei... não simpatizava com ele nem com a sua entourage...
Sofri na pele a minha frontalidade e rebeldia. Não aceitei mudar para outro lugar por alegada violência pois iria pactuar com uma manobra habilidosa que se destinava pura e simplesmente a criar uma vaga para um amigo e desalojar outro...
O empregado da messe nunca mais pagou a metade que me ficou a dever...Alguém o deve ter protegido...
Enfim, no antigo regime havia situações anómalas. Não acredito que o professor Cavaco Silva, se fosse pronunciar sobre uma pessoa sem ser solicitado. Acredito mais que alguém preenchesse por ele tal apontamento...Era assim antigamente...